MD Networking: Brasil: “a marolinha que virou tsunami”

Brasil: “a marolinha que virou tsunami”


Marisa Fonseca Diniz



Imagine o Brasil, uma empresa rentável dirigida por um profissional capacitado, que já passou por diversas crises econômicas e sabe gerir a empresa nos altos e baixos da economia. De repente, o conselho administrativo da empresa decide mudar o  “cabeça” da organização por um profissional jovem recém-formado com mais vitalidade, disposição e criatividade para alavancar a imagem da empresa no mercado internacional.

O conselho administrativo acredita que sangue novo fará com que a empresa tenha contratos mais substanciosos e formará equipes mais dinâmicas. Esse mesmo conselho que deveria enxergar além do mercado, acredita que profissionais inexperientes podem trazer novas teorias além de serem muito mais baratos que os profissionais com mais experiência.

Aproveitando a política empregada no mercado de trabalho, no qual incentiva a contratação de profissionais jovens em troca da dispensa de profissionais experientes acima de determinada idade, as empresas acreditam que possam ser mais competitivas no mercado internacional, além de terem sua imagem vinculada à modernidade e ao desenvolvimento corporativo.



Um profissional mais barato e de sangue novo é visto com bons olhos no mercado de trabalho, enquanto isso os profissionais experientes que deveriam ser vistos como capacitados por conseguirem gerir empresas em épocas de crise econômica global são taxados como profissionais acomodados e caros para o caixa das empresas.

Por um longo período de tempo, os  jovens profissionais conseguem preencher as melhores vagas de gestão nas empresas. Endeusados pelo mercado de trabalho mundial, se sentem a vontade para aplicarem suas ideologias, mesmo que elas não se apliquem as situações reais da empresa.

Não importa se estes jovens profissionais cometem grandes equívocos financeiros, porque eles sabem que são incentivados pelo mercado de trabalho, o que os torna fortes e indispensáveis. Quando algo não está de acordo com a fome de poder ou são impedidos a dar passos maiores, estes mesmos profissionais começam a pular de empresa em empresa até que consigam o salário pretendido e consigam estabelecer suas ideologias, não importando o custo que isso trará as organizações.


A inversão de valores que ocorre no mercado de trabalho é o mesmo que acontece na governabilidade de um país. Quando eleitores acreditam que candidatos com discursos populistas são  melhores e mais adequados para governar um país, a possibilidade da administração do país ser uma catástrofe é superior a de um governante com experiências em economias instáveis.

Atualmente vivenciamos a total falta de governabilidade de um país, que antes carregava a promessa de ser o país do futuro, futuro este que nunca chegou e nunca chegará. Eleitores sem conhecimento sobre política e economia perspicazmente votam sempre naqueles que acreditam que tem o melhor discurso e prometem mundos e fundos a favor da população, mas que nada fazem ou cumprem em prol ao povo.

O Brasil há mais de anos virou um laboratório político rentável para a incompetência governamental apoiado por eleitores apolíticos e/ou que não se interessam por assuntos relacionados. A falta de conhecimento histórico faz com que os mesmos erros do passado sejam repetidos hoje.


Assim como numa organização há sempre  pessoas que apoiam o novo, mas há também aqueles que são conscientes das calamidades que um gestor incompetente pode causar a frente de uma organização, seja ela privada ou pública. As consequências da péssima gestão brasileira nestes últimos anos são sentidas diariamente no país.

O país anda praticamente abandonado, basta observar a quantidade de dados negativos vindo à tona, uma vez que por anos estes mesmos dados foram totalmente manipulados pelo governo. Os últimos anos foram de tentativas e erros de empregar políticas populistas na esperança de ludibriar a população brasileira, e o mercado internacional de que o país estava em plena ascensão econômica. Mas, o que a população brasileira e o mercado internacional têm presenciado são: 
  • ü Altas taxas de homicídios;
  • ü Assaltos violentos;
  • ü Sequestros;
  • ü Tráfico de drogas e armas;
  • ü Mortes violentas;
  • ü Gestão deficiente da saúde pública;
  • ü Educação de péssima qualidade;
  • ü Falta de planejamento energético e estratégico;
  • ü Falta de investimentos;
  • ü Altas taxas de impostos, taxas e tributos;
  • ü Corte de direitos adquiridos pelos trabalhadores;
  • ü Corrupção;
  • ü Queda da produtividade industrial;
  • ü Inflação galopante;
  • ü Altos níveis de desemprego;
  • ü Escândalos políticos;
  • ü Economia estagnada;
  • ü Políticas sociais descabiveis;
  • ü Falta de infraestrutura adequada;
  • ü Aumento da taxa de miseráveis no país;
  • ü Endividamento interno e externo;
  • ü Índice negativo do PIB;
  • ü Recessão;
  • ü Entre outros.

O país vive um total desgoverno reflexo da incompetência daqueles que foram eleitos à base de promessas e ideologias, e que na verdade são totalmente incapazes de gerir o país por falta de um plano de governo pré-estabelecido.

Em 2008, quando eclodiu de vez a crise financeira global, o principal representante do governo brasileiro teve a infelicidade de afirmar que a crise não passava de uma simples marolinha. A falta de bom senso, gestão e visão das consequências que poderiam acontecer no Brasil eram tão visíveis, que a afirmação virou uma indigesta afirmação no mercado internacional.


Na tentativa de corrigir a piada de mau gosto diante do engodo lançado ao exterior, o cidadão não percebeu que, além de deixar o Brasil em uma situação vulnerável tão pouco possuía um plano de contenção de gastos, a fim de evitar futuros transtornos à economia brasileira. Sendo assim, a situação financeira global foi totalmente ignorada, e o então presidente do Brasil lançou ao exterior que o país estava em pleno desenvolvimento.

Na tentativa de dizer ao mundo que o Brasil era o país do futuro, vários programas de aceleração do crescimento foram lançados, além do incentivo ao crédito à população e diversas bolsas que beneficiavam a população mais carente. O consumo desenfreado de bens aumentou significativamente e o governo apenas investiu na indústria automobilística deixando o país totalmente ao leu.

Em nenhum momento a equipe econômica incentivou a produção de outras riquezas que poderiam ser o diferencial do Brasil no mercado internacional, e permitiu que os produtos chineses invadissem o mercado nacional, desequilibrando por completo o saldo da balança comercial brasileira.

A sucessão de erros econômicos não parou por aí, uma nova representante do Brasil pertencente ao mesmo partido político do antecessor foi eleita, e novos atropelos na gestão do país foram cometidos. Enquanto a população se enganava com os dados que eram divulgados pelo governo vários profissionais eram dispensados no setor industrial, exceto das indústrias automobilísticas e autopeças, por falta de perspectiva de crescimento.

Vários investimentos foram feitos no período, principalmente em infraestrutura esportiva na promessa de que o país estava em pleno desenvolvimento. O governo lançou dados assustadores ao mercado estrangeiro informando que havia uma grande carência de profissionais qualificados no país, e abriu o mercado nacional para a contratação de profissionais estrangeiros, deixando os profissionais brasileiros altamente capacitados a míngua.

O governo no desespero de que a economia fosse à bancarrota prometeu grandes ganhos financeiros com a realização dos eventos esportivos da Copa das Confederações e a Copa do Mundo no país. Porém, o que aconteceu foi justamente o contrário, os investidores perderam dinheiro e a festa  do “Pão e Circo” à população não passou de um vexame internacional.

O governo e a sua equipe econômica começaram a dar sinais visíveis de que estavam completamente perdidos, e não sabiam mais qual caminho deveriam seguir a fim de conter as perdas econômicas. Quando uma parte da população começou a abrir os olhos e enxergar que o custo de vida estava aumentando, e a qualidade de vida despencando, greves e manifestações contra o governo começaram a surgir.

A perspectiva de que tudo pudesse mudar com a eleição de um novo candidato à presidência da república de um partido político da oposição veio abaixo, quando a candidata foi reeleita com 51,64% dos votos totais. Votos estes da grande maioria dos beneficiários das infinitas bolsas criadas para manipular e escravizar a população.


Sem nenhum tipo de programa econômico consistente para reerguer o país, as peças do tabuleiro foram apenas trocadas de posição, e diversos escândalos de corrupção vieram a público. A economia despencou e as perspectivas de crescimento ficaram apenas nas promessas eleitorais.



O que antes era apenas uma marolinha hoje é um tsunami. Os países que foram pegos em cheio na crise financeira global aos poucos vão se erguendo, e o Brasil que era tido na época como uma futura nação próspera, atualmente não passa de um país frágil,  sem perspectiva de crescimento, enlameado na corrupção, endividado e passando por uma grave recessão.

É, parece que o país não possui  profissionais de gestão pública altamente qualificados, quem sabe se importarmos políticos da Dinamarca (país menos corrupto),  Noruega (melhor IDH), Finlândia (melhor educação), França (melhor saúde pública), Islândia (melhor segurança), Estados Unidos (melhor PIB) e Indonésia (leis rígidas),  não acabaremos de vez com esta farra?

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