25 de março de 2018

As vilas mais antigas do mundo


Marisa Fonseca Diniz





As vilas são aglomeradas de tamanho intermediário entre as aldeias e cidades com economias quase que autosuficientes. A história da formação das vilas iniciou por volta de 6.000 anos atrás, quando alguns grupos de humanos descobriram a técnica da produção de cerâmica através do aquecimento da argila. Subsequentemente aprenderam a converter as fibras naturais em fios, dando inicio ao processo da fabricação dos tecidos. Aos poucos começaram a trabalhar com metais para a  produção de  instrumentos.

O trabalho árduo da cerâmica, da tecelagem e dos metais fez surgir os trabalhadores artesãos, que deram os primeiros sinais da divisão social do trabalho. A diversidade na produção, a diversificação de trabalho e as novas funções na sociedade contribuí para que algumas comunidades se transformassem em vilas.



As vilas se desenvolveram em regiões onde o solo era fértil e propício à agricultura, mas em algumas regiões como a América elas estavam associadas aos cultos religiosos e serviam de abrigo para os artesãos para troca de produtos.

O processo de consolidação das vilas está associado ao aumento da organização social, a prática da religião e do comércio, além do aumento populacional com a diversificação das atividades produtivas. As vilas eram compostas por uma sede onde havia um conselho político e um importante centro setorial econômico, social e cultural responsável pelas decisões tomadas para a evolução das vilas.

As vilas mais antigas tombadas pelo UNESCO ficam na Hungria e Romênia, que  são Hollôko e Rimetea.

A vila de Hollôko localiza-se a 100 quilômetros a nordeste de Budapeste, é uma pequena comunidade rural com 126 casas e edifícios agrícolas com pomares, vinhas, prados e bosques. A vila e os arredores têm a proteção de um castelo, que teve papel decisivo nas guerras feudais da Palocz e as guerras hussitas, onde serviu de proteção para a vila.



No final da ocupação otomana em 1683, o castelo e a vila foram abandonadas. Mas, a partir do século 18 e 19 a vila tornou a ter vida. A primeira geração de habitantes se estabeleceu em ambos os lados da rua principal, e as gerações seguintes construíram suas casas na parte de trás da rua principal. Os celeiros foram construídos para além da vila nas bordas dos campos.



Os habitantes de Hollôko nunca atenderam o decreto que proibia a construção de casas de madeira, e com isso diversos incêndios devastaram a cidade, o último datado de 1909. A partir do último incêndio as casas começaram a ser feitas de pedra com paredes caiadas de branco, reboco grosso, reforçada pelos altos pilares de madeira e varandas.


Atualmente, a Vila de Hollôko é Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO que inclui não só a atividade agrícola, mas também as construções. A vila possuía em 2001 apenas 387 habitantes. 


A vila de Rimetea fica localizada em Aba County, na região de Transilvânia, Romênia composta por duas aldeias a Coltesti e Rimetea.


O patrimônio arquitetônico de Rimetea constitui o maior patrimônio vernáculo  da região com  201 edifícios tradicionais, sendo 170 históricos. Os edifícios possuem padrão histórico valioso e estão agrupados em torno de praças em fileiras de casas que formam conjuntos homogêneos cercados de paisagem natural e de beleza excepcional.


Os edifícios representam cinco diferentes tipos de construção:

Tipo A: construções do século 17 e 18 caracterizadas por métodos construtivos arcaicos e formas únicas com algumas raridades arquitetônicas como uma construção de 1668, conhecida por ser a edificação rural mais antiga da região. Além de uma fábrica de ranger datada de 1752, a mais antiga da Bacia dos Cárpatos.

Tipo B: a parte mais valiosa do patrimônio arquitetônico é o grupo de educação classista;


Tipo C: edifícios burgueses do século 19 e os primeiros do século 20 únicos devido à sua geometria homogênea e estrutura, vários e rica decoração, elementos de ferro forjado como produtos de fabricação local. As características descrevem a prosperidade do material e a espiritualidade do período;
Tipo D e E: foram construídas pelos habitantes mais pobres da Rimetea. São estruturas com valiosas peças de alta qualidade da arquitetura vernacular (Fonte: UNESCO).


A vila possui valor étnico da mobília tradicional, bordados, trajes tradicionais, bem como elementos de ferro forjado que representam as relíquias da tradição mineira de ferro e a tradição local. No censo de 2011, aproximadamente 92% da população da vila era de húngaros e 8% de romenos.


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