MD Networking

Sabe com quem está falando?

 

Marisa Fonseca Diniz


A famosa e emblemática frase que representa tão bem algumas pessoas está cada dia mais em evidência, nunca se viu tantas noticias referente a discursos de desmerecimento alheio como nos dias atuais. A arrogância e a petulância de certas pessoas que se consideram superiores as demais é algo que impressiona pela coragem de se sentirem no pedestal da sociedade.

Eventos que aconteceram e que foram divulgados repetitivamente na grande mídia faz com que nós, os espectadores, façamos uma reflexão do tipo de sociedade em que vivemos atualmente. O desrespeito por profissionais que estão à frente da responsabilidade de coibir qualquer ação que contrarie normas, regulamentos e leis são constantemente agredidos verbalmente por certos tipos de pessoas, que tem o intuito de desmerecer a reputação de quem lhe disser o que deve ou não fazer, simplesmente pelo fato de irem contra o que de fato deveria ser respeitado.

Atitudes abusivas como estas denotam a total falta de uma educação básica baseada no respeito, onde as crianças de ontem se tornam adultos cheios de si e com total falta de empatia pelos demais indivíduos. Famílias de classes sociais mais abastadas tem um conceito muito diferente do que é educar os filhos, acreditando que dinheiro e posição social sejam mais importantes do que o respeito.

A famosa “carteirada” é mais comum do que se pode imaginar, um velho hábito do brasileiro principalmente daqueles que não tem o menor pudor em intimidar quem quer que seja. Indivíduos que  valem de suas funções e exigem tratamento diferenciado, apenas com o intuito de obter vantagens nas quais não tem direito são os que mais dão a tal carteirada.

Não obstante, determinados funcionários públicos adoram intimidar seus desafetos dizendo que conhecem ou são amigos de políticos, o que facilitaria destruir de modo condizente a vida de qualquer cidadão que os repreenda por algo que os frustre.


As pessoas que mais adotam esta frase de “você sabe com quem está falando” em geral, são indivíduos conhecidos na mídia, políticos ou filhos, funcionários públicos, policial, juízes, promotores, desembargadores, advogados, médicos, engenheiros, entre outros. A insegurança de assumir os erros que cometem acreditando que intimidando quem quer que seja por se considerarem melhores ou acima da lei tem demonstrado aos cidadãos, que a humildade está longe de ser uma atitude plausível para quem comete este tipo de delito.

Ninguém é melhor do que qualquer outro indivíduo, mesmo quem tem dinheiro ou poder nas mãos, aliás, dinheiro algum compra gentileza e respeito. Seria muito mais fácil se todos reconhecessem seus erros e assumissem suas responsabilidades.


Pessoas que se veem superiores aos demais tem personalidade narcisista, não aceitam críticas e muito menos insultos, pois não conseguem de jeito nenhum lidar com frustrações, rejeições ou derrotas, uma vez que, não possuem maturidade emocional. Quando são contrariados em suas atitudes, os narcisistas tendem a negativar a raiva, e consequentemente ficam irritados e nervosos.

A agressividade é uma reação de insegurança do indivíduo narcisista em decorrência da baixa autoestima. O interessante é que as prioridades, as opiniões ou interesses são muito mais importantes para os narcisistas do que os valores que as pessoas têm, por isso tendem a agredir ferozmente qualquer pessoa que lhes diga que estão errados em suas atitudes.

Os narcisistas acreditam que eles devem ser o centro das atenções, não importando o grau de intimidação, além do que controlar e dominar os outros indivíduos é uma atitude importante, que passa a impressão de que possuem o poder em suas mãos. O interessante é que os narcisistas se sentem especiais, únicos e exclusivos por acreditarem possuir qualidades excepcionais, que os outros não têm.

A cultura da carteirada é algo danoso para a sociedade como um todo, apesar de alguns juristas considerarem crime, a vantagem indevida muitas vezes é tratada apenas como um processo administrativo, quando na verdade este tipo de atitude deveria ser coibida desde cedo, onde as crianças deveriam receber uma educação em que prevalece o respeito.


Precisamos pensar melhor, qual o tipo de sociedade queremos para o futuro das crianças?

 

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Revolucionando a construção: “Tijolo Verde”


Marisa Fonseca Diniz



Um projeto desenvolvido durante dois anos no Laboratório de Chalkers da Flinders University tendo a colaboração de Ryan Shapter, Nicholas Lundquist, Alfrets Tikoalu entre outros constatou a criação de um novo polímero de borracha capaz de ser utilizado juntamente com PVC reciclado, resíduos de fibras de plantas ou areia como base para a produção de novos materiais de construção mais sustentáveis.


Esse novo polímero é feito com o próprio polímero de borracha, enxofre e óleo de canola comprimido e aquecido, que serve como composto para a criação de novos materiais de construção é o que afirmam os pesquisadores. Justin Chalker professor associado de química orgânica da Flinders University afirma que este método é o futuro da produção de materiais da construção, tais como tijolo e concreto.

Segundo o estudo, a borracha em pó pode ser utilizada para fazer tubulação, revestimentos de borracha, para-choque, blocos de construção e isolamento de concreto. O principal autor do estudo, Flinders PhD, Nic Lundquist diz que este novo método de reciclagem e os novos compostos são um importante passo para a fabricação de materiais de construção sustentáveis, uma vez que este material poder ser triturado e reciclado diversas vezes, além do que, as partículas de borracha também podem ser utilizadas para purificar a água e depois serem reaproveitadas para produzir um tapete ou um tubo de borracha.

O interessante é que esta nova técnica de fabricação e reciclagem denominada como moldagem por compressão reativa é aplicada ao material de borracha que pode ser comprimido e esticado, e não derrete, uma vez que a estrutura química da estrutura principal do enxofre na nova borracha permite que várias peças de borracha se unam, ou seja, é possível fazer tudo com ela sem correr o risco de perder a peça.

A professora associada Chalker e a colaboradora Dr Louisa Esdaile e outros pesquisadores da Flinders University, da Deakin University e da University of Western Australia concluíram a importância desse método, uma vez que existem poucos métodos capazes de reciclar o PVC e a fibra de carbono.
O interessante nesse estudo é que as pesquisas tem encontrado um novo rumo para materiais antes descartados na natureza, poluindo o meio, e que agora podem ter uma nova utilidade. Que mais pessoas possam usufruir deste método e reaproveitar e reciclar materiais a serem utilizados em indústrias do mundo todo.

(Fonte de Referência: Flinders University. "Bricks made from plastic, organic waste: New binding solution targets construction uses." ScienceDaily. ScienceDaily, 26 May 2020)

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Linkedin, uma rede de narcisistas para narcisistas


Marisa Fonseca Diniz




Nem todas as redes sociais que parecem ser boas, de fato são, muitas escondem por trás dos perfis e dos inocentes feeds uma forte toxidade, que acaba contaminando todos os usuários, desde os mais ingênuos até os mais experientes.  

Depois de sete anos tendo um perfil na antiga rede profissional LinkedIn, decidi em  2016 excluir o perfil com quase 10 mil contatos, uma atitude que para muitos poderia ser considerado uma loucura, no entanto, com o advento da compra da rede pela então empresa Microsoft comecei a ter uma série de problemas, e uma delas me causou diversos prejuízos materiais e morais, já que na época vinha sofrendo com a invasão de um cracker no meu computador e perfil, e que de nada resolveu tentar conversar com os responsáveis da rede, no qual se eximiram de qualquer responsabilidade, o que acabou se tornando um verdadeiro estorvo.

Conhecida mundialmente como sendo uma rede profissional direcionada a profissionais interessados em networking de negócios ou recolocação no mercado de trabalho acabou retornando à rede no final do ano de 2017, tempo suficiente para perceber que a rede aos poucos vinha definhando em questão de qualidade tanto para negócios como para oportunidades de trabalho.

Apesar de ser uma rede profissional com milhões de profissionais cadastrados em todo mundo, a rede deixou de ser atraente após a venda à Microsoft. Infelizmente, nem todas as redes proporcionam qualidade a seus usuários. Atualmente o  LinkedIn se tornou uma rede exclusiva de “profissionais milagreiros”, coaches, entendidos, e especialistas sem terem trabalhado na área em que se autointitulam doutores, sem formação acadêmica, seja graduação, especialização ou doutorado no assunto. Além do que, há muitas promessas de ganhar dinheiro fácil, sem muito esforço, mas com muita propaganda enganosa para conquistar um público ingênuo disposto a pagar por e-books, palestras e conselhos de autoajuda financeira, o que por sinal trás muita rentabilidade financeira à Microsoft. 

Os influencers do LinkedIn vivem em um mundo a parte, a elite do mundo contemporâneo, que recebem muitos likes e comentários, carreira esta desejada por alguns usuários, mas que ninguém sabe se quer como chegaram ao posto. Supostamente por terem muitos seguidores na rede, não necessariamente sendo um especialista na área, pois o intuito é atrair o público para a rede, a fim de que mais pessoas se cadastrem e consequentemente haja mais vendas de conta premium.

O Linkedin é uma rede de pessoas entendidas em LinkedIn:

Ø Como ter um perfil campeão;

Ø Como ter mais de 10 mil seguidores;

Ø Como ser notado;

Ø Como se tornar rico sem muito esforço;

Ø Como ter o melhor emprego;

Ø Como conseguir poder;

Ø Como ser um líder que influencie outras pessoas.

O Linkedin praticamente é uma rede de narcisistas para narcisistas, não, não estou falando do Facebook ou do Instagram, e sim do LinkedIn, onde há muitos egos inflados.

No Linkedin é proibido discordar de postagens, usuários com opinião são duramente criticados, se o usuário for opinar sobre política ou economia pode ser brutalmente ofendido, a ética não existe por lá, o que existe na verdade é uma porção de pessoas que se dão o direito de autojulgarem quem quer que discorde de determinados posicionamentos, ou seja, se a maioria concorda com que está exposto, quem é você para discordar?



O Pulse do Linkedin é outra plataforma emblemática, que mostra como algumas pessoas tem a necessidade de mostrar seu comportamento egocêntrico. Os temas são todos praticamente voltados para si mesmos, não para uma organização, uma equipe de trabalho ou conhecimentos técnicos. O que demonstra perfeitamente o quanto as pessoas são narcisistas, e como atraem outras pessoas com comportamento semelhantes.

Particularmente prefiro ler artigos de profissionais da minha rede que não escrevem no Linkedin, apenas publicam os links de seus artigos que se encontram fora da plataforma, e que se diga são excelentes, mas que se fossem escritos na rede não seriam lidos, já que a maioria prefere quem encha o ego.

A rede também tem uma peculiaridade interessante para quem busca uma oportunidade de trabalho, as centenas de vagas anunciadas diariamente no Linkedin nem sempre de fato existem, mas escondem uma rede de sites que atraem desempregados para cadastrar o currículo e depois oferecerem serviços pagos de recolocação. Muitas empresas chegam a lotar diariamente a caixa de e-mail dos candidatos com anúncios de artigos, lives, cursos, palestras, e-books e serviços de recolocação com um preço bem acima do praticado no mercado em plena época de recessão econômica e alta taxa de desemprego.



Na rede há muitos profissionais que atenderiam perfeitamente as vagas de emprego que buscam o “super-homem”, perfis impecáveis, graduação em universidade de primeira linha, MBA internacional, idiomas fluentes, experiência em multinacional, mas que infelizmente continuam desempregados, há anos. A diversidade de perfis é enorme daria para encher um banco de vagas facilmente com pessoas capacitadas, mas as empresas que buscam o tal “super-homem”, não estão interessadas em pagar um salário que faça jus a experiência ou capacidade dos profissionais, e por fim acabam refazendo o anúncio da vaga de emprego diariamente.

O Linkedin é uma rede brochante que faz a pessoa considerada normal se sentir um incompetente, principalmente os profissionais que não pertencem às classes sociais mais abastadas, pois sucesso é ter poder, influências e dinheiro. Quem não faz uma faculdade de primeira linha ou um intercambio no exterior nem é avaliado pela empresa, que antecipadamente já o considera inapto para assumir qualquer função, mesmo quando o profissional é considerado uma pessoa com inteligência acima da média.

A rede também oferece uma gama enorme de negócios, muitos por sinal, fraudulentos, mas, que só são percebidos depois que o golpe do dinheiro fácil for aplicado. Não se desespere porque reclamar para a central do Linkedin sobre o fato não resolverá absolutamente nada, pois irão se isentar completamente da responsabilidade em manter a rede segura, a culpa por sinal é sempre do usuário que não soube configurar o seu perfil de maneira segura.

Um fato interessante que ocorre diariamente no LinkedIn é a facilidade que as pessoas tem de acreditarem 100% em tudo que divulgam na rede, sem ter um filtro do que é enganoso ou duvidoso. Na rede tudo é lindo, maravilhoso e não há crise, o que há é uma parcela de pessoas que se deixam enganar pela manipulação em massa. A vida virtual de certos profissionais parece realmente como o País das Maravilhas, não há recessão, desemprego e todos são emocionalmente estáveis, sem problema algum.

Outros indivíduos insistem em mostrar o crachá, a mesa em que desempenham suas funções, os presentes que ganham no primeiro dia de trabalho e relatar por escrito que trabalham na melhor empresa e tem o melhor emprego do mundo, além de pessoas que colocam fotos aleatórias em seus perfis como da viagem com a família, do cachorro, do papagaio e fotos sensuais, o que é perceptível à necessidade de se autoafirmarem e terem a aprovação do público da rede. Casos como estes mostram insegurança por parte do profissional e uma arrogância em querer dizer e mostrar o que não interessa aos demais.



Com a recessão econômica no mundo todo, os profissionais precisam se adaptar a nova realidade, não se concentrarem em apenas uma rede profissional, abrindo assim um leque de oportunidades e se inovando. Fazer cursos gratuitos pela internet e se adaptando a novas oportunidades de trabalho, principalmente remotamente. É interessante que as pessoas aprendam a ampliar seus conhecimentos, não apenas na área em que atuam, a fim de que possam também buscar emprego em outras áreas. Ler livros virtuais pode ser uma ótima alternativa para quem não possui muito dinheiro para gastar, mas que desejam aprender um pouco mais. Abaixo deixo alguns links de livros virtuais:





O mercado de trabalho precisa absorver uma boa parte dos desempregados, e é certo que isso pode levar um longo tempo para acontecer, e não podemos desanimar. Há muitos jovens desempregados bem como muitas pessoas acima dos 50 anos de idade, que estão longe de se aposentar, assim como eu, e que estão aptos para trabalhar.

Portanto, quando pensar em buscar uma nova recolocação de trabalho não se prenda há conselhos irreais nas redes sociais, muito menos no Linkedin, onde há muitos milagreiros prometendo sucesso em plena recessão, faça diferente, cadastre o seu currículo nos sites das empresas, não perca seu precioso tempo com futilidades, que além de não acrescentarem nada de bom na vida ainda podem deixar um rastro de raiva por acreditar que você tem o pior currículo do mundo. 



Para finalizar este artigo, não vou deixar dicas de como ficar rico da noite para o dia, mas sim vou deixar o link dos blogs, onde há artigos interessantes para conhecimento geral, saia do mundo bitolado das redes sociais e profissionais que prometem muito e no final fazem muito pouco pelas pessoas, uma vez que o interesse delas é exclusivamente financeiro. O Projeto MD Networking Publicações surgiu no final do ano de 2012 com a finalidade de levar conhecimentos a várias pessoas ao redor do planeta, portanto aqui fica meu convite para conhecer os blogs e seja bem vindo!





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Rodovias ecológicas, a favor do meio ambiente


Marisa Fonseca Diniz



O setor que mais polui o meio ambiente é a construção civil, sendo responsável pelo consumo de quase 75% de toda matéria-prima produzida no mundo, sendo que cada ser humano é responsável por produzir 500 quilos de entulho, o equivalente a 3,5 milhões de toneladas por ano.

O entulho gerado pela construção é composto de praticamente restos e fragmentos de materiais de obra, tais como gesso, asfalto, amianto, madeira, papel, plástico, ferros, entre outros, que são passíveis de serem reciclados e até mesmo reaproveitados. A reciclagem desse material é feita em três etapas, a saber: triagem, trituração e classificação dos materiais.

O pneu que compõe os veículos motorizados é outro produto que demora 600 anos para se decompor na natureza, e que assim como o entulho pode ser reaproveitado e reciclado. No Brasil são mais de 450 mil toneladas de pneus descartados todo ano, já no mundo são produzidos a cada ano mais 1,6 bilhões de pneus novos e cerca de 1 bilhão de pneus usados são descartados, no entanto apenas 100 milhões de pneus são reciclados, o que faz com que muitos pneus continuam sendo abandonados no meio ambiente sem um destino certo.



Pensando nisso, uma equipe de pesquisadores liderados por Mohammad Boroujeni da RMIT University, em Melbourne, na Austrália desenvolveu uma pesquisa única no mundo em que combina restos de entulho de construção e borrachas recicladas, que são otimizadas para atender os padrões de segurança da engenharia rodoviária.

Esta mistura foi projetada para ser utilizada nas camadas de base do asfalto por ser uma mistura mais flexível que os atuais materiais padrões utilizados, o interessante é que este tipo de material além de trazer benefícios ambientais, também colabora com a engenharia, uma vez que, proporciona menos rachaduras nas rodovias.

Para o pesquisador chefe desta pesquisa, esta mistura é uma alternativa 100% reciclada que oferece um produto mais sustentável por reaproveitar pneus e resíduos de construção fornecendo maior flexibilidade e resistência às estradas e rodovias, diferente da brita e areia utilizada como base das rodovias australianas, que são insustentáveis por serem materiais extraídos da natureza.



Segundo os pesquisadores, as estradas são feitas de quatro camadas: subleito, base, sub-base e asfalto. Todas as camadas devem ser fortes e resistentes para suportar as pressões dos veículos pesados, e flexíveis o suficiente para permitir a quantidade certa de movimento para que não deforme ou apareçam facilmente rachaduras.

RCA, como é chamado esta mistura, pode ser utilizado sozinho como camada base, testes feitos na RMIT School of Engineering comprovaram que esta mistura de entulho e borracha tem melhor resistência contra ácidos, água, estresse das vias, deformação do asfalto, além de possuir mais força e dinamismo, pois há baixa contração e uma excelente flexibilidade que reduz os riscos de rachadura do asfalto.

A equipe identificou que a proporção para que esta mistura dê bons resultados é de 0,5% de borracha fina para 99,5% de RCA, a fim de proporcionar resistência ao cisalhamento (física), mantendo uma boa coesão entre os dois materiais. Cisalhamento é o fenômeno de deformação ao qual um corpo está sujeito quando as forças que sobre ele agem provocam um deslocamento em planos diferentes, mantendo o volume constante.

Que logo possamos ter este produto comercializado no mercado mundial, a fim de que todos possam se beneficiar colaborando com a preservação do meio ambiente, do mesmo modo que alguns asfaltos ecológicos já existentes no mercado fazem como é o caso do bioasfalto.

(Fonte de referência: RMIT University - ScienceDirect - An experimental study on the shear behaviour of recycled concrete aggregate incorporating recycled tyre waste. Construction and Building Materials, 2020)

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Nem tudo está perdido...


Marisa Fonseca Diniz



A vida nem sempre pode ser baseada em momentos fugazes, principalmente durante uma pandemia, seja ela por um vírus mortal ou por uma situação que foge a normalidade diária. Muitas pessoas necessitam de contato direto com outras pessoas para se sentirem confortadas em sua vida, seja um familiar, um amigo ou um companheiro de trabalho, não importa, a necessidade de ser agraciada por um abraço, uma conversa despretensiosa faz toda a diferença na vida de muitos indivíduos.

De alguns anos para cá, a quantidade de pessoas que moram sozinhas mais que dobrou em todo mundo, só nos Estados Unidos, por exemplo, 34 milhões de pessoas moram sozinhas, no Brasil são 30 milhões de pessoas que estão nesta mesma situação. A família unipessoal é uma realidade dos tempos contemporâneos, infelizmente ainda há muitas pessoas que desconhecem este conceito de família e equivocadamente acreditam que quem vive sozinho é uma pessoa solitária.

Não obstante, nem todas as pessoas que vivem sozinhas de fato optaram em viver dessa maneira, os indivíduos acima dos 60 anos em geral acabam perdendo seus cônjuges ou parceiros e consequentemente adotam este novo estilo de vida, principalmente quando eles possuem uma situação financeira que os beneficiem em ter uma vida mais confortável. Diferentemente das pessoas que estão em situação de maior vulnerabilidade financeira, que acabam ficando sem opção e vão morar com os filhos ou vão morar em casas de repouso.




Os jovens por sua vez, estão cada dia saindo mais tarde da casa dos pais por diversos fatores, falta de emprego e oportunidades ou dependência financeira, no entanto, há ainda aqueles que são favorecidos financeiramente e optam por morar sozinhos nas grandes cidades ao redor do mundo para desenvolver suas atividades profissionais ou estudar. Para estes indivíduos viver sozinho é uma opção muito agradável e adaptável à nova realidade dos tempos atuais.

O advento do coronavírus que aconteceu no mundo todo, fez com que muitos governos aconselhassem que idosos e portadores de  doenças crônicas ficassem dentro de seus lares, longe de amigos e familiares para evitar que fossem contaminados pelo vírus. No entanto, alguns cientistas sociais americanos ficaram preocupados com este isolamento acreditando que uma nova pandemia pudesse surgir, a da solidão. A solidão é um sentimento no qual uma pessoa pode ter uma profunda sensação de vazio e isolamento, no entanto, este acontecimento pode acontecer com pessoas que vivem rodeadas por outras pessoas também, e não apenas naquelas que vivem sozinhas.

Um estudo recentemente publicado na Revista American Psychologist  com o objetivo de medir a solidão neste tempo de quarentena constatou justamente o contrário. Uma equipe de pesquisadores liderados pela professora associada de ciências comportamentais Angelina Sutin da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual da Flórida analisaram o comportamento de 1500 americanos entre 18 a 98 anos no período de janeiro a abril.

A pesquisa tinha como objetivo analisar como a solidão poderia influenciar a saúde psicológica e física dos participantes. Os participantes da pesquisa preencheram um questionário pelo computador sobre como eles se sentiam sozinhos ou isolados, se tinham pessoas a quem recorrer e se tinham doenças preexistentes.

O questionário apresentava uma escala de 1 a 3, onde 1 era pouco solitário e 3 muito solitário, a pontuação foi de 1,69 na primeira pesquisa, 1,71 na segunda e 1,71 na terceira, ou seja, no período de uma pesquisa para outra, não houve uma estatística significante.  

Dentro deste parâmetro percebeu-se que algumas pessoas relataram que eram recém-solitárias e outras se sentiram menos solitárias ao longo do tempo. Os pesquisadores relataram que não encontraram diferenças raciais nas respostas, mas que, no entanto fizeram uma análise etária e descobriram que as pessoas com 65 anos ou mais tendem a ser mais solitárias do que aqueles que estão na faixa dos 18 a 64 anos.Em termos percentuais, a prevalência da solidão entre as pessoas com 65 anos a mais passou de 16%  na primeira entrevista para 21% na segunda e depois caiu para 18% na terceira.

Uma carta de pesquisa publicada no Jornal da Associação Médica Americana - JAMA em junho por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins citaram a pesquisa nacional realizada entre abril e maio de 2018, antes da pandemia, em que 11% dos americanos relataram que se sentiam sozinhos. Pesquisadores da própria universidade elaborou sua própria pesquisa nacional em abril de 2019 com outros participantes e constataram que 13,8% dos entrevistados disseram se sentir um pouco sozinhos.



Em plena pandemia do coronavírus há outras duas pesquisas em andamento, a primeira liderada pelo psicólogo Jonathan Kanter da Universidade de Washington. Nesta pesquisa, os pesquisadores enviam mensagens de texto pelo celular para as pessoas de Seattle e outras regiões dos Estados Unidos pedindo-lhes que preencham um questionário que inclui quanto de interação social eles tiveram naquele dia, se sentiram compreendidos ou cuidados por outras pessoas e se gostavam de ficar sozinhos.

Psicólogos dizem que a relação do estudo da solidão com o uso das mídias sociais por adolescentes e adultos podem acarretar sintomas de depressão e ansiedade associado a problemas físicos como dores de cabeça e falta de ar, por exemplo, como sendo uma resposta à pressão social. E que isso não acontece quando estão em contato com familiares. Os altos índices de solidão antes da pandemia não são dados satisfatórios, por isso há a necessidade de pesquisas constantes durante a pandemia, a fim de saber até que ponto isso pode interferir na saúde mental das pessoas.

Outros estudos indicam que o isolamento social crônico pode trazer consequências negativas até mesmo para pessoas saudáveis como o aumento de desenvolver uma doença coronária. De certa maneira todos os estudos evidenciam que pessoas acima dos 60 anos de idade, quando isoladas por um período longo podem desenvolver um risco acentuado de demência, enquanto que pessoas que sofrem com a solidão têm até quatro vezes mais risco de morrer.

O pesquisador Oliver Hamming do Instituto de Epidemiologia, Bioestatística e Prevenção da Universidade de Zurique publicou em agosto de 2019 um artigo na revista Plons One, onde relatava que pessoas socialmente isoladas, independente da idade tendem a apresentar comportamentos pouco saudáveis, ou seja, o isolamento pode ser muito prejudicial a determinados grupos de pessoas, tais como idosos, crianças, adolescentes, pessoas com transtornos mentais, além de profissionais da área da saúde, nos quais podemos notar que, durante a pandemia tem sido as mais acometidas pelo coronavírus, sendo que muitas nem conseguem sobreviver.



O ser humano por si só é um ser sociável, sendo o isolamento muitas vezes prejudicial à maioria dos indivíduos que não estão acostumados a viver muito tempo sozinho. Um projeto de atendimento online baseado na experiência de outros países foi criado no Brasil para que pessoas que se sentem sozinhas e isoladas durante a pandemia possam ter apoio emocional.

Nem tudo está perdido e esta pandemia vai passar, com certeza ficaremos seres mais fortes e melhores com estas experiências!

(Fontes de Referência de Pesquisa - Sites: npr.org , ourworldindata.org, self.inc, e revistapesquisa.fapesp.br)

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Impacto voraz das oscilações marítimas


Marisa Fonseca Diniz

Quando falamos em algo voraz sempre temos em mente situações perigosas ou ferozes, no entanto, o propósito deste artigo é na verdade abrir uma página para o conhecimento ambiental, que muitas pessoas desconhecem como é o caso das ondas marítimas.
Não ondas comuns e sim aquelas, que quando encontramos pela frente podem nos colocar em situações de perigo extremo. No entanto, não podemos deixar de falar sobre o que são e como elas se formam, necessitando um pouco de conhecimento em física para um bom entendimento sobre o assunto.
Aprendemos desde pequenos que as ondas se formam a partir do sopro dos ventos na superfície do mar, ou seja, o vento quando bate na água causa uma ondulação de 1 a 2 cm que são as ondas conhecidas como capilares.


Quanto mais forte e duradouro for o vento, maior será a altura da onda. As ondas são compostas basicamente por crista, cavado (ou cava) e a rebentação. A crista como se pode imaginar é a parte mais alta da onda, o cavado é a base da estrutura que sustenta a onda e a área de rebentação é onde a onda se quebra.



É interessante observar que à medida que a onda vai percorrendo a superfície do mar em direção à costa, a crista vai ficando cada vez mais alta e o cavado cada vez mais perto da areia. Em um determinado momento, a onda perde o equilíbrio e quebra por cima do cavado, podendo quebrar na área de rebentação de diversas maneiras.

China Beach – San Francisco, CA

Há duas formas de rebentação, a mergulhante e a deslizante. A mergulhante se quebra e forma os famosos tubos d’água e as deslizantes acontecem em locais rasos. Para um melhor entendimento as ondas deslizantes são aquelas que quebram gradativamente e suavemente antes de chegar mais perto da costa.


Algumas das ondas mais perigosas no mundo são as seguintes:

Cyclops


Este tipo de onda acontece em águas abertas na parte oeste da Austrália Ocidental. Consideradas as ondas mais violentas do planeta, possui um formato diferente das demais, sendo consideradas muito perigosas para os surfistas que se aventuram a pegá-las. Estas ondas são imensas e tendem a empurrar os surfistas para os corais no fundo do mar.

Teahupoo


Este tipo de onda ocorre no Taiti, apesar de ser adorada pelos surfistas é também uma das mais temidas no mundo. A localização geográfica privilegiada do Taiti proporciona que ondas gigantes sejam formadas entre o Circulo Polar Antártico, o sul da Austrália e a Nova Zelândia. A ilha de origem vulcânica é sedimentada em todo o seu entorno por corais, que deixam a água cristalina e com uma cor azul turquesa maravilhosa.

No entanto, a beleza dessa água pode ocultar certos perigos para os surfistas, uma vez que este tipo de onda é formada através da rápida transição das águas profundas com as rasas, não permitindo que a onda perca energia antes de encontrar a plataforma de coral na qual ela se quebra.


Essa variação abrupta e a profundidade tende a transformar toda a energia gerada pelos ventos extremos a milhares de quilômetros de distância em tubos perfeitos, ou seja, por trás de toda há uma voracidade que pode ser fatal para quem se habilita enfrentá-la sem ter preparo algum.



Shipsterns Bluff



Este tipo de onda acontece na Tasmânia, próximo à Austrália, mais conhecida como Devil's Point, o mais interessante neste tipo de onda é que ela acontece em uma região infestada por tubarões. Cair de uma onda dessas é correr o risco de ser mordido por um dos maiores predador dos mares.

Dungeons


Este tipo de onda acontece no Oceano Atlântico na ponta da África do Sul podendo ter até 15 metros de altura, o bom é que elas não se quebram em cima dos bancos de corais, mas a água congelante do oceano é infestada de tubarões.

Banzai Pipeline


Banzai Pipeline ou simplesmente Pipe, ocorre em Oahu no Havaí,  uma zona de surf internacionalmente conhecida por suas ondas tubulares e perfeitas, que podem ultrapassar os 3 metros de altura.

Este tipo de onda é considerada muito perigosa para os surfistas, simplesmente porque ela quebra no fundo raso onde há pedras, o que pode causar diversas lesões e até mortes para quem se aventura por lá.

Nazaré


As temidas ondas gigantes de Nazaré em Portugal ficaram famosas no ano de 2011, quando o surfista Garrett Mcnamara surfou uma onda de 23,8 metros de altura, entrando dessa maneira para o Guiness Book, mais tarde este recorde foi quebrado outras duas vezes.

A formação das ondas nesta região é bem interessante de se conhecer, pois o promontório de Nazaré é uma região dividida em praia do sul e do norte, que é uma enorme falha submersa que se aproxima 500 metros da costa, interessante saber que este local é muito visitado pelos turistas devido o famoso farol onde se encontra o Canhão de Nazaré.




A região entre a falha e o promontório desenha um fenômeno geomorfológico raro, em que a água é engolida pelo cânion subaquático no decorrer de seus 211 km de extensão encontrando a parte do oceano próximo à costa da praia do norte, onde os  ventos fortes formam as grande ondas de Nazaré.

A natureza é maravilhosa, no entanto, cabe a cada um de nós não enfureça-la, pois vimos neste artigo que ventos extremos podem formar ondas perigosíssimas para quem se aventura a enfrentá-las.

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O trabalho Impacto voraz das oscilações marítimas de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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