MD Networking

Seja um cliente da MD Networking Publicações



A MD Networking Publicações é um projeto brasileiro criado no ano de 2012 pela Comendadora Escritora Marisa Fonseca Diniz, que tem por finalidade levar conhecimento a várias pessoas ao redor do planeta. No entanto, o projeto precisa de ajuda financeira para se manter ativo no ar e divulgar mais artigos interessantes. 



Foi pensando nisso que a criadora do projeto decidiu oferecer alguns serviços para empresas interessadas em ter o link do seu site agregado aos artigos, bem como oferecer serviços de Copywriter, Content Editor/Writer ou Content Strategist. Para maiores informações sobre os trabalhos oferecidos pela MD Networking Publicações, bem como valores, condições de pagamento e entrega, basta enviar um e-mail: marisafonsecadiniz@gmail.com, e para conhecer melhor o trabalho basta acessar os blogs  que se encontram no banner acima ou acessar o perfil e clicar sobre os links conhecendo melhor nosso portfólio de trabalho.



O projeto também está divulgando a loja virtual SAMPAPEL DESIGN - Arte em Papel aos interessados em adquirir um produto artesanal e de qualidade. As pessoas interessadas em conhecer os produtos, condições de pagamento e entrega podem acessar o link da loja.

Aguardamos o contato de todos os interessados, a fim de que todos nós possamos fazer a diferença na vida de muitas pessoas ao redor do planeta levando conhecimento e produtos diferenciados. 


O lado podre da mendigagem


Marisa Fonseca Diniz

Há mais de 20 anos estudando o comportamento humano nas organizações empresariais e na sociedade de modo geral, ainda tem feito com que fique pasma diante do comportamento humano. A cada dia que passa é perceptível que uma boa parte das pessoas ainda acredita que a melhor forma de obter sucesso é explorando a bondade alheia.

Há diversas plataformas na internet de crowdfunding, financiamento coletivo, que tem como objetivo principal levantar recursos financeiros para a realização de projetos sociais, tecnológicos e culturais, sendo este recurso muito utilizado para alavancar investimentos às startups, que se encontram em processo inicial de funcionamento. 


As plataformas colaborativas funcionam da seguinte maneira: empreendedores/pessoas cadastram seus projetos e apresentam por meio de um texto ou vídeo os objetivos e a finalidade dos recursos financeiros a serem arrecadados, tais como o valor pretendido a ser alcançado e a data limite para a arrecadação. Compartilham a ideia nas redes sociais e profissionais, que acabam atraindo investidores e pessoas interessadas em contribuir financeiramente para que o projeto cadastrado consiga almejar a meta desejada.

A ideia é excelente para quem precisa de dinheiro rápido e sem burocracia para investir em um projeto, no entanto, há algumas pessoas que tem usado estas plataformas com outros objetivos, o que tem prejudicado os indivíduos bem intencionados. O modismo de viajar sem dinheiro tem ganhado às redes sociais, principalmente às vinculadas a uma das  maiores plataformas de vídeos, com a desculpa de ganhar curtidas e inscrições, fazendo com que o público acredite que estes indivíduos mal intencionados realmente ganham dinheiro com isso, ledo engano.

Não é raro encontrar pelas estradas do país afora aventureiros das classes sociais A e B, que se consideram aventureiros do mundo moderno dirigindo motorhomes ultramodernos viajando com o dinheiro obtido nas plataformas de crowdfunding, apenas com a desculpa de que trabalham com marketing digital, no entanto, poucos indivíduos de fato viajam como nômades digitais ou trabalham para plataformas internacionais ou ganham recursos financeiros para viajar em troca de conteúdo. 


O que muitas pessoas não sabem é que, a montagem de um motorhome sobre o chassi de uma Kombi, pick-up ou van custa em média R$ 150 mil reais, sem contar o valor do carro, montagens caseiras podem ficar em torno de R$ 20 mil reais, mas há motorhomes que chegam a custar só à montagem mais de R$ 500 mil reais, ou seja, é um lazer um tanto caro para pessoas que não estão nas classes sociais mais abastadas.

Analisando detalhadamente muitas das plataformas de financiamento colaborativo, podemos encontrar milhares de projetos com um único objetivo: turismo cultural sustentável vinculado a nada, ou seja, é apenas uma máscara para dizer que precisam curtir a vida viajando com o dinheiro alheio. É um jogo bem interessante, onde se percebe que a mendigagem virou um negócio rentável para aqueles que almejam viajar com dinheiro alheio sem se incomodar com o fato de estarem prometendo algo inexistente, na certeza de que desfrutarão o melhor sem se preocupar com nada.

No entanto, observamos que os mesmos indivíduos que criticam a mendigagem nas ruas, por acreditarem que esmolas incentivam a vagabundagem são os mesmos que largam tudo, emprego, família com um único propósito: viajar, curtir a vida adoidada dizendo aos seus seguidores que são empreendedores digitais de sucesso, porém com dinheiro alheio, apenas como o objetivo de enganar pessoas ingênuas, que acreditam em facilidades, e que consequentemente colaboram e compram produtos digitais a preço de ouro.

Diferentemente dos nômades digitais, que em geral não tem casa própria, endereço fixo e muito menos salário, os novos aventureiros são cheios de si. O roteiro de viagem não é nada minguado e muito menos possuem intenção de angariar fundos financeiros para projetos sociais ou culturais, que possa realmente favorecer terceiros, o objetivo principal na verdade é apenas desfrutar o melhor que a vida possa lhes oferecer tais como, restaurantes caros, passeios mirabolantes, festas de arromba, reformas e compra de novos motorhomes, instalação e troca de placas solares mais modernas, aluguel de airbnb, passeios de lanchas, passagens de avião, roupas caras e muita, mais muita “cara de pau” na hora de pedir dinheiro.

Tais comportamentos podem parecer irreais quando analisamos a quantidade de pessoas que moram na estrada por falta de opção de moradia, e que fazem das rodovias seu ganho pão, vendendo de tudo que se pode imaginar, artesanato, roupas usadas, comida, entre outros, além daqueles que prestam serviços por onde passam. Raros são aqueles indivíduos que aproveitam a aposentadoria ou seus ganhos financeiros mensais para passear nas férias ou nos finais de semana com a família, onde o motorhome é visto apenas como um passatempo divertido.



Os viajantes modernos das classes sociais mais altas jamais se rebaixam a fazer serviços para terceiros, isso é inadmissível, preferindo ter uma loja virtual compartilhada no perfil das mais variadas redes sociais, onde vendem roupas ou acessórios a preços exorbitantes, fora da realidade, uma maneira de angariar mais dinheiro e fazer com que os compradores façam propaganda gratuita de seus artigos pessoais com o logo de seu “vulgo projeto social”, alegando que estão trabalhando com marketing digital, quando na verdade estão apenas explorando a boa intenção alheia.  

Agora, não pensem que eles se incomodam com essa maneira fácil de ganhar dinheiro, jamais, pois não faz parte do roteiro de vida perder, apenas ganhar cada vez mais vendendo ilusões e ainda fazer o discurso de que é acessível para qualquer pessoa, que aplique o mesmo golpe, é claro.

Projetos sociais e culturais mínguam nas plataformas de financiamento coletivo por falta de colaboradores interessados em promover cultura aos mais necessitados. Excelentes projetos ficam a mercê de algum ganho financeiro, onde os idealizadores nem sempre conseguem tirar do papel o que realmente seria socialmente vantajoso para quem realmente necessita de amparo.

A mendigagem recriminada pela maioria das pessoas que condenam quem as pede, não é vista com maus olhos por aqueles que fazem dela um jogo de estratégia em benefício próprio, ora, não sejamos tão hipócritas a ponto de não perceber que este negócio só faz com que a desigualdade social cresça cada vez mais no mundo.

Enquanto tivermos pessoas mal intencionadas explorando a boa intenção alheia, continuaremos tendo pessoas bem intencionadas morrendo de fome. Não ajude um aventureiro burguês, colabore sim com quem tem projetos que realmente farão bom uso do dinheiro ajudando a diminuir a desigualdade social, cultural e tecnológica, que separa os cidadãos ao redor do mundo.

Saiba que o aventureiro moderno que pede dinheiro em plataformas de crowdfunding, não se intimida em pedir ajuda financeira de colaboradores nas redes sociais, nos chats virtuais, nas redes de bate papo, além de venderem produtos em suas lojas virtuais, porque eles sabem que o dinheiro vem fácil em troca de uma promessa que adoça a insensatez daqueles que não enxergam maldade neste tipo de atitude. 

No entanto, estes aventureiros são os mesmos que debocham da cara dos tolos que aplicam seu dinheiro em viagens que jamais realizarão na vida, recebendo em troca diversas desculpas, que vão desde a exaustiva rotina de preparar e editar vídeos de viagem até os altos custos com alimentação, combustível, pedágios e o pagamento de altas taxas nas fronteiras dos países em que passam.



Apesar de muitos destes indivíduos alegarem que estão proporcionando conteúdo de qualidade para quem não pode viajar, também são os mesmos que incentivam outras pessoas da mesma classe social a investirem seu tempo criando falsos projetos sociais e culturais no intuíto de angariar fundos financeiros e mendigando nas redes sociais, a fim de aproveitarem apenas o momento áureo a que passam.

Como dizem por aí, o mundo é dos espertos, dos trapaceiros, dos golpistas, dos mercenários e dos egoístas, pensem bem antes de investirem seu dinheiro suado em projetos de realização pessoal que não proporcionam nada de bom a ninguém, apenas inflam o ego daqueles que estão acostumados a enganar os outros usufruindo dos seus benefícios!


Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.



Licença Creative Commons
O trabalho O lado podre da mendigagem de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2020/05/o-lado-podre-da-mendigagem.html.

Estrelismo em castelo de areia


Marisa Fonseca Diniz


Entra ano, sai ano, e a história é sempre a mesma, nunca se viu tanta receita pronta com fórmula mirabolante de como ganhar dinheiro, ficar rico da noite para o dia e ter muito sucesso na vida. Histórias que se aplicam apenas às classes sociais mais abastadas, e que encantam àqueles que procuram facilidades.

Antes do surgimento da internet era muito comum encontrar pelas ruas das grandes cidades, indivíduos que abordavam pessoas  prometendo facilidades, ganhos de dinheiro, receitas de como ficar rico apenas com o pensamento positivo, livros com fórmulas perfeitas de como ser bem sucedido. No entanto, com o surgimento da internet e das redes sociais praticamente nada mudou, apenas o que antes era considerado absurdo, atualmente é visto como algo surpreendente.

Crianças de 12 anos conquistando o seu primeiro milhão, jovens de 14, 16, 18, 20 anos tendo seu primeiro negócio rentável ou o indivíduo que conseguiu comprar seu primeiro Jaguar aos 30 anos. Impressionante, como as pessoas conseguem obter sucesso financeiro, ainda crianças, quando deveriam estar aproveitando a infância, invés de estarem trabalhando. Mas, nada disso é impossível dizem os entendidos no assunto, basta ter uma ideia lucrativa e pensamento positivo, que tudo se transforma em dinheiro. 


No entanto, o que muitas pessoas desconhecem é que, nem todas as pessoas ao redor do mundo poderão aplicar a fórmula da fortuna em sua vida, principalmente aquelas que estão nas classes sociais mais baixas, sim, porque esta receitinha básica só é possível para quem tem pais ou responsáveis para bancá-los em épocas de crise financeira, ou seja, eles têm que estar nas classes sociais, A ou B.

Pessoas inocentemente caem em conversa de charlatão sem medir as consequências, simplesmente por acreditarem que são fracassadas por não terem pensamentos positivos, quando na verdade são vítimas do capitalismo selvagem. Pagam cursos e consultoria de profissionais, que se dizem especialistas em comportamento (e não são), apenas por acreditarem que podem ter um futuro mais próspero.

A teoria da facilidade tem feito com que pessoas vendam tudo que tem para investir nas incertezas, apenas por acreditarem em receitas de pessoas ricas, que estão mais interessadas em vender seus livros e cursos. O que a maioria das pessoas desconhece é o fato de que não há receita pronta para o sucesso, o que há são pessoas ricas mal intencionadas propagando promessas inexistentes mundo afora.

Obter sucesso fácil com idades prematuras na certeza de que os pais têm condições de aportar capital de 100, 500 mil ou milhões não é para todos, e sim para uma pequena parcela da população. É muita ingenuidade e baixa autoestima achar que é possível uma pessoa que ganha um salário mínimo por mês, paga aluguel, água, luz, internet e alimentação é capaz de juntar dinheiro e ter um milhão na conta em 10 anos. Isso só é possível para quem ganha mesada e não tem despesas para pagar no final do mês.

A realidade pode ser difícil de ser aceita por muitas pessoas, mas é a pura realidade, não tem como fazer milagre de multiplicação, quando não se tem condições de guardar dinheiro no final do mês. O que a maioria das pessoas precisam entender é que, pensamento positivo nenhum as tirará da situação de penúria pela qual elas vivem há anos, isso não existe.

É importante, que a maioria das pessoas entenda que sucesso financeiro só existe em três situações:

ü Riqueza herdada;

ü Riqueza adquirida por meio do casamento;

ü Riqueza ganha em jogos de azar.

Se a pessoa não herdou, adquiriu ou ganhou dinheiro, esqueça as chances de ela se tornar milionária do dia para a noite seguindo o conselho dos gurus, coaches e charlatões da vida, pois isso é praticamente nulo. 


As pessoas que vendem receitas prontas sabem que é apenas uma utopia para vender livro ou palestras, pois se os ricos tivessem interesse em compartilhar sua receita de sucesso, com certeza não teríamos tanta desigualdade social no mundo. Saiba que as pessoas mais ricas correspondem a 5% do total da população mundial, muito pouco se comparada com os 95% da população considerada miserável e pobre. 

A ingenuidade muitas vezes alimenta a sagacidade daqueles que são estrelas em castelos de areia, porque sabem e têm consciência de que, se algo der errado, eles terão dinheiro suficiente para se erguerem novamente, diferentemente daqueles que acreditam em promessas vazias e facilidades financeiras. A única coisa que o rico pensa na hora de ganhar dinheiro é explorar a boa fé das pessoas, muitas vezes escravizando-as, pois sem elas a riqueza não prosperava tanto.

Em épocas de crise econômica global sempre se encontra pelas ruas e pelas redes sociais mercenários vendendo ideias de como ganhar dinheiro fácil, no entanto, todo cuidado é pouco nestas horas, pois milagre financeiro está difícil de acontecer, já que as grandes potências mundiais nos últimos tempos andam mais perdidas do que nunca. A sociedade precisa mudar o foco, valorizando mais as pessoas pelos que elas são, do que pelo que elas têm. Quem sabe dessa maneira os tais alquimistas do século XXI transformem a humanidade em pessoas sensatas, invés de transformar chumbo em ouro.

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.

Licença Creative Commons
O trabalho Estrelismo em castelo de areia de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2020/04/estrelismo-em-castelo-de-areia.html.

Show de Horrores


Marisa Fonseca Diniz




Há pouco mais de um ano venho tentando me recolocar no mercado de trabalho brasileiro, no entanto, muitas vezes paro e penso, se o problema no país se restringe apenas a situação econômica e política, pois a cada busca me deparo com um show de horrores que acontece nas plataformas de emprego e nas redes profissionais, que põe em cheque a capacidade de quem publica as oportunidades de emprego.

Empresas e profissionais de recursos humanos publicam vagas de emprego sem saber ao certo o que procuram, outros usam as plataformas apenas para saber como está o currículo dos profissionais desempregados e há aqueles que vão mais longe, publicam vagas com nomes bonitos em português e inglês e com experiências que não condizem com a formação que solicitam.

O que me faz pensar o quanto o mercado de profissionais empregados está caótico em comparação as publicações, não apenas de vagas de emprego, como também dos assuntos que escrevem nestas mesmas plataformas. Tudo parece lindo e maravilhoso se compararmos com as histórias da carochinha contadas na fase infantil de cada um de nós, que busca uma nova recolocação.

Nas redes profissionais, por exemplo, os indivíduos desempregados precisam estar com a autoestima bem equilibrada para não caírem nas propostas indecorosas que empresários conhecidos como “influencers” dão em referência a falta de emprego. É uma receita melhor do que a outra, onde a vítima se torna ré em poucas palavras:

Ø Torne-se empresário e ganhe seu primeiro milhão nos 6 primeiros meses de trabalho;

Ø Você está fazendo errado, está desempregado porque não está se esforçando;

Ø Trabalhe de graça para que o empregador saiba que você é um profissional dedicado;

Ø Livre-se das amarras do seu chefe e venha trabalhar comigo, vai trabalhar como nunca pensou antes. Eu vou te passar um zap às duas horas da manhã, vamos fazer reunião às onze da noite e aos sábados e domingos você vai trabalhar como nunca sonhou antes;

Ø Sucesso só acontece para aqueles que estão disponíveis 24 horas por dia para trabalhar.

Entre outras barbaridades que encontramos por aí, e que pasme, é aplaudida por diversas pessoas, não sei se inocentes ou manipuladas.

É realmente preocupante, quando nos deparamos com sugestões camufladas de escravidão profissional por empreendedores que fazem disso um mercado rentável da enganação, em pleno século XXI, quando deveriam estar se adaptando as novas tecnologias e processos da Revolução Industrial 5.0. O que faz pensar que o desespero é tanto, que qualquer promessa vazia de conquistar novos seguidores e manipular o pensamento alheio os fará encher os bolsos de dinheiro de maneira fácil, o que pode não acontecer nos próximos anos com a transformação galopante do mercado.

O fato é que, em épocas de recessão econômica o que mais se encontra dentro das empresas, em sua maioria, é profissional despreparado, medíocre e abusivo. Lembro-me de um caso recente em que um amigo estava em busca de uma oportunidade de emprego, depois de meses conseguiu se recolocar em uma grande empresa de infraestrutura, em um primeiro momento pensou que poderia ampliar seus conhecimentos compartilhando sua experiência com os demais, além de poder ser promovido. No entanto, com o passar do tempo foi percebendo que a empresa tão amada por aqueles que não trabalhavam lá, não era o que parecia ser.

A diretoria tinha um pensamento bem retrógrado em questões de promoções de funcionários, ainda mantinham o pensamento familiar de anos atrás, em que só é promovido o amigo do amigo do dono, mesmo que o indivíduo não tenha capacidade para gerir absolutamente nada. E com isso uma sequência de erros era promovida dentro da empresa, gerentes e coordenadores em sua maioria era indicado aos cargos, não por mérito, e sim por bajulação, algo tão recorrente nas empresas nos dias atuais.

O ambiente de trabalho era sufocante principalmente porque quem estava nos cargos superiores pouco se importavam com os problemas dos departamentos, estavam mais interessados em viajar sem propósito, iam às reuniões de negócios sem saber ao menos o que iria ser conversado, além da maioria da chefia ser tóxica, esfolavam os funcionários e os desrespeitavam sem ter a mínima noção do que era gestão.



Não é à toa que muitos profissionais se demitem das empresas mais por causa da chefia tóxica, do que pelo trabalho executado ou pela empresa propriamente dita. Quanto mais tóxico for um chefe, maior será o salário, e consequentemente menos eficiente ele será, isso é um fato. Claro, que este meu amigo preferiu ficar desempregado a ficar doente dentro daquele ambiente carregado de sugadores de energia.

A empresa que tem como política interna a indicação de profissionais, em geral, incompetentes, tem processos burocráticos que empacam o crescimento profissional dos funcionários, pois é avessa a inovação, a chefia é resistente e consequentemente tem medo de perder o cargo e o alto salário para alguém mais jovem, que possui novos pensamentos, ideias e tem fome de crescimento profissional.

Muitas dessas empresas são as mesmas que pregam em sua cultura organizacional a inovação como porta aberta para novos funcionários, de preferência jovens, no entanto, são as mesmas que empacam o crescimento deles, apenas com o interesse único de se aproveitar, mesmo que momentaneamente, da mão de obra barata e disponível, o que denota uma política interna semelhante aos mecanismos de trabalho de funcionários públicos, onde centenas de funcionários sem ambição ficam no mesmo cargo por anos e são premiados por suas chefias por este feito, ou seja, trabalhar em uma empresa dessas é viver constantemente no passado, mesmo quando ela é afamada no mercado de negócios.

Agora imagine se uma empresa, que tenha uma mentalidade como essa decida buscar um profissional no mercado de trabalho sem saber exatamente quais experiências solicitar, e muito menos qual a função que o candidato poderá executar?

É nesse ponto que volto ao assunto inicial deste artigo, quando falamos em busca de uma nova oportunidade na careira, sempre fica aquela dúvida se conseguiremos encontrar algo que nos valorize como profissional, ao mesmo tempo, que teremos a chance de crescer dentro da empresa, ser promovido, e não termos impedimentos quanto à idade, cor da pele, opção sexual ou classe social, por exemplo, algo tão recorrente nas avaliações curriculares nos dias atuais.

Garimpar uma boa oportunidade atualmente é como tentar encontrar uma agulha no palheiro, principalmente quando há consciência de que tempo é dinheiro, e o que menos podemos fazer é perder tempo. Muitas vagas publicadas em plataformas de emprego não tem o nome da empresa, o salário, em geral a função solicitada no título não é a mesma da descrição, pede-se uma série de formações e experiências, mas o salário a ser pago não condiz com a responsabilidade, além de outros absurdos como classificar cursos de humanas como sendo da área de exatas, um verdadeiro show de desconhecimento total da área, função, responsabilidade, etc. 


Pensando neste quesito, decidi colocar alguns exemplos de vagas que atrapalham muito o dia-a-dia de quem busca uma nova oportunidade de trabalho no mercado nacional. Começaremos com as vagas de Diretor Geral com salários irrisórios e descrições que não condizem com a vaga e outros chamarizes:












Estes são apenas alguns exemplos de vagas de emprego que encontramos no mercado de trabalho atualmente, indiferente da área de atuação, perdemos tempo e a última coisa que nos resta, além de suportar a falta de dinheiro e as cobranças familiares é rir dessas vagas esdrúxulas, por favor nos poupem!

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.



Licença Creative Commons
O trabalho Show de Horrores de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2020/03/show-de-horrores.html.

Depende de que lado se está da história


(Uma reflexão sobre a desigualdade social)


Marisa Fonseca Diniz



É muito comum nos dias atuais encontrarmos receitas prontas de como sair da crise financeira ou de como conseguir transformar o desemprego em um negócio próprio, porém o que muitas pessoas desconhecem é que fórmulas prontas só se adéquam a realidade das pessoas que vivem em classes sociais mais abastadas como a A e B.

O Critério de Classificação Econômica Brasil ou CCEB é um sistema de classificação de preços ao público brasileiro, que tem como objetivo ser uma forma única de avaliar o poder de compra de grupos de consumidores deixando de lado a pretensão de classificar a população em termos de classes sociais como é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, e divide o mercado exclusivamente em classes econômicas, a saber:

Referência 2016

Além destes dados apresentados na tabela acima, o CCEB é também calculado com base em alguns atributos presentes nos domicílios e fatores relevantes ao acesso de serviços públicos e o nível de educação do responsável, que é avaliado por meio de pontos, conforme tabela abaixo:


Para o IBGE, a classificação das classes sociais segue outros parâmetros, a saber:

As classes sociais no Brasil são muito desiguais, a elite mora em casas luxuosas em bairros arborizados com asfalto, esgoto e água encanada, em geral são fazendeiros, grandes empresários, executivos de empresas multinacionais, influencers, investidores de altas quantias, funcionários públicos do alto escalão, industriais, banqueiros, artistas bem sucedidos. Viajam constantemente para o exterior a negócio, férias e possuem moradias em outros países, os filhos estudam nos melhores colégios particulares do país com mensalidades que ultrapassam os 10 mil reais mensais, estudam nas melhores universidades do Brasil e do mundo, possuem os carros mais potentes, luxuosos e blindados na garagem, alguns têm jatinhos e iates, outros preferem ir trabalhar de helicóptero particular. São atendidos nos melhores hospitais particulares do país, fazem suas refeições em restaurantes caríssimos não se importando com o preço cobrado, possuem diversos serviçais e não saem de casa sem segurança particular, ou seja, estão muito acima da realidade da maioria da população do país. O 1% mais rico do Brasil ganha 33,8 vezes mais do que os 50% mais pobres, uma vergonha em pensar que o país possui uma desigualdade tão alarmante como essa.


A classe B considerada a classe média brasileira não fica muito atrás da elite, apesar de mais de 900 mil cidadãos terem caído da classe A e B nos últimos anos devido à falta de emprego e a recessão. No entanto, a classe média brasileira ainda concentra uma parte abastada da população. Pequenos empresários, funcionários públicos, aposentados e pensionistas com ganhos acima de R$ 5 mil reais mensais, pessoas que tem rendas extras de aluguel, investimentos e bens, os filhos estudam nas escolas de renome e em universidades públicas, fazem intercâmbio no exterior, viajam pelo país, tem casa de veraneio, possuem carros e casa própria em bairros considerados seguros e que possuem saneamento básico, tem acesso fácil à cultura, duas ou três vezes por semana saem para jantar em restaurantes badalados da cidade e mesmo com a crise não tem o costume de fazer grandes cortes de gastos. Tem empregada mensalista ou faxineira, plano de saúde, seguro de vida, ou seja, tem uma vida bem confortável.

No entanto, a classe social C é para onde muitos dos indivíduos que no passado pertenciam à elite foram parar depois que perderam o status de classe A ou B. Novas adaptações tiveram que ser feitas para viverem dentro de um padrão de vida menor. Trocaram a casa própria pelo aluguel ou por um imóvel de menor valor e em bairros mais afastados do centro, o carro zero foi trocado por um carro mais velho ou preferiram virar motorista de aplicativos. A educação dos filhos ficou mais restrita as escolas particulares mais baratas em bairros mais afastados, o plano de saúde foi substituído pelos consultórios médicos populares ou por planos de saúde mais baratos, as viagens ficaram mais restritas a um final de semana, e as dívidas mais que dobraram, porém não deixam de fazer uso do cartão de crédito para suprir as necessidades diárias, mesmo não tendo dinheiro para quitá-los e não abrem mão de todas as suas antigas regalias como a compra de novos eletrônicos ou eletrodomésticos.

As pessoas pertencentes às classes sociais D e E são aquelas consideradas pobres, as da base da pirâmide, e que mais pagam imposto em comparação as demais classes. Os indivíduos da classe social D, em geral são aqueles que não tiveram a oportunidade de estudar em um colégio particular e muito menos tiveram condições de pagar um cursinho ou entrar em uma faculdade pública. Os filhos são enviados às escolas públicas para poderem ter pelo menos uma refeição ao dia, e quando adultos são aqueles que estudam em faculdades particulares graças ao Programa de Universidade para Todos – ProUni. Composta por pessoas que trabalham em subempregos, mesmo tendo superior completo muitos não conseguem ter oportunidades de trabalho condizente com a formação e experiência. A moradia pode ser emprestada por algum familiar, imóveis invadidos ou de alvenaria nas comunidades afastadas dos grandes centros urbanos. A saúde é precária, sendo dependentes exclusivamente do Sistema Único de Saúde - SUS, quando conseguem ser atendidos. Usuários ávidos do transporte público, bicicletas ou um carro muito velho e sem manutenção. Raramente se aposentam, ou seja, trabalham até morrer. A média de vida das pessoas das classes sociais D e E está em torno dos 55 anos de idade, muito diferente da perspectiva de vida das classes sociais A, B e C, segundo dados oficiais.

A classe social E é aquela formada de pessoas que em geral já perderam tudo, moram em palafitas, casas de madeirite ou papelão nos morros e ruas do país, sem nenhum tipo de saneamento básico. Composta por pessoas que vivem exclusivamente de bicos sem ter uma renda fixa por mês, raramente possuem alimento na mesa todos os dias, as crianças nem sempre conseguem vagas em creches ou em escolas públicas, e quem consegue uma vaga acaba desistindo dos estudos devido à desnutrição e a obrigatoriedade de trabalhar cada vez mais cedo para poder ajudar na renda familiar. A saúde pública é inacessível àqueles que não têm endereço fixo, aumentando gradativamente as doenças infecciosas. Não possuem acesso à aposentadoria, alguns vivem de recursos federais, como exemplo a bolsa família. Compostas por pessoas marginalizadas pela sociedade e pelo governo. Os jovens morrem cada vez mais cedo devido a violência nos locais em que moram ou frequentam.

É insano dizermos que no Brasil não há distinção de classes sociais, preconceito ou fome, quando não nos falta nada. Infelizmente, as pessoas desde pequenas são incentivadas a odiar os indivíduos menos abastados, apenas pelo prazer de se acharem superiores aos demais. A pobreza é dita como algo contagioso, como se a cor da pele manchasse a mão de um rico.


Há uma falta de bom senso e empatia rondando as classes sociais mais ricas, que exploram os mais pobres em prol a sua ambição por dinheiro. Dinheiro este que por sinal não pode ser carregado no caixão, mas que é disputado a tapas pelos herdeiros. Não é à toa que até Jesus Cristo disse: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Pois, é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.” Lucas 18, versículos 24 e 25.


Políticas e mais políticas são criadas contra as classes sociais mais baixas, o código penal é exclusivamente aplicado contra os mais pobres, já que os que estão no topo da pirâmide são os responsáveis por criarem as leis. A desigualdade social é um grande abismo no desenvolvimento do país. O Brasil é considerado um país pobre, já que os 64% da população encontram-se na base da pirâmide.

Muitas pessoas ainda não se deram conta que, quando apoiam políticas de reforma trabalhista e da previdência social, não estão prejudicando os mais pobres, e sim eles mesmos, pois os mais pobres não trabalham com carteira profissional assinada e consequentemente não se aposentam, assim como os mais ricos não estão preocupados em se aposentar, e sim em juntar riquezas, que é o que os mantêm no topo.

A ignorância daqueles que elegeram uma pessoa que há anos se mantêm na política juntamente com os filhos e nunca fizeram absolutamente nada pelo povo, nos faz pensar que sejam pessoas obtusas em relação aos problemas econômicos, políticos e sociais do país. Um cidadão que é a autoridade máxima de um país e que não representa os interesses da população a nível global, e vende  o patrimônio e  as riquezas do país em troca de favores é alguém que não nos representa. Não saber se comportar como um líder político preferindo agir como uma criança mimada dizendo em rede social que é perseguido por seus adversários e que todos fazem complô contra ele é de se pensar que sofra de paranoia. Dizer a todos os cidadãos que governa em nome de Deus é com certeza uma pessoa que desconhece a verdade bíblica, pois Jesus Cristo não andava com corruptos e muito menos com os hipócritas, preferindo andar ao lado dos pobres e injustiçados. Muito diferente do que apregoa favorecendo exclusivamente os mais ricos com a desculpa de que os mesmos pagam altas cargas tributárias, sendo os responsáveis por gerar riquezas no país. Acredito que tenha um problema sério de interpretação de dados ou tenha fugido das aulas de história, pois os que mais enriquecem o país são justamente aqueles que pagam mais impostos, ou seja, os pobres.

Ora, não sejamos tão cegos a ponto de não perceber que tudo que o governo fala não passa de fake news. Escravizar e explorar os mais pobres tirando os direitos dos mesmos apenas com o desejo de enriquecer os mais ricos é a maneira mais esdrúxula de se governar. A maneira mais inteligente de governar seria adotar uma política que favorecesse todos os cidadãos oferecendo oportunidades para terem uma vida mais digna e contribuindo dessa maneira com o crescimento uniforme da economia.


Subtrair direitos dos cidadãos é a maneira mais autocrática que um  governo possa fazer para implantar um sistema autoritário em um país. Nem de direita e nem de esquerda deve-se permitir que um governo implante estas decisões, porque depois de perdido os direitos nenhum cidadão conseguirá voltar a trás ao sistema democrático.

Aqueles que atualmente apoiam tais decisões por se considerarem pessoas conservadoras, só perceberão depois de muito tempo, que foram corresponsáveis pela implantação de um sistema autoritário em que eles mesmos serão lesados por esta ideologia, assim como aconteceu nos governos de extrema direita e esquerda na Europa no século passado, e que perpétua até hoje no mundo.

Apoiadores de um governo autoritário aprendam:


Não dê migalhas aos mais pobres,

Dê oportunidades.

Não dê conselhos de como juntar um milhão,

Dê condições de terem uma vida digna.

Não dê fórmulas prontas de sucesso

Aprenda com eles como ser feliz.

Não os chame de vagabundos,

Aprenda com eles o que é ser solidário.

Algo que as classes sociais mais elevadas deveriam aprender.

Qual o lado da história você prefere ficar?

O da consciência limpa ou o lado que ajuda a matar diversos inocentes, apenas por eles serem pessoas pobres financeiramente?

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.


Licença Creative Commons
O trabalho Depende de que lado se está da história de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2019/12/depende-de-que-lado-se-esta-da-historia.html.

Os efeitos nocivos do desemprego


Marisa Fonseca Diniz



O total de desempregados em todo mundo cresce assustadoramente, sendo que em alguns países em específico há uma maior concentração do número de desempregados decorrente da economia deficitária. Dados da OIT, Organização Internacional do Trabalho mostram que quase 45% da população mundial, atualmente se encontram desempregadas. Desse total, apenas 48% do total de mulheres em idade laboral se encontram empregadas contra os 75% do total de homens, ou seja, a desigualdade de gênero ainda é muito alta em todo mundo.

Pesquisas comprovam que as mulheres possuem maior grau de escolaridade em comparação aos homens, porém a sociedade ainda é patriarcal. O patriarcado é um sistema social, onde os homens predominam em funções de liderança política, autoridade moral, privilégio social e controle de propriedades, além de ter o domínio familiar e a autoridade sobre as mulheres e crianças.

O atraso deste tipo de sistema social em relação à legislação trabalhista com o argumento de que as mulheres são o sexo frágil, serve apenas para denegrir a imagem da mulher, de maneira a pensar que elas são menos capazes para assumir cargos de liderança ou fazer atividades mais braçais. Esta desqualificação gera um retardo no desenvolvimento econômico dos países que possuem alta taxa de desemprego e políticas patriarcais, onde o homem é o centro da sociedade, mesmo sabendo que a sociedade ano a ano vem perdendo este conceito retrógrado.

O número de famílias chefiadas por mulheres mais que dobrou em muitos países, o que faz pensar que o pensamento patriarcal não se adéqua a este novo papel da mulher na sociedade. No Brasil, por exemplo, mais de 28,9 milhões de famílias são chefiadas por mulheres. A família hoje tem outro conceito muito diferente de séculos passados, as mulheres são sempre aquelas que assumem a responsabilidade dos filhos e da casa, e quando há uma separação ou viuvez se tornam exclusivamente as responsáveis em prover o sustento da família.

O que não faz o menor sentido, quando analisamos os dados recentes sobre o desemprego, visto que, elas têm menos oportunidades de trabalho, quando não, são subaproveitadas em suas funções laborais. O Conselho Nacional de Justiça do Brasil com base no Censo Escolar de 2011 constatou que mais de 5 milhões de estudantes não possuem o nome do pai na certidão de nascimento, e que em 2018 mais de 100 mil processos judiciais tramitavam na justiça por falta de pagamento de pensão alimentícia, ou seja, a sociedade é patriarcal mais a responsabilidade financeira da família sempre sobrecai sobre as mulheres.

Segundo dados de 2019, o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística constatou que a expectativa de vida dos homens é de 73 anos e para as mulheres 80 anos, no entanto, o mercado de trabalho brasileiro considera que as mulheres a partir dos 40 anos de idade já sejam consideradas velhas demais para assumir qualquer função de gestão, e as empresas que oferecem oportunidade de emprego às mulheres preferem que elas assumam funções menos importantes dentro das organizações.

O descarte de profissionais mulheres maduras do mercado de trabalho tem feito com que o número de desempregadas cresça demasiadamente, não importando se elas possuem mais diplomas ou experiência profissional em relação aos homens. Tanto é que, as oportunidades de emprego de média e alta gestão são sempre direcionadas aos homens de cor branca, descartando de imediato as mulheres, além de pardos e negros.

O pré-conceito concebido por aqueles que se encontram em posições mais elevadas dentro das organizações tem feito com que uma legião de profissionais talentosas sejam descartadas antes mesmo de terem a oportunidade de serem entrevistadas para a vaga no qual se candidatam, ou seja, a descriminação vai muito mais além da raça ou gênero, incluindo dessa maneira o preconceito da idade.


Em quase um ano de busca por uma oportunidade de recolocação no mercado de trabalho, enviei mais de 18.000 currículos profissionais tanto para vagas no Brasil como fora dele. No entanto todas as vagas abertas no Brasil, apenas uma empresa deu a oportunidade de uma entrevista, ainda que pelo telefone, as demais empresas enviavam e-mail de resposta minutos depois do envio do currículo informando que não havia interesse por parte da empresa em continuar o processo de seleção, seja porque a idade era superior ao esperado ou porque preferiam um homem para assumir a função, ou seja, no Brasil ser mulher e estar acima dos 50 anos de idade é o mesmo que ter lepra. As pessoas ficam consternadas com a situação, mas não oferecem uma oportunidade para uma profissional madura. Um absurdo em pleno século XXI, as pessoas e as empresas pensarem desta maneira.

Os efeitos nocivos do desemprego vão muito mais além do que o preconceito ou a falta de dinheiro. O desemprego causa efeitos nocivos à vida emocional, física e social das pessoas, e pode piorar  quando não se tem perspectiva de uma recolocação no mercado de trabalho a curto prazo. Para algumas pessoas esse fato pode não significar absolutamente nada, principalmente quando o pensamento é de que jamais vivenciarão este fato.

As receitas prontas de que a melhor saída para o desemprego é recomeçar tudo do zero e abrir um negócio próprio chove na internet e nas livrarias, porém não podemos achar que todas as pessoas irão se adaptar a esta nova vida ou tem reservas financeiras suficientes para investir em um negócio próprio até porque nem todas as pessoas estudadas se encontram nas classes sociais A, B ou C. Quando se é o único provedor da família e não há reservas financeiras suficientes ou não se tem tino para vendas, não é o negócio próprio que vai tirar a pessoa da situação de miséria.

O primeiro impacto do desemprego é o social, que desestrutura a família, além de fazer com que se perca o poder de compra fazendo com que as dívidas se multipliquem. A pessoa que se encontra desempregada se sente impactada com a falta de condições de prover uma vida segura e digna para a sua família, pois infelizmente quando se perde o poder de compra em uma sociedade capitalista, a classe social de antes deixa de existir. E este fato acontece principalmente com as pessoas das classes sociais mais baixas, diferente da realidade da classe média e alta, que sempre se mantêm nos melhores empregos ou são empresários de longa data.



O impacto emocional na vida de um profissional desempregado é enorme e pode gerar diversos problemas físicos, que vão desde um estresse crônico até complicações mais severas como pressão alta, diabetes, enfarte, doenças crônicas de pele, baixa imunidade e câncer.

Estudos feitos pelo jornal britânico BMC sobre desemprego durante um longo período de tempo concluiu que este fato pode causar transtornos mentais e multiplicar as doenças somáticas. O desemprego gera flagelo emocional, estresse, insegurança, desamparo e autocondenação por acreditar ser incompetente por não conseguir se recolocar, ou seja, colabora de maneira direta para diminuir a autoestima da pessoa. 

A situação piora quando pessoas próximas ou familiares daquele desempregado o acusam de não estar sendo forte o bastante para contornar a situação e buscar um emprego de maneira persistente acreditando que a pessoa está desempregada porque não quer trabalhar. Conselhos nada positivos e críticas persistentes fazem com que as pessoas em situação de desemprego se considerem incompetentes e ineficientes em sua busca por uma recolocação, mesmo elas tendo um currículo impecável ou invejável com diversos cursos internacionais no currículo, por exemplo.

A perda de emprego é um dos fatores que tem colaborado para o aumento da taxa de suicido em todo mundo, além do que, nem todas as pessoas conseguem lhe dar com as pressões do cotidiano e nem com situações adversas, o que pode acometer pessoas das mais variadas faixas etárias. A perda do emprego tem sido considerada um dos traumas mais devastadores dos tempos atuais, pois nem todas as pessoas conseguem enxergar que esta situação possa ser apenas momentânea e a qualquer momento pode mudar.

A busca frenética por uma recolocação no mercado de trabalho tem feito com que as pessoas andem diversos quilômetros por dia para enfrentar filas gigantescas que se formam desde madrugada na frente das empresas, apenas para concorrer a pouquíssimas vagas de emprego abertas. No entanto, quando se está acima dos cinquenta anos de idade, os recrutadores não leem o currículo do profissional e ainda por cima olham com desdém para aquele que busca uma recolocação mesmo em vagas inferiores a sua competência. A falta de trato daqueles que estão à frente da responsabilidade de contratarem profissionais para as vagas em aberto vão muito além do preconceito, desprezar alguém pelo gênero, raça ou idade é uma atitude cruel do ser humano.

Tão cruel que pode debilitar emocionalmente uma pessoa que esteja se sentindo a pior das espécies naquele momento, tanto é que, a depressão pode surgir como consequência da falta de emprego, a se pensar que nem todas as pessoas são resilientes para superar esta fase abrupta de mudanças.

Apesar de muitas empresas e profissionais acreditarem que todas as pessoas acima dos quarenta anos de idade sejam um estorvo para as organizações e que muitos estejam próximos de se aposentar, na verdade desconhecem a realidade do Brasil. A maioria das pessoas que se aposentam antes dos 55 anos de idade pertence à classe social A, na sua maioria funcionários públicos, e que concentram quase 30% do total de gastos da Previdência, ou seja, as pessoas que trabalham na iniciativa privada tendem a se aposentar mais tarde, com idade superior aos 65 anos e com ganho médio de 01 salário mínimo.

Em compensação, as empresas que mais faturam no país possuem renda líquida superior a 810 bilhões de dólares, quantia suficiente para investir em novos postos de trabalho, mas que preferem explorar a mão de obra barata em detrimento aos benefícios recebidos do governo brasileiro em não taxar grandes fortunas e ganhos. O mesmo país que favorece os mais ricos é o mesmo que sobretaxa os mais pobres, tira os direitos dos trabalhadores e favorece a classe social privilegiada do país.

Não são à toa que as melhores vagas de emprego são oferecidas aqueles que são oriundos das classes sociais A e B, que estudaram nas melhores escolas privadas do país e ficaram por anos estudando em universidades públicas e federais,  excluindo de vez do mercado de trabalho aqueles que não possuem “pedigree” por não terem tido a oportunidade de estudar em uma faculdade de primeira linha.

No entanto, quando há uma crise econômica rondando o país as primeiras pessoas a perderem o emprego são aquelas que dependem exclusivamente do salário que ganham em troca do seu esforço físico e mental. Quanto mais baixa for à classe social do profissional desempregado mais tempo ele levará para se recolocar no mercado de trabalho, desde que ele não seja mulher, negro, pardo ou esteja com idade superior de 50 anos.

A vida vai ficando cada vez mais difícil para aqueles que precisam se recolocar no mercado de trabalho, e continuar mantendo a família viva. Infelizmente, as expectativas de uma recolocação vão diminuindo dia após dia causando diversos problemas físicos e emocionais, além de contribuírem para o aumento da desigualdade social. Uma dura realidade para quem se encontra assim como eu nesta situação de desalento, pois por mais que se seja otimista é difícil enxergar uma luz brilhante no final do túnel!

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.


Licença Creative Commons
O trabalho Os efeitos nocivos do desemprego de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2019/11/os-efeitos-nocivos-do-desemprego.html.