Inovando na construção civil



Marisa Fonseca Diniz


A preocupação na conservação com o meio ambiente tem feito com que alguns setores da economia mundial se preocupem diretamente em desenvolver processos e produtos, que não agridam a natureza. Lima e Silva em 2000 descreveu o meio ambiente como sendo um conjunto de fatores naturais, sociais e culturais que envolvem um indivíduo e com os quais ele interage, influenciando e sendo influenciado por eles.

Pensando nisso, o setor da construção civil tem desenvolvido uma série de técnicas e produtos sustentáveis que podem ser empregadas nas construções, conservando desta maneira o solo, a vegetação e os lençóis freáticos. Materiais empregados nas construções convencionais são extremamente poluentes e corrosivos com grande poder de destruição da natureza.

Profissionais do setor, tais como arquitetos e paisagistas vão muito mais além do que a própria engenharia civil, e tem desenvolvido projetos construtivos que interagem com a natureza. Quem nunca imaginou ter uma árvore dentro da sala de estar? Estranho, mas saiba que já é possível ter a natureza pertinho do aconchego do lar ou mesmo no escritório.


Um projeto de construção de casas no Canadá, na Península Bruce propõe que as árvores sejam parte integrante das casas. A natureza invade de maneira harmoniosa o meio em que os moradores vivem. Este projeto utiliza materiais sustentáveis e aproveita os recursos naturais como água e sol na geração de energia.



A natureza é mais bem aproveitada utilizando nas edificações as árvores já existentes ou plantando novas, pois além de conservá-las no próprio ambiente natural, acabam tornando peças chaves à decoração de salas, dormitórios, decks, banheiros e varandas dando a falsa ideia de que a casa foi feita na árvore.


Avanços tecnoecológicos ao redor do mundo têm trazido diversos  benefícios às novas construções não apenas de residências como também de edifícios como é o caso dos espelhados, que são uma nova tendência arquitetônica do mundo moderno. Os vidros aplicados nas novas construções retêm a energia solar, diminuindo a necessidade de luz e de ar condicionado. O consumo de energia diminui devido à película espelhada, refletiva que absorve parte do calor, deixando o ambiente mais leve e fresco. A manutenção desse tipo de fachada é de baixo custo, e mais fácil de limpar e conservar.


Apesar das críticas e resistência de alguns engenheiros do setor da construção civil, esta é uma nova tendência ecologicamente correta, e muito facilmente encontrada em grandes centros urbanos ao redor do mundo. Como é o caso da Freedom Tower  localizada na cidade de Nova York, Estados Unidos.



Considerada a primeira torre ecológica de Nova Iorque por utilizar materiais recicláveis e de economia energética, dentre estes materiais está o vidro espelhado da fachada, que proporcionou a Certificação do Leed Gold.

Na China, a New Century Global Center é um edifício multifuncional  construído sobre uma estação de metrô em Chengdu. 



O edifício é considerado o mais largo de mundo com 100 metros de altura e 400 metros de largura. A estrutura é composta por aço espelhado, vidro abobadado e um “sol artificial” que brilha 24 horas por dia refletindo uma temperatura agradável.

No Canadá, as duas torres do Absolute Towers foram projetadas pela MAD Architects e são totalmente sustentáveis.



Com 170 metros de altura, a fachada é toda de vidro sustentável, que proporciona redução de gasto energético e contribui com a iluminação e climatização ambiente.

A Swiss Re Building, também conhecido como The Gerkin é um arranha-céu espelhado que fica localizado no centro financeiro de Londres. 



A torre tem 180 metros de altura e usa métodos de economia energética, que permite usar apenas metade da energia que uma torre semelhante normalmente consome. Os gaps em cada piso criam seis eixos que servem como um sistema de ventilação natural para todo o edifício. Os eixos criam um gigante efeito de vidro duplo, onde o ar circula e climatiza o espaço interno dos escritórios.

O edifício Aldar Headquarters localizado nos Emirados Árabes Unidos é totalmente sustentável.



A estrutura esférica é formada por duas conchas de vidro espelhado e jateado unidas por uma estrutura metálica, que contribui para o aproveitamento da luz solar economizando energia. O aço da estrutura foi fabricado através de materiais recicláveis diminuindo desta maneira a produção de resíduos.

A inovação na construção civil não fica restrita apenas a produção de casas e edifícios permitindo que muitas outras técnicas sejam utilizadas por aqueles que veem na sustentabilidade uma maneira de preservar o meio ambiente. Não há restrição tecnológica que impeça de indivíduos comuns investirem ou adaptarem objetos por vezes estranhos em moradia. Muitos destes objetos são arrematados em leilões ou comprados em lugares afastados dos grandes centros urbanos, a vantagem é que além de fazerem uma boa aquisição muitos podem inovar.

Como é o caso da Casa Ambulante feita com sistema modular de habitação de baixo impacto ambiental.




A casa possui um processo de coleta de energia que utiliza células solares e moinhos de vento de pequeno porte, além de possuir um sistema que capta a água da chuva, e um sistema solar que aquece a água. É uma casa totalmente voltada à sustentabilidade.

Caixas d´água construídas de concreto e abandonadas há diversas no mundo. A proposta da Casa Caixa d’água como é conhecida é o reaproveitamento e adaptação à moradia.




A vantagem desse tipo de construção é que fica longe do solo, e com algumas adaptações aproveita melhor o espaço e tem um designe interior arrojado.
Que tal aproveitar um leilão de aviões ou barcos e adaptá-los como moradia? Além de contribuir para o déficit habitacional, ainda poderá reciclar o que antes seria descartado na natureza, e colaboraria para a degradação do meio ambiente.



Não gostou da ideia? Se preferir pode apenas utilizar algumas partes do avião e construir uma casa sustentável. Essa é a proposta do projeto da Wing House elaborada pela David Hertz Architects Inc.



Localizado nas colinas de Malibu, Estados Unidos, o projeto consiste em usar várias estruturas das partes de um avião Boeing 747-200 para fazer o telhado do quarto principal. A residência possui diversos recursos ambientais desde o uso de materiais 100% recicláveis, além de energia solar, aquecimento e ventilação natural.



Outra forma de reaproveitar o que antes seria descartado é comprar um vagão de trem antigo e transformá-lo em moradia. Quando reformados podem ser equipados com placas solares e sistema de coleta de água da chuva.




Entre tantas esquisitices transformadas em residências há uma em especial que chama a atenção. A Casa Outdoor  foi criada a partir da ideia de reaproveitar as estruturas dos painéis de outdoor  e transformá-las em apartamento. Vidros bioclimáticos são utilizados para manter o ambiente fresco, além de captar a luz solar que é transformada em energia.

Na costa norte da Espanha de frente para o Mar Cantábrico,  um projeto arquitetônico foi elaborado com a principal característica de ser uma casa, onde a cobertura é toda feita de grama ecologicamente correta. Na Espanha é muito comum em algumas regiões do país, as pessoas viverem em cavernas ou casas construídas debaixo da terra, assim como também já se popularizou o uso de telhado verde na construção de casas e edifícios.



O telhado verde  (veja o link) é uma boa opção sustentável, pois mantém a casa fresca durante o verão, além de captar a água da chuva.

O arquiteto australiano Max Pritchard usou uma ponte para fazer um projeto para lá de inusitado sem agredir a natureza.





A ponte é composta por treliças de aço com piso em concreto, deck e telhado feito de tubos, as paredes são transparentes, o que dá a sensação de liberdade e permite que a luz solar entre no ambiente iluminando a casa.

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