2 de junho de 2018

A decadência do setor da construção civil no Brasil



Marisa Fonseca Diniz


Até três anos atrás, o discurso do governo federal brasileiro era de que faltavam profissionais qualificados no setor da construção civil, pois segundo informações divulgadas o setor andava em plena ascensão, negavam haver bolha imobiliária, os brasileiros ganhavam altos salários, havia crédito em abundância no mercado nacional, não havia desemprego no país, sobravam vagas... estas eram apenas algumas das mentiras maquiadas pela cúpula politica. Atualmente, o setor da construção civil está completamente temeroso e sem perspectivas de crescimento, o que contrariava todas as informações repassadas pelo governo nas projeções econômicas da época.


No primeiro trimestre de 2015, o setor da construção civil já tinha demitido mais de 50 mil profissionais e mais de 20 mil vagas de emprego tinham sido fechadas. O que fez com que nos próximos meses a situação piorasse, em seguida o governo federal anunciava um corte de quase R$ 26 bilhões de investimentos no PAC, que incluia o programa habitacional do Minha Casa, Minha e Vida e obras de infraestrutura.




Os escândalos de corrupção relatados na operação Lava Jato foi outro aspecto negativo que o setor da construção teve que enfrentar. A estagnação do setor envolveu não apenas as grandes construtoras como também as empresas de consultoria e projetos devido o descrédito na economia nacional. A falta de investimentos facilitou na época, as parcerias comerciais entre governo federal e o governo chinês para investir bilhões no Brasil.

O governo chinês possui um enorme volume de reservas internacionais em torno de US$ 4 trilhões, o que  tem facilitado a busca em diversificar suas aplicações. Mas, o principal interesse da China não é apenas diversificar seus investimentos e sim em se contrapor aos EUA sendo uma potência global. E desta maneira utiliza sua tecnologia e reserva financeira para investir em países com economias fragilizadas, tais como países da África e o Brasil.

A proposta do governo e dos empresários chineses é investir dezenas de bilhões de dólares em diversos setores da economia brasileira, tais como ferrovias, hidrelétricas, agronegócios, mineração, siderurgia, TI e autopeças.

Os investimentos chineses podem impulsionar a economia brasileira que anda em recessão, mas por outro lado é uma excelente estratégia chinesa, uma vez que os brasileiros não falam mandarim ou chinês e nem os orientais falam ou entendem uma palavra de português.




A manobra política é fazer com que os países sejam dependentes dos investimentos e tecnologia chinesa, assim como já acontece na África onde as ferrovias foram feitas com bitolas que apenas servem para os trens chineses. Outro inconveniente é a insistência em importar mão de obra chinesa para suas obras, uma vez que são mais baratas e livres das leis de direito trabalhista. No Brasil, a China já tentou trazer mão de obra chinesa para ser utilizada na construção da Usina de Belo Monte no Pará sem sucesso, mas agora com a recessão esta situação pode ser inversa, pois prevalece quem tem mais poder de investimento.

Um dos investimentos mais arrojados dos chineses no Brasil é o projeto da construção da ferrovia transoceânica que cortará o país e o Peru facilitando o escoamento de grãos e outros produtos da região centro-oeste para o Oceano Pacífico. Não podemos esquecer que a  China compra 70% de toda a soja produzida no país, portanto o interesse não é apenas econômico e sim estratégico.


Fonte: O Globo


A estratégia chinesa não para por aí,  em 2017 a China adquiriu uma construtora brasileira e no primeiro bimestre deste ano, dois projetos do total de três totalizaram US$ 349 milhões de investimentos, segundo a terceira edição do Boletim Bimestral sobre Investimentos Chineses no Brasil.  

O que era improvável de acontecer,  que foi facilitado pelos escândalos de corrupção envolvendo as grandes construtoras nacionais, os chineses iniciaram em março as obras em um porto no Maranhão que exportará milhões de toneladas de produtos agrícolas, principalmente  a soja para o mercado chinês. Segundo o site de notícias Bloomberg, o investimento é de R$ 1,8 bilhão, US$ 520 milhões, que está sendo financiado pelo Industrial & Commercial Bank of China, maior banco do mundo em ativos, que se estabeleceu no território brasileiro no ano de 2013.

É parece que as perspectivas de crescimento do setor da construção civil no Brasil estão nas mãos apenas dos chineses. Se anos atrás, o governo brasileiro tivesse investido em tecnologia e tivesse uma gestão mais inteligente, hoje o Brasil poderia ser uma potência mundial, porém os governantes preferiram o caminho mais curto, o da ideologia e da corrupção!


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