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Impacto voraz das oscilações marítimas


Marisa Fonseca Diniz

Quando falamos em algo voraz sempre temos em mente situações perigosas ou ferozes, no entanto, o propósito deste artigo é na verdade abrir uma página para o conhecimento ambiental, que muitas pessoas desconhecem como é o caso das ondas marítimas.
Não ondas comuns e sim aquelas, que quando encontramos pela frente podem nos colocar em situações de perigo extremo. No entanto, não podemos deixar de falar sobre o que são e como elas se formam, necessitando um pouco de conhecimento em física para um bom entendimento sobre o assunto.
Aprendemos desde pequenos que as ondas se formam a partir do sopro dos ventos na superfície do mar, ou seja, o vento quando bate na água causa uma ondulação de 1 a 2 cm que são as ondas conhecidas como capilares.


Quanto mais forte e duradouro for o vento, maior será a altura da onda. As ondas são compostas basicamente por crista, cavado (ou cava) e a rebentação. A crista como se pode imaginar é a parte mais alta da onda, o cavado é a base da estrutura que sustenta a onda e a área de rebentação é onde a onda se quebra.



É interessante observar que à medida que a onda vai percorrendo a superfície do mar em direção à costa, a crista vai ficando cada vez mais alta e o cavado cada vez mais perto da areia. Em um determinado momento, a onda perde o equilíbrio e quebra por cima do cavado, podendo quebrar na área de rebentação de diversas maneiras.

China Beach – San Francisco, CA

Há duas formas de rebentação, a mergulhante e a deslizante. A mergulhante se quebra e forma os famosos tubos d’água e as deslizantes acontecem em locais rasos. Para um melhor entendimento as ondas deslizantes são aquelas que quebram gradativamente e suavemente antes de chegar mais perto da costa.


Algumas das ondas mais perigosas no mundo são as seguintes:

Cyclops


Este tipo de onda acontece em águas abertas na parte oeste da Austrália Ocidental. Consideradas as ondas mais violentas do planeta, possui um formato diferente das demais, sendo consideradas muito perigosas para os surfistas que se aventuram a pegá-las. Estas ondas são imensas e tendem a empurrar os surfistas para os corais no fundo do mar.

Teahupoo


Este tipo de onda ocorre no Taiti, apesar de ser adorada pelos surfistas é também uma das mais temidas no mundo. A localização geográfica privilegiada do Taiti proporciona que ondas gigantes sejam formadas entre o Circulo Polar Antártico, o sul da Austrália e a Nova Zelândia. A ilha de origem vulcânica é sedimentada em todo o seu entorno por corais, que deixam a água cristalina e com uma cor azul turquesa maravilhosa.

No entanto, a beleza dessa água pode ocultar certos perigos para os surfistas, uma vez que este tipo de onda é formada através da rápida transição das águas profundas com as rasas, não permitindo que a onda perca energia antes de encontrar a plataforma de coral na qual ela se quebra.


Essa variação abrupta e a profundidade tende a transformar toda a energia gerada pelos ventos extremos a milhares de quilômetros de distância em tubos perfeitos, ou seja, por trás de toda há uma voracidade que pode ser fatal para quem se habilita enfrentá-la sem ter preparo algum.



Shipsterns Bluff



Este tipo de onda acontece na Tasmânia, próximo à Austrália, mais conhecida como Devil's Point, o mais interessante neste tipo de onda é que ela acontece em uma região infestada por tubarões. Cair de uma onda dessas é correr o risco de ser mordido por um dos maiores predador dos mares.

Dungeons


Este tipo de onda acontece no Oceano Atlântico na ponta da África do Sul podendo ter até 15 metros de altura, o bom é que elas não se quebram em cima dos bancos de corais, mas a água congelante do oceano é infestada de tubarões.

Banzai Pipeline


Banzai Pipeline ou simplesmente Pipe, ocorre em Oahu no Havaí,  uma zona de surf internacionalmente conhecida por suas ondas tubulares e perfeitas, que podem ultrapassar os 3 metros de altura.

Este tipo de onda é considerada muito perigosa para os surfistas, simplesmente porque ela quebra no fundo raso onde há pedras, o que pode causar diversas lesões e até mortes para quem se aventura por lá.

Nazaré


As temidas ondas gigantes de Nazaré em Portugal ficaram famosas no ano de 2011, quando o surfista Garrett Mcnamara surfou uma onda de 23,8 metros de altura, entrando dessa maneira para o Guiness Book, mais tarde este recorde foi quebrado outras duas vezes.

A formação das ondas nesta região é bem interessante de se conhecer, pois o promontório de Nazaré é uma região dividida em praia do sul e do norte, que é uma enorme falha submersa que se aproxima 500 metros da costa, interessante saber que este local é muito visitado pelos turistas devido o famoso farol onde se encontra o Canhão de Nazaré.




A região entre a falha e o promontório desenha um fenômeno geomorfológico raro, em que a água é engolida pelo cânion subaquático no decorrer de seus 211 km de extensão encontrando a parte do oceano próximo à costa da praia do norte, onde os  ventos fortes formam as grande ondas de Nazaré.

A natureza é maravilhosa, no entanto, cabe a cada um de nós não enfureça-la, pois vimos neste artigo que ventos extremos podem formar ondas perigosíssimas para quem se aventura a enfrentá-las.

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A glamorização da loucura na Idade Contemporânea


Marisa Fonseca Diniz



Nunca se viu tanto glamour em torno de certas patologias psiquiátricas como nos tempos atuais, o que deveria ser tratado como doença, muitas vezes é visto como algo glorioso, o que não faz o menor sentido quando analisamos o conceito da loucura.

A loucura acompanha o ser humano ao longo da história, na Idade Média, por exemplo, a loucura era vista como uma experiência pessoal, apesar da igreja considerar uma espécie de possessão demoníaca, já no século XV, a loucura era vinculada à bruxaria e durante a Renascença foi associada à razão.

O filósofo francês Voltaire define a loucura como uma doença do cérebro que impede o homem de pensar e agir como os demais seres humanos. “Se ele não pode cuidar de sua propriedade, ele é posto sobtutela; se a sua conduta é inaceitável, ele é isolado; se for perigoso, ele é confinado; tornando-se furioso, ele é amarrado.” O filósofo alemão Hegel definia a loucura como “um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente.”

Nos séculos seguintes, a loucura ganhou uma nova conotação, passando a ser considerada como um desvio de norma, sendo os loucos encarcerados exclusivamente em asilos. Entre os séculos XIX e XX, considerando a teoria do inconsciente de Sigmund Freud, a loucura deixou de ser tratada como algo incompreensível  tornando-se uma expressão carregada de sentido.

Psiquiatricamente, a loucura é considerada uma doença que pode ter origem na genética, pode ser psicológica, social e física. Sendo assim, podemos dizer que a loucura reúne todas as doenças, que possuem manifestações psicóticas, como a esquizofrenia, as psicoses, as doenças mentais como as neuroses, psicopatias e as oligofrenias.

Segundo o sociólogo Lévy Bruhl, a loucura é um problema social do homem em relação ao seu convívio com a sociedade, já para Franco Basaglia pode ser considerada um problema político, uma vez que, o hospício é construído para controlar e reprimir trabalhadores que perderam a capacidade de responder pelos seus interesses capitalistas de produção. Neste caso, concluímos que louco não é aquele que tem definição clínica, e sim aquele que não é capaz de produzir algo, o que abala os interesses e as convicções da sociedade da qual pertence. Do mesmo modo não se considera louco, aquela pessoa que continua produzindo, mesmo quando é considerada doente segundo a definição clínica.

É interessante ressaltar que a partir do século XX, o número de manicômios mais que dobraram a sua capacidade, apesar destes locais serem considerados insalubres aos portadores de doenças psiquiátricas, devido aos maus tratos, uma vez que, os pacientes viviam isolados da sociedade, eram abandonados pelos familiares e pelos órgãos de saúde, além de não haver alimentação adequada e a hospedagem ser completamente precária, agravando o problema  de maneira progressiva  ao longo das décadas.

Durante o século XX, o médico e psiquiatra italiano Franco Basaglia acabou sendo o precursor do movimento da reforma psiquiátrica, que ficou conhecida como Psiquiatria Democrática, pois criticava a postura tradicional de como a loucura era tratada pelos médicos, onde a internação e o isolamento eram considerados como o melhor modelo existente até então.



No entanto, após a leitura do livro “História da Loucura na Idade Clássica” do filósofo francês Michael Foucault, o médico Basaglia fundamentou a negação da psiquiatria como sendo um discurso e uma prática hegemônica sobre o que era de fato a loucura, pois em seu entender, a psiquiatria sozinha não era capaz de entender a complexidade da loucura.

Em 1961 ao assumir a direção do Hospital Psiquiátrico Gorizia, Basaglia iniciou mudanças com o objetivo de transformar o local em uma comunidade terapêutica, a fim de haver um tratamento mais humanizado aos internos. No entanto, com o tempo foi percebido que apenas o tratamento humanizado não era suficiente, uma vez que as condições de miserabilidade do hospital necessitavam de transformações profundas tanto no nível da assistência psiquiátrica  como nas relações entre a sociedade e a loucura.

No ano de 1970, Basaglia assumiu a diretoria do Hospital Provincial da cidade de Trieste iniciando dessa maneira o processo de fechamento do hospital psiquiátrico, substituindo-o por uma rede de atendimento mais humanizado com serviços comunitários, emergências psiquiátricas, um hospital geral, cooperativas de trabalho protegido, centros de convivência e moradias assistidas para os loucos.

A organização Mundial de Saúde, OMS, credenciou o Serviço Psiquiátrico de Trieste no ano de 1973 como sendo referência mundial para a reformulação da assistência em saúde mental. No ano de 1978 foi aprovado na Itália a Lei da Reforma Psiquiátrica Italiana conhecida pela Lei 180 ou Lei de Basaglia reconhecendo o tratamento humanizado de grupos-apartamento para os loucos. (Referência: AMARANTE, Paulo. O Homem e a Serpente: outras histórias para a loucura e a psiquiatria)

Em alguns países, como o Brasil, por exemplo, a loucura era vista como um mau que deveria ser combatido de qualquer maneira, mesmo que perversamente. Nem sempre as pessoas, que eram internadas nos manicômios por seus familiares ou pelas autoridades de segurança pública eram de fato portadoras de alguma doença mental ou possuem algum transtorno psiquiátrico.

Essa afirmação é confirmada pelos registros nos hospitais psiquiátricos do século XX, onde a maioria dos pacientes não tinha qualquer histórico de demência, sendo internadas apenas por serem “pessoas não agradáveis e incômodas”, ou seja, bastavam ter opiniões políticas e sociais diferentes dos demais para serem enviadas ao manicômio. A família que deveria proteger seus filhos e agregados era a mesma que no auge da sua ignorância e do puro narcisismo condenava os indesejados a terem uma vida deprimente de total falta de dignidade e liberdade nestes complexos hospitalares do terror.

A sociedade em si pouco se importava com as atrocidades que eram cometidas por detrás dos muros dos manicômios, mesmo tendo ciência de que a maldade não curava ninguém. Não é a toa que vários hospitais psiquiátricos no Brasil eram considerados mais campos de concentração do que um hospital de reabilitação, como é ocaso do Hospital Colônia de Barbacena, onde aqui faço um breve relato do que acontecia no local.

“Fundado em 12 de outubro de 1903 na cidade de Barbacena, Minas Gerais, o Hospital Colônia foi referência no tratamento psiquiátrico da época, onde diversas famílias encaminhavam seus indesejados e desajustados para que pudessem ser tratados no manicômio. No entanto, com o tempo a cidade de Barbacena ficou conhecida como a Cidade dos Loucos.


Documentos da época relatam que mais de 70% das pessoas que foram internadas no local, sequer tinham qualquer doença mental, sendo considerado o local ideal para o envio de gays, alcoólatras, pobres, negros, silvícolas, militantes políticos, mães solteiras, mulheres estupradas, prostitutas, amantes de políticos, crianças indesejadas, mendigos, andarilhos, pessoas sem documento e até mesmo pessoas que em algum momento tiveram alguma crise nervosa ou tristeza contínua, conhecido hoje como depressão.


O terror dos inocentes já começava antes mesmo de entrar no hospital, os pacientes que vinham de outras localidades eram obrigadas a pegar o trem mais conhecido como “trem de doido a caminho do inferno”, uma viagem sem volta segundo relatos de moradores antigos da cidade, o que lembrava muito os campos de concentração nazistas. Na entrada, os pacientes eram separados por sexo, idade e características físicas, mas não pense que cada um deles recebia um tratamento humanizado com camas limpas ou banheiros higienizados, não eles dormiam sobre camas de ferro enferrujadas revestidas de capim, comiam lavagem e tomavam água de esgoto.

O hospital que tinha capacidade para 200 pacientes chegou a ter 5 mil internos no local vivendo em condições subumanas, onde ficavam por dias e noites trancafiados em celas, principalmente aqueles que eram considerados desobedientes. Não havia corpo clínico habilitado, poucos psiquiatras para atender uma legião de pessoas que lá viviam em condições inóspitas. Além do que, os responsáveis pelo tratamento dos pacientes eram treinados por agentes de segurança para evitar fugas e brigas.

O tratamento dos internos era feito por meio de terapia de choque, ducha escocesa de alta pressão, altas doses de medicação, camisa de força, tortura psicológica, abandono, além de estupros e maus-tratos. Estima-se que até o final da década de 1980, 60 mil pessoas morreram no local em decorrência não apenas dos maus-tratos recebidos como também de fome, frio e outras doenças.

O terror do Hospital Colônia não ficava restrito apenas aos vivos, nos períodos de maior lotação, em média 16 pessoas morriam por dia e por incrível que pareça o hospital lucrava com isso. Entre os anos de 1969 a 1980, mais 1.800 corpos foram vendidos para 17 faculdades de medicina do Brasil, sem que ninguém questionasse absolutamente nada, como se fosse algo normal. O mais absurdo é que quando houve um excesso de cadáveres disponíveis, os corpos acabaram sendo decompostos em ácido no pátio do próprio hospital, na frente de todos os internos, apenas com o intuito de comercializarem as ossadas. (Referência: ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro - Vida, genocídio e 60 mil mortes no maior hospício do Brasil).

Em 2001, quando foi aprovada a Lei Paulo Delgado (Lei Nº 10.216), que extinguia a internação de longo prazo, o hospital deu 154 altas e 185 dos internos remanescentes acabaram morrendo. Atualmente, há menos de 150 sobreviventes do holocausto brasileiro, sendo que todos recebem tratamento humanizado e adequado no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais – Fhemig. Estes pacientes vivem hoje no projeto Casa Lar criado para inseri-los na comunidade, que são áreas dentro do hospital que contam com cozinha, sala de TV e estrutura independente que abriga no máximo 8 pessoas, além de receberem indenização do Estado pelas atrocidades cometidas por todos os envolvidos nesta barbárie. 


Em 1996, o torreão do antigo hospital foi transformado no Museu da Loucura, em memória aos antigos pacientes que foram torturados até a morte. E para que toda a sociedade se lembrasse do episódio negro da psiquiatria no Brasil.”

Ao longo dos anos, muitas pessoas tem acreditado em teorias e na necessidade de se fazer uma higienização na sociedade, por assim dizer, uma eugenia para que somente os fortes, capacitados,  brancos e ricos, sejam valorizados.

Dentro desta proposta verificamos que com o advento da internet em 1969, no auge da guerra fria, a loucura foi sendo deixada de lado dando voz ativa a indivíduos poderosos que não mediam esforços para destruir quem não acatasse seus desmandos políticos ou sociais numa tentativa de impor a qualquer custo suas atrocidades em relação àqueles que iam contra suas demagogias.

Com a abertura comercial da internet em 1987 nos Estados Unidos e no ano seguinte no Brasil, a rede criou um novo universo, porém só se popularizou mesmo a partir da década de 1990. O mais impressionante é que até 2003 mais de 600 milhões de pessoas tinham acesso à internet, e em 2007 já eram mais de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas conectadas, ou seja, a internet passou a ser um meio lucrativo.

O mais incrível é que além de ser lucrativa, a internet passou a ser o lugar preferido das pessoas que possuem algum tipo de distúrbio psicológico, simplesmente por acreditarem que atrás de uma tela de computador ou celular, qualquer atitude por mais insana que pareça ser jamais será descoberta, uma vez que, a rede de internet para estas pessoas é terra de ninguém.

A quantidade de pessoas que se expõe na rede apenas com a intenção de serem populares ou influenciadoras digitais é enorme. Não raramente vemos notícias de que um ou outro influenciador tirou a própria vida por não se sentir tão querido na vida real como na virtual, o que denota a falta de equilíbrio emocional de muitos indivíduos que fazem da internet seu porto seguro.

Um fato preocupante que tem surgido nos últimos anos é a rede estar sendo usada para disseminar ódio, não apenas entre pessoas comuns como também no meio político, o que nos remete ao passado, quando a sociedade em si condenava os “diferentes” como sendo pessoas indesejadas. Nem mesmo o tempo tem conseguido abrir os olhos daqueles indivíduos que insistem em negar a própria história.

Psiquiatras dizem que o negacionismo é uma defesa nos quais as pessoas tendem a usar quando se sentem ameaçadas por algo, no entanto, essa negação proporciona uma abertura maior para teorias de conspiração, que não provam absolutamente nada, apenas proporcionam mais terror e pânico.

A cobrança constante da sociedade em tentar impor certos padrões, tem feito com que pessoas ingênuas, por assim dizer, sejam usadas para promover fórmulas prontas de sucesso por indivíduos sem escrúpulos, que visualizam apenas dinheiro fácil. O que podemos constatar que há dois lados distintos, o dos carentes emocionais que acreditam em qualquer conselho de como se tornar um notável financeiramente e o outro do charlatanismo, que se aproveita da fraqueza alheia para aplicar golpes de maneira sutil, quase imperceptível.

Todavia, não há nada pior nos tempos atuais do que a glamorização da loucura como sendo algo benéfico, o que pode acontecer em qualquer lugar, tanto em uma organização como no meio político ou na internet. Indivíduos com egos inflados manipulam milhares de pessoas, apenas com o intuito de ter o poder nas mãos. Alguns indivíduos fazem o uso de promessas infundáveis, na falsa intenção de alavancar a economia de um país ou os negócios de uma empresa, pois sabem exatamente o que as pessoas desejam escutar, como é o caso de diversos estadistas cruéis que ao longo dos anos se utilizaram da mídia escrita, televisiva e da própria internet para manipular milhões de cidadãos que buscavam uma solução imediata.


A exaltação desse tipo de comportamento tem feito com que muitas  pessoas acabem sendo vítimas de suas próprias escolhas por não conseguirem enxergar o que pode estar por trás desse fato. O narcisismo de querer estar sempre em evidência mostrando aquilo que irá agradar uma parte da população pode por em risco uma comunidade toda, principalmente se o foco principal for o democídio com a intenção de eliminar da sociedade os indesejados.

Muito comum em governos extremistas que veem seus opositores como uma ameaça constante, não por assim serem de fato, mas porque na cabeça desses lunáticos sempre terá alguém conspirando contra sua vida. O perigo se agrava, quando este mesmo indivíduo se vê como um salvador da pátria e de todas as maneiras tenta se proteger dos supostos fantasmas que o atormenta, aplicando a canetada com o intuito de prejudicar aqueles que conspiram contra a sua administração ou família.

Nos casos mais extremos, a loucura pode vir acompanhada de sadismo e vingança como aconteceu no maior holocausto de todos os tempos, onde os fantasmas que atormentavam a mente do líder nazista fizeram com que ele colocasse em prática um plano mirabolante e cruel matando milhões de judeus e indesejados para supostamente criar uma raça pura.

A loucura também vem acompanhada de informações falsas, de conselhos estaparfúdios e insinuações ameaçadoras disfarçadas de moralidade e patriotismo. Não importando o contexto, desde que seja exaltado por uma minoria de seguidores e apoiadores raivosos, e caso algo saia errado basta matar os opositores, que tudo estará resolvido.

Doce ilusão de quem acredita em soluções mágicas ou imediatistas e se coloca acima de tudo e todos, pois com o tempo a vida poderá cobrar todas as atrocidades cometidas a um grupo pequeno de pessoas ou a uma grande multidão.  Quem sabe assim, a loucura poderá receber tratamento adequado e deixará de ser mais importante do que a sanidade e a empatia.

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.



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O lado podre da mendigagem


Marisa Fonseca Diniz

Há mais de 20 anos estudando o comportamento humano nas organizações empresariais e na sociedade de modo geral, ainda tem feito com que fique pasma diante do comportamento humano. A cada dia que passa é perceptível que uma boa parte das pessoas ainda acredita que a melhor forma de obter sucesso é explorando a bondade alheia.

Há diversas plataformas na internet de crowdfunding, financiamento coletivo, que tem como objetivo principal levantar recursos financeiros para a realização de projetos sociais, tecnológicos e culturais, sendo este recurso muito utilizado para alavancar investimentos às startups, que se encontram em processo inicial de funcionamento. 


As plataformas colaborativas funcionam da seguinte maneira: empreendedores/pessoas cadastram seus projetos e apresentam por meio de um texto ou vídeo os objetivos e a finalidade dos recursos financeiros a serem arrecadados, tais como o valor pretendido a ser alcançado e a data limite para a arrecadação. Compartilham a ideia nas redes sociais e profissionais, que acabam atraindo investidores e pessoas interessadas em contribuir financeiramente para que o projeto cadastrado consiga almejar a meta desejada.

A ideia é excelente para quem precisa de dinheiro rápido e sem burocracia para investir em um projeto, no entanto, há algumas pessoas que tem usado estas plataformas com outros objetivos, o que tem prejudicado os indivíduos bem intencionados. O modismo de viajar sem dinheiro tem ganhado às redes sociais, principalmente às vinculadas a uma das  maiores plataformas de vídeos, com a desculpa de ganhar curtidas e inscrições, fazendo com que o público acredite que estes indivíduos mal intencionados realmente ganham dinheiro com isso, ledo engano.

Não é raro encontrar pelas estradas do país afora aventureiros das classes sociais A e B, que se consideram aventureiros do mundo moderno dirigindo motorhomes ultramodernos viajando com o dinheiro obtido nas plataformas de crowdfunding, apenas com a desculpa de que trabalham com marketing digital, no entanto, poucos indivíduos de fato viajam como nômades digitais ou trabalham para plataformas internacionais ou ganham recursos financeiros para viajar em troca de conteúdo. 


O que muitas pessoas não sabem é que, a montagem de um motorhome sobre o chassi de uma Kombi, pick-up ou van custa em média R$ 150 mil reais, sem contar o valor do carro, montagens caseiras podem ficar em torno de R$ 20 mil reais, mas há motorhomes que chegam a custar só à montagem mais de R$ 500 mil reais, ou seja, é um lazer um tanto caro para pessoas que não estão nas classes sociais mais abastadas.

Analisando detalhadamente muitas das plataformas de financiamento colaborativo, podemos encontrar milhares de projetos com um único objetivo: turismo cultural sustentável vinculado a nada, ou seja, é apenas uma máscara para dizer que precisam curtir a vida viajando com o dinheiro alheio. É um jogo bem interessante, onde se percebe que a mendigagem virou um negócio rentável para aqueles que almejam viajar com dinheiro alheio sem se incomodar com o fato de estarem prometendo algo inexistente, na certeza de que desfrutarão o melhor sem se preocupar com nada.

No entanto, observamos que os mesmos indivíduos que criticam a mendigagem nas ruas, por acreditarem que esmolas incentivam a vagabundagem são os mesmos que largam tudo, emprego, família com um único propósito: viajar, curtir a vida adoidada dizendo aos seus seguidores que são empreendedores digitais de sucesso, porém com dinheiro alheio, apenas como o objetivo de enganar pessoas ingênuas, que acreditam em facilidades, e que consequentemente colaboram e compram produtos digitais a preço de ouro.

Diferentemente dos nômades digitais, que em geral não tem casa própria, endereço fixo e muito menos salário, os novos aventureiros são cheios de si. O roteiro de viagem não é nada minguado e muito menos possuem intenção de angariar fundos financeiros para projetos sociais ou culturais, que possa realmente favorecer terceiros, o objetivo principal na verdade é apenas desfrutar o melhor que a vida possa lhes oferecer tais como, restaurantes caros, passeios mirabolantes, festas de arromba, reformas e compra de novos motorhomes, instalação e troca de placas solares mais modernas, aluguel de airbnb, passeios de lanchas, passagens de avião, roupas caras e muita, mais muita “cara de pau” na hora de pedir dinheiro.

Tais comportamentos podem parecer irreais quando analisamos a quantidade de pessoas que moram na estrada por falta de opção de moradia, e que fazem das rodovias seu ganho pão, vendendo de tudo que se pode imaginar, artesanato, roupas usadas, comida, entre outros, além daqueles que prestam serviços por onde passam. Raros são aqueles indivíduos que aproveitam a aposentadoria ou seus ganhos financeiros mensais para passear nas férias ou nos finais de semana com a família, onde o motorhome é visto apenas como um passatempo divertido.



Os viajantes modernos das classes sociais mais altas jamais se rebaixam a fazer serviços para terceiros, isso é inadmissível, preferindo ter uma loja virtual compartilhada no perfil das mais variadas redes sociais, onde vendem roupas ou acessórios a preços exorbitantes, fora da realidade, uma maneira de angariar mais dinheiro e fazer com que os compradores façam propaganda gratuita de seus artigos pessoais com o logo de seu “vulgo projeto social”, alegando que estão trabalhando com marketing digital, quando na verdade estão apenas explorando a boa intenção alheia.  

Agora, não pensem que eles se incomodam com essa maneira fácil de ganhar dinheiro, jamais, pois não faz parte do roteiro de vida perder, apenas ganhar cada vez mais vendendo ilusões e ainda fazer o discurso de que é acessível para qualquer pessoa, que aplique o mesmo golpe, é claro.

Projetos sociais e culturais mínguam nas plataformas de financiamento coletivo por falta de colaboradores interessados em promover cultura aos mais necessitados. Excelentes projetos ficam a mercê de algum ganho financeiro, onde os idealizadores nem sempre conseguem tirar do papel o que realmente seria socialmente vantajoso para quem realmente necessita de amparo.

A mendigagem recriminada pela maioria das pessoas que condenam quem as pede, não é vista com maus olhos por aqueles que fazem dela um jogo de estratégia em benefício próprio, ora, não sejamos tão hipócritas a ponto de não perceber que este negócio só faz com que a desigualdade social cresça cada vez mais no mundo.

Enquanto tivermos pessoas mal intencionadas explorando a boa intenção alheia, continuaremos tendo pessoas bem intencionadas morrendo de fome. Não ajude um aventureiro burguês, colabore sim com quem tem projetos que realmente farão bom uso do dinheiro ajudando a diminuir a desigualdade social, cultural e tecnológica, que separa os cidadãos ao redor do mundo.

Saiba que o aventureiro moderno que pede dinheiro em plataformas de crowdfunding, não se intimida em pedir ajuda financeira de colaboradores nas redes sociais, nos chats virtuais, nas redes de bate papo, além de venderem produtos em suas lojas virtuais, porque eles sabem que o dinheiro vem fácil em troca de uma promessa que adoça a insensatez daqueles que não enxergam maldade neste tipo de atitude. 

No entanto, estes aventureiros são os mesmos que debocham da cara dos tolos que aplicam seu dinheiro em viagens que jamais realizarão na vida, recebendo em troca diversas desculpas, que vão desde a exaustiva rotina de preparar e editar vídeos de viagem até os altos custos com alimentação, combustível, pedágios e o pagamento de altas taxas nas fronteiras dos países em que passam.



Apesar de muitos destes indivíduos alegarem que estão proporcionando conteúdo de qualidade para quem não pode viajar, também são os mesmos que incentivam outras pessoas da mesma classe social a investirem seu tempo criando falsos projetos sociais e culturais no intuíto de angariar fundos financeiros e mendigando nas redes sociais, a fim de aproveitarem apenas o momento áureo a que passam.

Como dizem por aí, o mundo é dos espertos, dos trapaceiros, dos golpistas, dos mercenários e dos egoístas, pensem bem antes de investirem seu dinheiro suado em projetos de realização pessoal que não proporcionam nada de bom a ninguém, apenas inflam o ego daqueles que estão acostumados a enganar os outros usufruindo dos seus benefícios!


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Estrelismo em castelo de areia


Marisa Fonseca Diniz


Entra ano, sai ano, e a história é sempre a mesma, nunca se viu tanta receita pronta com fórmula mirabolante de como ganhar dinheiro, ficar rico da noite para o dia e ter muito sucesso na vida. Histórias que se aplicam apenas às classes sociais mais abastadas, e que encantam àqueles que procuram facilidades.

Antes do surgimento da internet era muito comum encontrar pelas ruas das grandes cidades, indivíduos que abordavam pessoas  prometendo facilidades, ganhos de dinheiro, receitas de como ficar rico apenas com o pensamento positivo, livros com fórmulas perfeitas de como ser bem sucedido. No entanto, com o surgimento da internet e das redes sociais praticamente nada mudou, apenas o que antes era considerado absurdo, atualmente é visto como algo surpreendente.

Crianças de 12 anos conquistando o seu primeiro milhão, jovens de 14, 16, 18, 20 anos tendo seu primeiro negócio rentável ou o indivíduo que conseguiu comprar seu primeiro Jaguar aos 30 anos. Impressionante, como as pessoas conseguem obter sucesso financeiro, ainda crianças, quando deveriam estar aproveitando a infância, invés de estarem trabalhando. Mas, nada disso é impossível dizem os entendidos no assunto, basta ter uma ideia lucrativa e pensamento positivo, que tudo se transforma em dinheiro. 


No entanto, o que muitas pessoas desconhecem é que, nem todas as pessoas ao redor do mundo poderão aplicar a fórmula da fortuna em sua vida, principalmente aquelas que estão nas classes sociais mais baixas, sim, porque esta receitinha básica só é possível para quem tem pais ou responsáveis para bancá-los em épocas de crise financeira, ou seja, eles têm que estar nas classes sociais, A ou B.

Pessoas inocentemente caem em conversa de charlatão sem medir as consequências, simplesmente por acreditarem que são fracassadas por não terem pensamentos positivos, quando na verdade são vítimas do capitalismo selvagem. Pagam cursos e consultoria de profissionais, que se dizem especialistas em comportamento (e não são), apenas por acreditarem que podem ter um futuro mais próspero.

A teoria da facilidade tem feito com que pessoas vendam tudo que tem para investir nas incertezas, apenas por acreditarem em receitas de pessoas ricas, que estão mais interessadas em vender seus livros e cursos. O que a maioria das pessoas desconhece é o fato de que não há receita pronta para o sucesso, o que há são pessoas ricas mal intencionadas propagando promessas inexistentes mundo afora.

Obter sucesso fácil com idades prematuras na certeza de que os pais têm condições de aportar capital de 100, 500 mil ou milhões não é para todos, e sim para uma pequena parcela da população. É muita ingenuidade e baixa autoestima achar que é possível uma pessoa que ganha um salário mínimo por mês, paga aluguel, água, luz, internet e alimentação é capaz de juntar dinheiro e ter um milhão na conta em 10 anos. Isso só é possível para quem ganha mesada e não tem despesas para pagar no final do mês.

A realidade pode ser difícil de ser aceita por muitas pessoas, mas é a pura realidade, não tem como fazer milagre de multiplicação, quando não se tem condições de guardar dinheiro no final do mês. O que a maioria das pessoas precisam entender é que, pensamento positivo nenhum as tirará da situação de penúria pela qual elas vivem há anos, isso não existe.

É importante, que a maioria das pessoas entenda que sucesso financeiro só existe em três situações:

ü Riqueza herdada;

ü Riqueza adquirida por meio do casamento;

ü Riqueza ganha em jogos de azar.

Se a pessoa não herdou, adquiriu ou ganhou dinheiro, esqueça as chances de ela se tornar milionária do dia para a noite seguindo o conselho dos gurus, coaches e charlatões da vida, pois isso é praticamente nulo. 


As pessoas que vendem receitas prontas sabem que é apenas uma utopia para vender livro ou palestras, pois se os ricos tivessem interesse em compartilhar sua receita de sucesso, com certeza não teríamos tanta desigualdade social no mundo. Saiba que as pessoas mais ricas correspondem a 5% do total da população mundial, muito pouco se comparada com os 95% da população considerada miserável e pobre. 

A ingenuidade muitas vezes alimenta a sagacidade daqueles que são estrelas em castelos de areia, porque sabem e têm consciência de que, se algo der errado, eles terão dinheiro suficiente para se erguerem novamente, diferentemente daqueles que acreditam em promessas vazias e facilidades financeiras. A única coisa que o rico pensa na hora de ganhar dinheiro é explorar a boa fé das pessoas, muitas vezes escravizando-as, pois sem elas a riqueza não prosperava tanto.

Em épocas de crise econômica global sempre se encontra pelas ruas e pelas redes sociais mercenários vendendo ideias de como ganhar dinheiro fácil, no entanto, todo cuidado é pouco nestas horas, pois milagre financeiro está difícil de acontecer, já que as grandes potências mundiais nos últimos tempos andam mais perdidas do que nunca. A sociedade precisa mudar o foco, valorizando mais as pessoas pelos que elas são, do que pelo que elas têm. Quem sabe dessa maneira os tais alquimistas do século XXI transformem a humanidade em pessoas sensatas, invés de transformar chumbo em ouro.

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.

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O trabalho Estrelismo em castelo de areia de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2020/04/estrelismo-em-castelo-de-areia.html.

Show de Horrores


Marisa Fonseca Diniz




Há pouco mais de um ano venho tentando me recolocar no mercado de trabalho brasileiro, no entanto, muitas vezes paro e penso, se o problema no país se restringe apenas a situação econômica e política, pois a cada busca me deparo com um show de horrores que acontece nas plataformas de emprego e nas redes profissionais, que põe em cheque a capacidade de quem publica as oportunidades de emprego.

Empresas e profissionais de recursos humanos publicam vagas de emprego sem saber ao certo o que procuram, outros usam as plataformas apenas para saber como está o currículo dos profissionais desempregados e há aqueles que vão mais longe, publicam vagas com nomes bonitos em português e inglês e com experiências que não condizem com a formação que solicitam.

O que me faz pensar o quanto o mercado de profissionais empregados está caótico em comparação as publicações, não apenas de vagas de emprego, como também dos assuntos que escrevem nestas mesmas plataformas. Tudo parece lindo e maravilhoso se compararmos com as histórias da carochinha contadas na fase infantil de cada um de nós, que busca uma nova recolocação.

Nas redes profissionais, por exemplo, os indivíduos desempregados precisam estar com a autoestima bem equilibrada para não caírem nas propostas indecorosas que empresários conhecidos como “influencers” dão em referência a falta de emprego. É uma receita melhor do que a outra, onde a vítima se torna ré em poucas palavras:

Ø Torne-se empresário e ganhe seu primeiro milhão nos 6 primeiros meses de trabalho;

Ø Você está fazendo errado, está desempregado porque não está se esforçando;

Ø Trabalhe de graça para que o empregador saiba que você é um profissional dedicado;

Ø Livre-se das amarras do seu chefe e venha trabalhar comigo, vai trabalhar como nunca pensou antes. Eu vou te passar um zap às duas horas da manhã, vamos fazer reunião às onze da noite e aos sábados e domingos você vai trabalhar como nunca sonhou antes;

Ø Sucesso só acontece para aqueles que estão disponíveis 24 horas por dia para trabalhar.

Entre outras barbaridades que encontramos por aí, e que pasme, é aplaudida por diversas pessoas, não sei se inocentes ou manipuladas.

É realmente preocupante, quando nos deparamos com sugestões camufladas de escravidão profissional por empreendedores que fazem disso um mercado rentável da enganação, em pleno século XXI, quando deveriam estar se adaptando as novas tecnologias e processos da Revolução Industrial 5.0. O que faz pensar que o desespero é tanto, que qualquer promessa vazia de conquistar novos seguidores e manipular o pensamento alheio os fará encher os bolsos de dinheiro de maneira fácil, o que pode não acontecer nos próximos anos com a transformação galopante do mercado.

O fato é que, em épocas de recessão econômica o que mais se encontra dentro das empresas, em sua maioria, é profissional despreparado, medíocre e abusivo. Lembro-me de um caso recente em que um amigo estava em busca de uma oportunidade de emprego, depois de meses conseguiu se recolocar em uma grande empresa de infraestrutura, em um primeiro momento pensou que poderia ampliar seus conhecimentos compartilhando sua experiência com os demais, além de poder ser promovido. No entanto, com o passar do tempo foi percebendo que a empresa tão amada por aqueles que não trabalhavam lá, não era o que parecia ser.

A diretoria tinha um pensamento bem retrógrado em questões de promoções de funcionários, ainda mantinham o pensamento familiar de anos atrás, em que só é promovido o amigo do amigo do dono, mesmo que o indivíduo não tenha capacidade para gerir absolutamente nada. E com isso uma sequência de erros era promovida dentro da empresa, gerentes e coordenadores em sua maioria era indicado aos cargos, não por mérito, e sim por bajulação, algo tão recorrente nas empresas nos dias atuais.

O ambiente de trabalho era sufocante principalmente porque quem estava nos cargos superiores pouco se importavam com os problemas dos departamentos, estavam mais interessados em viajar sem propósito, iam às reuniões de negócios sem saber ao menos o que iria ser conversado, além da maioria da chefia ser tóxica, esfolavam os funcionários e os desrespeitavam sem ter a mínima noção do que era gestão.



Não é à toa que muitos profissionais se demitem das empresas mais por causa da chefia tóxica, do que pelo trabalho executado ou pela empresa propriamente dita. Quanto mais tóxico for um chefe, maior será o salário, e consequentemente menos eficiente ele será, isso é um fato. Claro, que este meu amigo preferiu ficar desempregado a ficar doente dentro daquele ambiente carregado de sugadores de energia.

A empresa que tem como política interna a indicação de profissionais, em geral, incompetentes, tem processos burocráticos que empacam o crescimento profissional dos funcionários, pois é avessa a inovação, a chefia é resistente e consequentemente tem medo de perder o cargo e o alto salário para alguém mais jovem, que possui novos pensamentos, ideias e tem fome de crescimento profissional.

Muitas dessas empresas são as mesmas que pregam em sua cultura organizacional a inovação como porta aberta para novos funcionários, de preferência jovens, no entanto, são as mesmas que empacam o crescimento deles, apenas com o interesse único de se aproveitar, mesmo que momentaneamente, da mão de obra barata e disponível, o que denota uma política interna semelhante aos mecanismos de trabalho de funcionários públicos, onde centenas de funcionários sem ambição ficam no mesmo cargo por anos e são premiados por suas chefias por este feito, ou seja, trabalhar em uma empresa dessas é viver constantemente no passado, mesmo quando ela é afamada no mercado de negócios.

Agora imagine se uma empresa, que tenha uma mentalidade como essa decida buscar um profissional no mercado de trabalho sem saber exatamente quais experiências solicitar, e muito menos qual a função que o candidato poderá executar?

É nesse ponto que volto ao assunto inicial deste artigo, quando falamos em busca de uma nova oportunidade na careira, sempre fica aquela dúvida se conseguiremos encontrar algo que nos valorize como profissional, ao mesmo tempo, que teremos a chance de crescer dentro da empresa, ser promovido, e não termos impedimentos quanto à idade, cor da pele, opção sexual ou classe social, por exemplo, algo tão recorrente nas avaliações curriculares nos dias atuais.

Garimpar uma boa oportunidade atualmente é como tentar encontrar uma agulha no palheiro, principalmente quando há consciência de que tempo é dinheiro, e o que menos podemos fazer é perder tempo. Muitas vagas publicadas em plataformas de emprego não tem o nome da empresa, o salário, em geral a função solicitada no título não é a mesma da descrição, pede-se uma série de formações e experiências, mas o salário a ser pago não condiz com a responsabilidade, além de outros absurdos como classificar cursos de humanas como sendo da área de exatas, um verdadeiro show de desconhecimento total da área, função, responsabilidade, etc. 


Pensando neste quesito, decidi colocar alguns exemplos de vagas que atrapalham muito o dia-a-dia de quem busca uma nova oportunidade de trabalho no mercado nacional. Começaremos com as vagas de Diretor Geral com salários irrisórios e descrições que não condizem com a vaga e outros chamarizes:












Estes são apenas alguns exemplos de vagas de emprego que encontramos no mercado de trabalho atualmente, indiferente da área de atuação, perdemos tempo e a última coisa que nos resta, além de suportar a falta de dinheiro e as cobranças familiares é rir dessas vagas esdrúxulas, por favor nos poupem!

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.



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