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Agradecemos a todos pela iniciativa em nos ajudar em um momento tão difícil financeiramente como este, que estamos enfrentando.

Depende de que lado se está da história


(Uma reflexão sobre a desigualdade social)


Marisa Fonseca Diniz



É muito comum nos dias atuais encontrarmos receitas prontas de como sair da crise financeira ou de como conseguir transformar o desemprego em um negócio próprio, porém o que muitas pessoas desconhecem é que fórmulas prontas só se adéquam a realidade das pessoas que vivem em classes sociais mais abastadas como a A e B.

O Critério de Classificação Econômica Brasil ou CCEB é um sistema de classificação de preços ao público brasileiro, que tem como objetivo ser uma forma única de avaliar o poder de compra de grupos de consumidores deixando de lado a pretensão de classificar a população em termos de classes sociais como é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, e divide o mercado exclusivamente em classes econômicas, a saber:

Referência 2016

Além destes dados apresentados na tabela acima, o CCEB é também calculado com base em alguns atributos presentes nos domicílios e fatores relevantes ao acesso de serviços públicos e o nível de educação do responsável, que é avaliado por meio de pontos, conforme tabela abaixo:


Para o IBGE, a classificação das classes sociais segue outros parâmetros, a saber:

As classes sociais no Brasil são muito desiguais, a elite mora em casas luxuosas em bairros arborizados com asfalto, esgoto e água encanada, em geral são fazendeiros, grandes empresários, executivos de empresas multinacionais, influencers, investidores de altas quantias, funcionários públicos do alto escalão, industriais, banqueiros, artistas bem sucedidos. Viajam constantemente para o exterior a negócio, férias e possuem moradias em outros países, os filhos estudam nos melhores colégios particulares do país com mensalidades que ultrapassam os 10 mil reais mensais, estudam nas melhores universidades do Brasil e do mundo, possuem os carros mais potentes, luxuosos e blindados na garagem, alguns têm jatinhos e iates, outros preferem ir trabalhar de helicóptero particular. São atendidos nos melhores hospitais particulares do país, fazem suas refeições em restaurantes caríssimos não se importando com o preço cobrado, possuem diversos serviçais e não saem de casa sem segurança particular, ou seja, estão muito acima da realidade da maioria da população do país. O 1% mais rico do Brasil ganha 33,8 vezes mais do que os 50% mais pobres, uma vergonha em pensar que o país possui uma desigualdade tão alarmante como essa.


A classe B considerada a classe média brasileira não fica muito atrás da elite, apesar de mais de 900 mil cidadãos terem caído da classe A e B nos últimos anos devido à falta de emprego e a recessão. No entanto, a classe média brasileira ainda concentra uma parte abastada da população. Pequenos empresários, funcionários públicos, aposentados e pensionistas com ganhos acima de R$ 5 mil reais mensais, pessoas que tem rendas extras de aluguel, investimentos e bens, os filhos estudam nas escolas de renome e em universidades públicas, fazem intercâmbio no exterior, viajam pelo país, tem casa de veraneio, possuem carros e casa própria em bairros considerados seguros e que possuem saneamento básico, tem acesso fácil à cultura, duas ou três vezes por semana saem para jantar em restaurantes badalados da cidade e mesmo com a crise não tem o costume de fazer grandes cortes de gastos. Tem empregada mensalista ou faxineira, plano de saúde, seguro de vida, ou seja, tem uma vida bem confortável.

No entanto, a classe social C é para onde muitos dos indivíduos que no passado pertenciam à elite foram parar depois que perderam o status de classe A ou B. Novas adaptações tiveram que ser feitas para viverem dentro de um padrão de vida menor. Trocaram a casa própria pelo aluguel ou por um imóvel de menor valor e em bairros mais afastados do centro, o carro zero foi trocado por um carro mais velho ou preferiram virar motorista de aplicativos. A educação dos filhos ficou mais restrita as escolas particulares mais baratas em bairros mais afastados, o plano de saúde foi substituído pelos consultórios médicos populares ou por planos de saúde mais baratos, as viagens ficaram mais restritas a um final de semana, e as dívidas mais que dobraram, porém não deixam de fazer uso do cartão de crédito para suprir as necessidades diárias, mesmo não tendo dinheiro para quitá-los e não abrem mão de todas as suas antigas regalias como a compra de novos eletrônicos ou eletrodomésticos.

As pessoas pertencentes às classes sociais D e E são aquelas consideradas pobres, as da base da pirâmide, e que mais pagam imposto em comparação as demais classes. Os indivíduos da classe social D, em geral são aqueles que não tiveram a oportunidade de estudar em um colégio particular e muito menos tiveram condições de pagar um cursinho ou entrar em uma faculdade pública. Os filhos são enviados às escolas públicas para poderem ter pelo menos uma refeição ao dia, e quando adultos são aqueles que estudam em faculdades particulares graças ao Programa de Universidade para Todos – ProUni. Composta por pessoas que trabalham em subempregos, mesmo tendo superior completo muitos não conseguem ter oportunidades de trabalho condizente com a formação e experiência. A moradia pode ser emprestada por algum familiar, imóveis invadidos ou de alvenaria nas comunidades afastadas dos grandes centros urbanos. A saúde é precária, sendo dependentes exclusivamente do Sistema Único de Saúde - SUS, quando conseguem ser atendidos. Usuários ávidos do transporte público, bicicletas ou um carro muito velho e sem manutenção. Raramente se aposentam, ou seja, trabalham até morrer. A média de vida das pessoas das classes sociais D e E está em torno dos 55 anos de idade, muito diferente da perspectiva de vida das classes sociais A, B e C, segundo dados oficiais.

A classe social E é aquela formada de pessoas que em geral já perderam tudo, moram em palafitas, casas de madeirite ou papelão nos morros e ruas do país, sem nenhum tipo de saneamento básico. Composta por pessoas que vivem exclusivamente de bicos sem ter uma renda fixa por mês, raramente possuem alimento na mesa todos os dias, as crianças nem sempre conseguem vagas em creches ou em escolas públicas, e quem consegue uma vaga acaba desistindo dos estudos devido à desnutrição e a obrigatoriedade de trabalhar cada vez mais cedo para poder ajudar na renda familiar. A saúde pública é inacessível àqueles que não têm endereço fixo, aumentando gradativamente as doenças infecciosas. Não possuem acesso à aposentadoria, alguns vivem de recursos federais, como exemplo a bolsa família. Compostas por pessoas marginalizadas pela sociedade e pelo governo. Os jovens morrem cada vez mais cedo devido a violência nos locais em que moram ou frequentam.

É insano dizermos que no Brasil não há distinção de classes sociais, preconceito ou fome, quando não nos falta nada. Infelizmente, as pessoas desde pequenas são incentivadas a odiar os indivíduos menos abastados, apenas pelo prazer de se acharem superiores aos demais. A pobreza é dita como algo contagioso, como se a cor da pele manchasse a mão de um rico.


Há uma falta de bom senso e empatia rondando as classes sociais mais ricas, que exploram os mais pobres em prol a sua ambição por dinheiro. Dinheiro este que por sinal não pode ser carregado no caixão, mas que é disputado a tapas pelos herdeiros. Não é à toa que até Jesus Cristo disse: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Pois, é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.” Lucas 18, versículos 24 e 25.


Políticas e mais políticas são criadas contra as classes sociais mais baixas, o código penal é exclusivamente aplicado contra os mais pobres, já que os que estão no topo da pirâmide são os responsáveis por criarem as leis. A desigualdade social é um grande abismo no desenvolvimento do país. O Brasil é considerado um país pobre, já que os 64% da população encontram-se na base da pirâmide.

Muitas pessoas ainda não se deram conta que, quando apoiam políticas de reforma trabalhista e da previdência social, não estão prejudicando os mais pobres, e sim eles mesmos, pois os mais pobres não trabalham com carteira profissional assinada e consequentemente não se aposentam, assim como os mais ricos não estão preocupados em se aposentar, e sim em juntar riquezas, que é o que os mantêm no topo.

A ignorância daqueles que elegeram uma pessoa que há anos se mantêm na política juntamente com os filhos e nunca fizeram absolutamente nada pelo povo, nos faz pensar que sejam pessoas obtusas em relação aos problemas econômicos, políticos e sociais do país. Um cidadão que é a autoridade máxima de um país e que não representa os interesses da população a nível global, e vende  o patrimônio e  as riquezas do país em troca de favores é alguém que não nos representa. Não saber se comportar como um líder político preferindo agir como uma criança mimada dizendo em rede social que é perseguido por seus adversários e que todos fazem complô contra ele é de se pensar que sofra de paranoia. Dizer a todos os cidadãos que governa em nome de Deus é com certeza uma pessoa que desconhece a verdade bíblica, pois Jesus Cristo não andava com corruptos e muito menos com os hipócritas, preferindo andar ao lado dos pobres e injustiçados. Muito diferente do que apregoa favorecendo exclusivamente os mais ricos com a desculpa de que os mesmos pagam altas cargas tributárias, sendo os responsáveis por gerar riquezas no país. Acredito que tenha um problema sério de interpretação de dados ou tenha fugido das aulas de história, pois os que mais enriquecem o país são justamente aqueles que pagam mais impostos, ou seja, os pobres.

Ora, não sejamos tão cegos a ponto de não perceber que tudo que o governo fala não passa de fake news. Escravizar e explorar os mais pobres tirando os direitos dos mesmos apenas com o desejo de enriquecer os mais ricos é a maneira mais esdrúxula de se governar. A maneira mais inteligente de governar seria adotar uma política que favorecesse todos os cidadãos oferecendo oportunidades para terem uma vida mais digna e contribuindo dessa maneira com o crescimento uniforme da economia.


Subtrair direitos dos cidadãos é a maneira mais autocrática que um  governo possa fazer para implantar um sistema autoritário em um país. Nem de direita e nem de esquerda deve-se permitir que um governo implante estas decisões, porque depois de perdido os direitos nenhum cidadão conseguirá voltar a trás ao sistema democrático.

Aqueles que atualmente apoiam tais decisões por se considerarem pessoas conservadoras, só perceberão depois de muito tempo, que foram corresponsáveis pela implantação de um sistema autoritário em que eles mesmos serão lesados por esta ideologia, assim como aconteceu nos governos de extrema direita e esquerda na Europa no século passado, e que perpétua até hoje no mundo.

Apoiadores de um governo autoritário aprendam:


Não dê migalhas aos mais pobres,

Dê oportunidades.

Não dê conselhos de como juntar um milhão,

Dê condições de terem uma vida digna.

Não dê fórmulas prontas de sucesso

Aprenda com eles como ser feliz.

Não os chame de vagabundos,

Aprenda com eles o que é ser solidário.

Algo que as classes sociais mais elevadas deveriam aprender.

Qual o lado da história você prefere ficar?

O da consciência limpa ou o lado que ajuda a matar diversos inocentes, apenas por eles serem pessoas pobres financeiramente?

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.


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O trabalho Depende de que lado se está da história de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2019/12/depende-de-que-lado-se-esta-da-historia.html.

Os efeitos nocivos do desemprego


Marisa Fonseca Diniz



O total de desempregados em todo mundo cresce assustadoramente, sendo que em alguns países em específico há uma maior concentração do número de desempregados decorrente da economia deficitária. Dados da OIT, Organização Internacional do Trabalho mostram que quase 45% da população mundial, atualmente se encontram desempregadas. Desse total, apenas 48% do total de mulheres em idade laboral se encontram empregadas contra os 75% do total de homens, ou seja, a desigualdade de gênero ainda é muito alta em todo mundo.

Pesquisas comprovam que as mulheres possuem maior grau de escolaridade em comparação aos homens, porém a sociedade ainda é patriarcal. O patriarcado é um sistema social, onde os homens predominam em funções de liderança política, autoridade moral, privilégio social e controle de propriedades, além de ter o domínio familiar e a autoridade sobre as mulheres e crianças.

O atraso deste tipo de sistema social em relação à legislação trabalhista com o argumento de que as mulheres são o sexo frágil, serve apenas para denegrir a imagem da mulher, de maneira a pensar que elas são menos capazes para assumir cargos de liderança ou fazer atividades mais braçais. Esta desqualificação gera um retardo no desenvolvimento econômico dos países que possuem alta taxa de desemprego e políticas patriarcais, onde o homem é o centro da sociedade, mesmo sabendo que a sociedade ano a ano vem perdendo este conceito retrógrado.

O número de famílias chefiadas por mulheres mais que dobrou em muitos países, o que faz pensar que o pensamento patriarcal não se adéqua a este novo papel da mulher na sociedade. No Brasil, por exemplo, mais de 28,9 milhões de famílias são chefiadas por mulheres. A família hoje tem outro conceito muito diferente de séculos passados, as mulheres são sempre aquelas que assumem a responsabilidade dos filhos e da casa, e quando há uma separação ou viuvez se tornam exclusivamente as responsáveis em prover o sustento da família.

O que não faz o menor sentido, quando analisamos os dados recentes sobre o desemprego, visto que, elas têm menos oportunidades de trabalho, quando não, são subaproveitadas em suas funções laborais. O Conselho Nacional de Justiça do Brasil com base no Censo Escolar de 2011 constatou que mais de 5 milhões de estudantes não possuem o nome do pai na certidão de nascimento, e que em 2018 mais de 100 mil processos judiciais tramitavam na justiça por falta de pagamento de pensão alimentícia, ou seja, a sociedade é patriarcal mais a responsabilidade financeira da família sempre sobrecai sobre as mulheres.

Segundo dados de 2019, o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística constatou que a expectativa de vida dos homens é de 73 anos e para as mulheres 80 anos, no entanto, o mercado de trabalho brasileiro considera que as mulheres a partir dos 40 anos de idade já sejam consideradas velhas demais para assumir qualquer função de gestão, e as empresas que oferecem oportunidade de emprego às mulheres preferem que elas assumam funções menos importantes dentro das organizações.

O descarte de profissionais mulheres maduras do mercado de trabalho tem feito com que o número de desempregadas cresça demasiadamente, não importando se elas possuem mais diplomas ou experiência profissional em relação aos homens. Tanto é que, as oportunidades de emprego de média e alta gestão são sempre direcionadas aos homens de cor branca, descartando de imediato as mulheres, além de pardos e negros.

O pré-conceito concebido por aqueles que se encontram em posições mais elevadas dentro das organizações tem feito com que uma legião de profissionais talentosas sejam descartadas antes mesmo de terem a oportunidade de serem entrevistadas para a vaga no qual se candidatam, ou seja, a descriminação vai muito mais além da raça ou gênero, incluindo dessa maneira o preconceito da idade.


Em quase um ano de busca por uma oportunidade de recolocação no mercado de trabalho, enviei mais de 18.000 currículos profissionais tanto para vagas no Brasil como fora dele. No entanto todas as vagas abertas no Brasil, apenas uma empresa deu a oportunidade de uma entrevista, ainda que pelo telefone, as demais empresas enviavam e-mail de resposta minutos depois do envio do currículo informando que não havia interesse por parte da empresa em continuar o processo de seleção, seja porque a idade era superior ao esperado ou porque preferiam um homem para assumir a função, ou seja, no Brasil ser mulher e estar acima dos 50 anos de idade é o mesmo que ter lepra. As pessoas ficam consternadas com a situação, mas não oferecem uma oportunidade para uma profissional madura. Um absurdo em pleno século XXI, as pessoas e as empresas pensarem desta maneira.

Os efeitos nocivos do desemprego vão muito mais além do que o preconceito ou a falta de dinheiro. O desemprego causa efeitos nocivos à vida emocional, física e social das pessoas, e pode piorar  quando não se tem perspectiva de uma recolocação no mercado de trabalho a curto prazo. Para algumas pessoas esse fato pode não significar absolutamente nada, principalmente quando o pensamento é de que jamais vivenciarão este fato.

As receitas prontas de que a melhor saída para o desemprego é recomeçar tudo do zero e abrir um negócio próprio chove na internet e nas livrarias, porém não podemos achar que todas as pessoas irão se adaptar a esta nova vida ou tem reservas financeiras suficientes para investir em um negócio próprio até porque nem todas as pessoas estudadas se encontram nas classes sociais A, B ou C. Quando se é o único provedor da família e não há reservas financeiras suficientes ou não se tem tino para vendas, não é o negócio próprio que vai tirar a pessoa da situação de miséria.

O primeiro impacto do desemprego é o social, que desestrutura a família, além de fazer com que se perca o poder de compra fazendo com que as dívidas se multipliquem. A pessoa que se encontra desempregada se sente impactada com a falta de condições de prover uma vida segura e digna para a sua família, pois infelizmente quando se perde o poder de compra em uma sociedade capitalista, a classe social de antes deixa de existir. E este fato acontece principalmente com as pessoas das classes sociais mais baixas, diferente da realidade da classe média e alta, que sempre se mantêm nos melhores empregos ou são empresários de longa data.



O impacto emocional na vida de um profissional desempregado é enorme e pode gerar diversos problemas físicos, que vão desde um estresse crônico até complicações mais severas como pressão alta, diabetes, enfarte, doenças crônicas de pele, baixa imunidade e câncer.

Estudos feitos pelo jornal britânico BMC sobre desemprego durante um longo período de tempo concluiu que este fato pode causar transtornos mentais e multiplicar as doenças somáticas. O desemprego gera flagelo emocional, estresse, insegurança, desamparo e autocondenação por acreditar ser incompetente por não conseguir se recolocar, ou seja, colabora de maneira direta para diminuir a autoestima da pessoa. 

A situação piora quando pessoas próximas ou familiares daquele desempregado o acusam de não estar sendo forte o bastante para contornar a situação e buscar um emprego de maneira persistente acreditando que a pessoa está desempregada porque não quer trabalhar. Conselhos nada positivos e críticas persistentes fazem com que as pessoas em situação de desemprego se considerem incompetentes e ineficientes em sua busca por uma recolocação, mesmo elas tendo um currículo impecável ou invejável com diversos cursos internacionais no currículo, por exemplo.

A perda de emprego é um dos fatores que tem colaborado para o aumento da taxa de suicido em todo mundo, além do que, nem todas as pessoas conseguem lhe dar com as pressões do cotidiano e nem com situações adversas, o que pode acometer pessoas das mais variadas faixas etárias. A perda do emprego tem sido considerada um dos traumas mais devastadores dos tempos atuais, pois nem todas as pessoas conseguem enxergar que esta situação possa ser apenas momentânea e a qualquer momento pode mudar.

A busca frenética por uma recolocação no mercado de trabalho tem feito com que as pessoas andem diversos quilômetros por dia para enfrentar filas gigantescas que se formam desde madrugada na frente das empresas, apenas para concorrer a pouquíssimas vagas de emprego abertas. No entanto, quando se está acima dos cinquenta anos de idade, os recrutadores não leem o currículo do profissional e ainda por cima olham com desdém para aquele que busca uma recolocação mesmo em vagas inferiores a sua competência. A falta de trato daqueles que estão à frente da responsabilidade de contratarem profissionais para as vagas em aberto vão muito além do preconceito, desprezar alguém pelo gênero, raça ou idade é uma atitude cruel do ser humano.

Tão cruel que pode debilitar emocionalmente uma pessoa que esteja se sentindo a pior das espécies naquele momento, tanto é que, a depressão pode surgir como consequência da falta de emprego, a se pensar que nem todas as pessoas são resilientes para superar esta fase abrupta de mudanças.

Apesar de muitas empresas e profissionais acreditarem que todas as pessoas acima dos quarenta anos de idade sejam um estorvo para as organizações e que muitos estejam próximos de se aposentar, na verdade desconhecem a realidade do Brasil. A maioria das pessoas que se aposentam antes dos 55 anos de idade pertence à classe social A, na sua maioria funcionários públicos, e que concentram quase 30% do total de gastos da Previdência, ou seja, as pessoas que trabalham na iniciativa privada tendem a se aposentar mais tarde, com idade superior aos 65 anos e com ganho médio de 01 salário mínimo.

Em compensação, as empresas que mais faturam no país possuem renda líquida superior a 810 bilhões de dólares, quantia suficiente para investir em novos postos de trabalho, mas que preferem explorar a mão de obra barata em detrimento aos benefícios recebidos do governo brasileiro em não taxar grandes fortunas e ganhos. O mesmo país que favorece os mais ricos é o mesmo que sobretaxa os mais pobres, tira os direitos dos trabalhadores e favorece a classe social privilegiada do país.

Não são à toa que as melhores vagas de emprego são oferecidas aqueles que são oriundos das classes sociais A e B, que estudaram nas melhores escolas privadas do país e ficaram por anos estudando em universidades públicas e federais,  excluindo de vez do mercado de trabalho aqueles que não possuem “pedigree” por não terem tido a oportunidade de estudar em uma faculdade de primeira linha.

No entanto, quando há uma crise econômica rondando o país as primeiras pessoas a perderem o emprego são aquelas que dependem exclusivamente do salário que ganham em troca do seu esforço físico e mental. Quanto mais baixa for à classe social do profissional desempregado mais tempo ele levará para se recolocar no mercado de trabalho, desde que ele não seja mulher, negro, pardo ou esteja com idade superior de 50 anos.

A vida vai ficando cada vez mais difícil para aqueles que precisam se recolocar no mercado de trabalho, e continuar mantendo a família viva. Infelizmente, as expectativas de uma recolocação vão diminuindo dia após dia causando diversos problemas físicos e emocionais, além de contribuírem para o aumento da desigualdade social. Uma dura realidade para quem se encontra assim como eu nesta situação de desalento, pois por mais que se seja otimista é difícil enxergar uma luz brilhante no final do túnel!

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A ignorância se alimenta de aplausos


Marisa Fonseca Diniz



Nunca foi tão verdadeiro este pensamento, nos dias que se sucedem somos muitas vezes obrigados a conviver com certas pessoas que chegam a nos sufocar por acreditarem estar acima dos outros, desmerecendo a sapiência ou a formação acadêmica alheia. A ignorância nem sempre é sinal de falta de conhecimento, muitas vezes ela pode ser considerada um comportamento rude de um determinado ser humano que se considera mais inteligente do que os demais.

Muitas pessoas podem sentir raiva de um chefe, colega, familiar, vizinho ou até mesmo um prestador de serviço que se considera um especialista em um assunto qualquer sem ter o mínimo de conhecimento básico na matéria, sim, comportamentos como estes são muito comuns na sociedade em que vivemos.

Não desmerecendo ninguém, mas humildade e sabedoria são virtudes importantes na vida das pessoas, pois possibilitam novos aprendizados, independente daqueles que a vida oferece. No entanto, algumas pessoas em especial acreditam que são especialistas em todos os assuntos sem nunca ter sentado em um banco de escola ou faculdade, pois acreditam que indivíduos que estudaram não passam de pessoas orgulhosas e que só tem na verdade um mero diploma.

A concepção destas pessoas em questão de conhecimento é totalmente deturpada da realidade, não medem esforços para denegrir a imagem ou a ciência daqueles que estudaram anos a fio sobre determinados assuntos, e não se dão conta do quanto ofendem e desmerecerem os indivíduos que se esforçaram para conseguir concluir seus estudos técnicos ou acadêmicos chegando ao ponto de serem oratoriamente agressivos com quem discorda de seus conceitos retrógrados.

Pessoas que criticam gratuitamente outros indivíduos por acreditarem que são melhores em tudo, não se intimidam em desmerecer os outros sendo conhecidos por terem uma personalidade controladora caracterizada por insegurança, altos níveis de ansiedade, teimosia e domínio. Os indivíduos controladores são pessoas narcisistas, egoístas, imaturas, resistentes, manipuladoras, calculistas e com tendência a psicopatia.

Com certeza, em algum momento alguém já se deparou com um ser humano com estas características, difíceis de conviver no dia-a-dia, seja em uma empresa, na família, na escola ou em qualquer outro lugar de convivência. O controlador é aquele ser que tenta a qualquer custo manipular aqueles indivíduos nos quais acredita que não sabem fazer nada da maneira que lhe agrada.

As dez principais características deste tipo de personalidade controladora são as seguintes:

Críticas constantes: os controladores são ávidos críticos, não poupam ninguém. Não aceitam ideias e opinião dos outros;

Argumentadores: tendem sempre argumentar que sua atitude é de proteção, quando na verdade tem medo de perder o controle sobre quem está monitorando;

Temperamentais: tendem a ter explosões de raiva quando as pessoas discordam deles ou não fazem exatamente o que eles querem. Esses acessos de raiva habitualmente são acompanhados por bullying, porém de maneira sútil;

Manipulação emocional: não conseguem lidar com o poder fazendo de tudo para diminuir a outra pessoa na tentativa de se sobressair. Frases do tipo: “não aguento mais”, “vou me matar”, “vou ter um ataque cardíaco” são algumas das táticas usadas pelos controladores que não se reconhecem como portadores desta personalidade, e passam a vida toda remoendo a culpa por tentar harmonizar o ambiente em que vivem, no entanto se tornam prisioneiras das suas próprias armadilhas na tentativa de fugir dessa situação;

Sarcasmo: são péssimos em elogios, não são carinhosos e não tem empatia com as pessoas. Portanto, quando receber algum carinho vindo de um controlador fique alerta, pois são falsos, sarcásticos e adoram expor os defeitos dos outros em público, principalmente daqueles indivíduos que não fazem o que eles querem;

Não aceitam não como resposta: os controladores são pessoas que não aceitam a rejeição e muito menos a frustração. Tendem a fazer com que as pessoas que não concordam com seus métodos autoritários, se sintam culpadas e envergonhadas por suas negativas;

Não respeitam a individualidade alheia: por quererem exercer o controle, não confiam nas pessoas e consequentemente não respeitam a privacidade e individualidade das pessoas. O controlador não admite que as pessoas ao seu redor se sintam bem com a própria companhia por medo de perderem o controle e a atenção devida;

Sem limites: o controlador não respeita o livre arbítrio das pessoas, impondo decisões que não lhe compete e extrapolando todos os limites. Segundo eles próprios, sempre estão certos, e sabem o que é melhor para os outros, justificando o controle como zelo e sufocando as pessoas com suas imposições agressivas;

Resistentes: não aceitam novidades ou inovação por medo, pois controlar exige dedicação, rotina e constância das atitudes;

Acumulo de responsabilidades: são acumuladores de responsabilidade e tarefas, pois assim conseguem se manter no controle de tudo.

O gestor que sempre fica na empresa sozinho após o fim do expediente com a desculpa que precisa arrumar a mesa bagunçada ou confeccionar um relatório, quase sempre irá vistoriar as gavetas das mesas dos seus subordinados para conferir se não estão roubando objetos e dinheiro da empresa, sim, o controlador morre de medo de perder o controle, porque não confia em ninguém. O gerente que ridiculariza a secretária na frente de funcionários, clientes, fornecedores dizendo que ela é incompetente por não fazer o trabalho do jeito que ele quer, nada mais é do que uma pessoa frustrada, crítica, autoritária e controladora.

Aquela pessoa maravilhosa que compartilha os dias com você, que decide tudo o que fazer, extremamente ciumenta, e sempre argumenta que as atitudes são de amor, cuidado porque na verdade ela pode estar apenas te manipulando por ser uma pessoa controladora emocional. Com o tempo o controlador vai te afastando dos amigos, colegas e familiares te sufocando de tal maneira que não conseguirá se soltar desta prisão emocional, pois o controlador não admite repartir nada com ninguém, a fim de não perder o poder de controlar.

O seu familiar que sempre achou que você nunca fez as coisas direito por não saber absolutamente nada, que te deu carro, casa e trabalho com a desculpa que tudo isso é para você ter uma vida digna, mas que no fundo impõe as decisões dele goela abaixo, que quer saber tudo que você faz, que te critica, fala mal de você para os outros e não te respeita, saiba que na verdade é uma pessoa imatura e controladora. Jamais admitirá que você ande sozinho, tenha vontade própria e tome as suas próprias decisões, pois o controlador sempre dará a desculpa de que suas atitudes são de zelo, quando na verdade ele está apenas te boicotando e controlando.

O colega que sempre diz que sabe tudo sobre todos os assuntos e que é o melhor profissional do mundo, mas que nunca se interessou em inovar na carreira e desmerece os diplomas e cursos alheios na certeza de ter os holofotes virados exclusivamente para ele, com certeza está tentando manter o poder de que todos precisam dele.

Quem nunca foi vítima daquele cidadão que interrompe as conversas alheias para dizer que sua viagem é a melhor, que seu carro é o mais possante, que sua casa é maravilhosa e sua família é a melhor que qualquer pessoa poderia ter, saiba que esta pessoa na verdade é controladora e faz de tudo para desmerecer os acontecimentos alheios, pois o poder é tudo para ela.


Não é fácil conviver com pessoas de personalidade difícil, seja no trabalho, socialmente, num relacionamento, na família ou em qualquer outra situação. As pessoas com personalidade controladora dificilmente irão se enxergar como tal, pois elas têm o costume de transferir suas frustrações, medos, instabilidade emocional e ansiedade para os outros que não concordam com elas, o que dificulta o tratamento psicológico.

A ação de controlar na verdade para os portadores desta personalidade funciona como uma proteção à fraqueza sentida tendo como obrigatoriedade a vigilância constante, a fim de que os outros não percebam suas deficiências emocionais, no entanto as pessoas que convivem diretamente com este tipo de pessoa sofrem também diversos danos emocionais.

Relacionamentos amorosos são sempre muito conflitantes repletos de altos e baixos devido à instabilidade de humor e há críticas nada construtivas por parte dos controladores, o que faz com que as pessoas ao redor se sintam desmerecidas e com baixa autoestima, o melhor a fazer é buscar ajuda profissional de um psicólogo para poder reagir de maneira positiva a este tipo de situação.

No caso de familiares controladores busque o diálogo, quando a comunicação não for mais possível mantenha-se afastado de quem te sufoca, não fale de seus projetos ou conquistas, mantenha a sua sanidade mental, não entre em atritos, tenha sua autoestima equilibrada, tome suas próprias decisões e saiba que nada e ninguém pode acabar com sua paz interior. Neste caso, o silêncio é a atitude mais inteligente a se ter.


Nestes últimos anos conseguir uma oportunidade de trabalho é quase impossível, manter-se no emprego tendo um chefe controlador é um teste diário de paciência, e neste caso o melhor a fazer é não permitir que este indivíduo tire a sua concentração, portanto defenda seus direitos como indivíduo mostrando sutilmente que você está lá para trabalhar de maneira sensata. Educadamente mantenha o diálogo, e não deixe suas emoções emergirem a ponto de que haja conflitos desgastantes no ambiente de trabalho. O controlador gosta de se sentir no centro do universo, pois dessa maneira ele acredita que mantêm o controle sobre tudo e todos, mesmo não tendo.

O colega que critica tudo e todos com certeza precisa de muita ajuda psicológica, o melhor conselho é deixá-lo falando sozinho, pois com o passar do tempo, as pessoas ao seu redor irão se afastar de sua presença, e ficar sozinho o resto da vida o fará refletir se a melhor coisa não seria buscar a ajuda de um  profissional ou mudar sua maneira de ver os outros.

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Na corda bamba...


Marisa Fonseca Diniz



Se não fosse por alguns seres humanos preocupados com a preservação do meio ambiente, hoje não seriamos nada mais do que pó, sim, pois o inimigo do próprio homem é ele mesmo. Lemos e ouvimos diariamente sobre as atrocidades que o ser humano tem feito em prol ao desenvolvimento industrial e tecnológico das nações, porém muitos de nós esquecemos a importância em preservar o meio em que vivemos. É necessário ter consciência ecológica e sustentável na preservação do meio ambiente, caso contrário no futuro próximo não teremos fauna e flora, e sem isso não seremos nada mais do que parasitas ambulantes.

Cientistas do mundo todo alertam que a sociedade humana está para desaparecer caso nada seja feito, pois o declínio acelerado dos sistemas naturais pode deixar os seres humanos sem nenhum tipo de suporte à vida, sim, o aumento progressivo das doenças ao redor do planeta, muitas antes erradicadas, tem aumentado e consequentemente ceifado vidas precocemente.

O assunto é sério, porém governantes preocupados no aumento de suas atividades econômicas não tem dado a devida atenção ao tema, o relatório de avaliação global da Organização das Nações Unidas, ONU, revela que a biomassa de animais silvestres teve uma queda de 82%, além de um milhão de espécies estarem em risco de sumirem da face da Terra decorrente da diminuição acelerada dos ecossistemas naturais (Fonte: IPBES Global Assessment).


Pesquisadores da Northern Illinois University descobriram que habitats de florestas tropicais degradadas estão tendo um impacto prejudicial à diversas espécies animais, em especial aos sifakas diademadas selvagens, uma espécie de lêmures que vive em Madagascar, e que é o grupo de mamíferos estudados nesta pesquisa.


O estudo apresenta dados detalhados sobre as proporções corporais e as dimensões destes animais que ultrapassam os 20 anos de vida com dietas alimentares ricas em frutas e sementes.  Os lêmures estudados vivem na floresta Tsinjoarivo de Madagascar, localizada a 80 quilômetros ao sul e sudeste da capital Antananarivo. Esta floresta tropical é o lar de vários tipos de lêmures, grupo de primatas encontrados apenas no país insular.

Nos últimos 35 anos, grande parte das florestas Tsinjoarivo foram transformadas em terrenos agrícolas, além de árvores cortadas para servir de matéria-prima às habitações de madeira.  Os pesquisadores concluíram que, a mudança nos habitats causada pelos seres humanos pode afetar as populações de animais selvagens, principalmente os primatas que mudam sua dieta e os padrões de movimento em decorrência às mudanças climáticas (Fonte: Science Daily).

Na semana do dia 20 de agosto deste ano foi publicado um estudo  na revista Current Biology sobre a extinção de 79 espécies de plantas de três dos principais centros de biodiversidade do mundo,  Região Florística do Cabo, o Suculento Karoo e o corredor Maputuland-Pondoland-Albany localizados na África do Sul.


A equipe internacional de pesquisadores do Centro de Invasão de Biologia da Universidade de Stellenbosch liderada pelos professores Jaco Le Roux e Heidi Hirsch analisaram um conjunto de mais de 291 extinções de plantas desde 1700 em dez hotspots de biodiversidade de seis pontos frios que cobrem cerca dos 15% da superfície terrestre da terra.

De acordo com este estudo, 45,4% de todas as plantas conhecidas de 10 dos 36 hotspots de biodiversidade do mundo já estão extintas, e as regiões que abrigam espécies únicas vem sofrendo há tempos ameaça humana, o que pode proporcionar a extinção das mesmas em curto espaço de tempo.

A agricultura é apontada como responsável da extinção das plantas em 49,4%, a urbanização em 38% e espécies invasoras em 22%. O mais agravante neste estudo é que o resultado das análises mostra que desde a década de 1990, as taxas de extinção das plantas nos últimos 300 anos parecem ter sido fixadas em 1,26 extinções por ano.

A preocupação maior é que dentro destas áreas estudadas há uma previsão chocante que pelo menos 21 espécies serão completamente extintas até 2030, 47 espécies até 2050 e 110 espécies até 2100 se nada for feito para parar a extinção completa das espécies que se encontram em perigo de sumirem da face da Terra.

Outro estudo publicado na Nature Climate Change e liderado pelas  universidades de Stanford e a Autônoma de Barcelona incluindo pesquisadores do Imperial College London constataram que árvores e plantas poderiam remover até seis anos de emissões de dióxido de carbono até 2100, porém isso só seria possível se não houvessem mais desmatamentos, algo praticamente impossível nos dias atuais.


O estudo analisou 138 experimentos, onde os pesquisadores mapearam o potencial de plantas e árvores atuais que podem armazenar carbono extra até o final do século. O interessante é que à medida que as plantas se desenvolvem, absorvem cada vez mais dióxido de carbono do ar. O que melhoraria muito o meio ambiente, uma vez que, o homem tem aumentado às emissões de gases tóxicos na atmosfera.

No entanto, o crescimento das plantas não acontece apenas por causa das concentrações de CO2, também porque há disponibilidade de nutrientes no solo, particularmente o nitrogênio e o fósforo. Se não houver nutrientes suficientes, elas não crescerão mais, apesar das altas taxas de concentrações de CO2.

Uma pesquisa publicada na Nature Ecology and Evolution reuniu mais de 80 pesquisadores marinhos da Escola de Ciências Bológicas de Irvine, Universidade da Califórnia, e constataram o alto número de branqueamento de corais decorrente do aumento da temperatura dos mares. A pesquisa abrangeu mais de 2.500 recifes em 44 países.



Os pesquisadores marítimos liderados por Joleah Lamb, professora assistente de ecologia e biologia evolutiva reuniram diversas informações através de inspeção visual mergulhando até seis horas por dia, analisando o tamanho dos corais e a saúde de mais de 300 espécies. Constataram que, quando a temperatura do mar aumenta, os corais expulsam as algas das quais normalmente dependem para obter energia. O excesso de energia tira a cor dos corais fazendo com que fiquem brancos e morram.

Segundo os cientistas envolvidos na pesquisa, há tempo ainda para salvar os recifes se algumas estratégias forem colocadas em prática na região oceânica Indo-Pacífico. Uma dessas estratégias é proteger a região do impacto humano o que corresponde 17% do total dos corais, a outra é ajudar a recuperar 54% de todos os corais danificados e por último é tentar fazer com que as comunidades costeiras se adaptem de acordo com os corais, o que corresponde 28% do total.

Enquanto líderes de diversos países acreditarem que a destruição do meio ambiente é apenas algo imaginativo alardeado pelos ambientalistas, todos nós continuaremos assistindo de camarote a destruição de diversos habitats espalhados ao redor do mundo, entre os quais a Floresta Amazônica, que apesar da maior parte dela estar em território brasileiro é patrimônio natural da humanidade, ou seja, pertence a todos os povos.



Ignorar o problema das queimadas dizendo que é um problema ocasional causado pelo tempo seco que acomete a região neste período, é o mesmo que tentar encobrir os problemas reais que vem acontecendo há tempos na região amazônica. Os interesses políticos dos governantes, que acreditam no agronegócio como o setor mais rentável do Brasil, têm feito com que latifundiários e madeireiros explorem a região extensivamente.

As queimadas acabam sendo o recurso mais fácil para a derrubada de árvores centenárias da região, consequentemente destroem o habitat de diversas espécies animais e vegetais, a fim de possibilitarem a reutilização das áreas devastadas em pastos e o cultivo de grãos, como a soja, milho, feijão e arroz. O agronegócio é um dos setores mais lucrativos do país, sendo inteiramente apoiado pelo governo federal atual, que possui políticas de incentivo a expansão do setor sem se importar com o meio ambiente, ou seja, enquanto o país estiver lucrando, a natureza estará definhando e junto com ela toda a população global que direta e indiretamente depende da Floresta Amazônica.



Interesses políticos e econômicos jamais podem estar acima dos interesses da preservação ambiental, indiferente que no passado países desenvolvidos destruíram suas florestas, e que atualmente gastam grandes quantias de dinheiro para recuperá-las. O péssimo exemplo do passado, não de ser seguido nem pelo Brasil e muito menos pelos demais países da região Amazônica.

A política do retrocesso demonstra um governo enfraquecido, sem parâmetros, e desacreditado por não ter políticas econômicas adequadas ao desenvolvimento do país. Acreditar que um país não precisa de políticas de preservação ambiental demonstra o quanto o governo atual caminha para um abismo sem precedentes.

Enquanto a autoridade máxima de um país não se comportar como um verdadeiro chefe de Estado e continuar ofendendo ou discutindo com outros líderes através das redes sociais, o país continuará patinando no lamaçal em que se encontra atualmente, sem políticas públicas adequadas à realidade nacional, ou seja, continuaremos na corda bamba correndo o risco de sermos banidos por outros países, o que pode impedir novos acordos internacionais e até mesmo sofrer diversas sanções.

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