Quero ter um milhão...


Marisa Fonseca Diniz


Como a própria música de Roberto Carlos diz, quero ter um milhão de amigos, não, não quero não, pois todas as pessoas que conheço que possuem um milhão de amigos tentam mostrar aquilo que não são principalmente nas redes sociais, a grande maioria sofre de depressão e tem crises de ansiedade, e no fundo estão sempre sozinhas. Na verdade quero continuar com meia dúzia de amigos reais, que mediante qualquer problema estão ao meu lado para compartilhar tristezas e alegrias.

Esse negócio de querer ter um milhão de amigos é tão penoso quanto ser famoso e ter mais de um milhão de dólares na conta corrente, porque no final felicidade não se compra e só atraí gente falsa e interesseira. Quero mesmo é ter um milhão de oportunidades para poder esbanjar felicidade e compartilhar com aqueles que talvez não tenham esta mesma sorte.

Queria ter mesmo é uma saúde de ferro para poder correr o mundo a fora levando conhecimentos aqueles que não tiveram a oportunidade de ter um bom estudo. Modesta parte preferia mesmo é ter um milhão de visitantes diários nos meus sites para poder levar as novidades do novo mundo àqueles que se encontram do outro lado do Oceano Atlântico e Pacífico.



A vida poderia ser muito melhor se eu tivesse um milhão de pedras coloridas, valiosas e as leiloa-se para ajudar em causas humanitárias, pois não podemos fechar os olhos achando que nada acontece ao nosso redor. Milhões de pessoas, incluindo crianças morrem vítimas de violência e desnutrição no mundo. Enquanto isso algumas pessoas fúteis e hipócritas acreditam que sua vida deve ser repleta de viagens inúteis, além de esbanjar um guarda-roupa cheio de marcas famosas e participar de eventos medíocres que nada acrescentam.

Adoraria ter um milhão de litros de óleo de peroba para presentear os políticos que insistem em achar que são os seres mais honestos do mundo, mesmo sabendo que receber dinheiro ilícito não é tão legal quanto parece, pois no final quem paga a conta dessa roubalheira toda são os cidadãos de bem.

Queria ter um milhão de leitos vagos e bem equipados para acolher os cidadãos que passam horas e dias jogados no chão dos hospitais públicos no território nacional por falta de boa vontade e capacidade dos gestores públicos em administrarem o dinheiro público de maneira eficiente.

Criaria milhões de clínicas populares que oferecessem serviços de qualidade ao público que pudesse pagar uma taxa única para ter um serviço médico especializado, sem que os pacientes tivessem que ficar implorando atendimento e se sentissem explorados em sua ingenuidade por aqueles que  deveriam respeitar os direitos de consumidor. Converteria a taxa única paga pelos pacientes às instituições sem fins lucrativos que cuidam de pacientes com câncer e doenças raras, que são totalmente ignorados e morrem sem terem condições físicas e financeiras para se tratarem.

Adoraria construir mais de um milhão de escolas equipadas com os mais avançados e modernos equipamentos tecnológicos, doar diversos livros e disponibiliza-los em um grande espaço para que crianças e jovens carentes pudessem ter acesso ao conhecimento sem precisar ficar mendigando atenção de profissionais despreparados.

Com mais de um milhão construiria espaços esportivos e escolas  técnicas gratuitas de qualidade nas comunidades carentes espalhadas no território nacional, a fim de oferecer uma oportunidade de futuro melhor aos jovens que são ignorados pela sociedade e pelos governantes deixando-os na mira do crime organizado que os alicia para o mundo do crime.

Gostaria de receber um milhão de desculpas daqueles que se consideram o “dono do mundo” e que não respeitam os Direitos Humanos por acharem que estão acima de qualquer lei. Gostaria que milhões de pessoas respeitassem as diferenças entre os cidadãos, pois negros, pobres, mulheres e homossexuais tem sido as maiores vítimas da intolerância humana.

Que fosse criado um milhão de empregos diários para que todos tivessem a mesma oportunidade de trabalhar, sem ter que ficar mendigando o pão diariamente pelas ruas das cidades. Que não houvesse discriminação de idade, raça ou opção sexual.

Que mais de um milhão de moradias fossem construídas para que todas as pessoas pudessem ter um teto que as protegessem contra o frio ou o calor excessivo, pois poucos indivíduos entendem que quem mora na rua já perdeu a pouca dignidade que tinha. Adoraria que não houvesse distinção de classes sociais, pois a miséria está cada dia crescendo mais e mais, enquanto uma minoria de bilionários detém toda a riqueza do mundo escravizando pessoas ingênuas e ignorantes em troca de altos lucros.

Milhões e milhões de alimentos são desperdiçados diariamente por pessoas que não se importam com aqueles que estão lutando para sobreviver porque não tem nem uma gota de água potável para alimentar seus filhos. É a vida está ficando cada dia mais difícil, as oportunidades são raras, mas a intolerância é bem alta. As pessoas tem deixado o amor de lado, mal sabem o significado da empatia e acreditam que são superiores a todos, não se importando com a dor ou os direitos alheios.



Imagino, se Jesus Cristo retornasse ao mundo hoje, com certeza não seria crucificado e sim metralhado, mas antes seria colocado no banco dos réus por perdoar e ajudar os indefesos e acreditarem que ele na verdade era um comunista, já que quem se coloca no lugar do outro assim é considerado.


Pena, que muitos ainda não se deram conta de que não é o dinheiro que faz uma pessoa ser melhor que a outra, e sim suas atitudes humanas, se colocando no lugar do outro, respeitando as diferenças, sendo gentis e oferecendo ajuda sem ficar esperando algo em troca.


Que o próximo ano seja muito melhor que o que está terminando e que todos possam refletir sobre seus atos, caso contrário todos, sem exceção, sofrerão as consequências destes atos tão covardes, irresponsáveis e maquiavélicos. Que haja mais amor, compreensão, paz, respeito tolerância e benevolência com o próximo.

Pense sobre isso, qual o mundo que você espera ter nos próximos anos?

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.


Licença Creative Commons
O trabalho Quero ter um milhão... de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2018/12/quero-ter-um-milhao.html.

A vida na Terra está se tornando insuportável


Marisa Fonseca Diniz


A Revolução Industrial teve um marco significativo na construção da economia das nações ao mesmo tempo em que, contribuiu para o aumento da degradação do meio ambiente. O capitalismo foi consolidado pela revolução mundial, onde a indústria era considerada uma atividade econômica de vanguarda.



No entanto, no final do mês de novembro, 2018, a Organização das Nações Unidas, ONU, Meio Ambiente divulgou um relatório no qual relata que as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) aumentaram no ano de 2017, após três anos sem ter qualquer tipo de alteração no nível de emissão. O CO2 é um gás que retêm o calor na atmosfera e é amplamente responsável pelo aumento das temperaturas ao redor do planeta de acordo com pesquisas científicas. O fato é que, os países em sua maioria tem feito vista grossa para o Acordo de Paris que estipula que o aquecimento global fique abaixo dos 2ºC com relação aos níveis pré-industriais.


O relatório da Eco Experts de 2018 confirmou que os níveis globais de poluição por ar, luz e ruído tem um impacto real sobre a saúde e o bem-estar das pessoas, por outro lado a Organização Mundial da Saúde, OMS, afirma que nove em cada dez pessoas em todo o mundo respiram ar poluído. O agravante nos dados da OMS é de que cerca de 7 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência da poluição, pois partículas finas de ar poluído penetram profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, causando doenças como derrame, câncer de pulmão, infecções respiratórias, tais como pneumonia, doenças cardíacas, entre outras 100 espécies de doenças que surgem no decorrer dos anos.

É mais alarmante pensar que o relatório de 2018 da The Lancet Countdown, Tracking Progress on Health and Climate Change, mostra que o aumento das temperaturas é o resultado da mudança climática, no qual tem colocado em risco a saúde de idosos e crianças prematuras principalmente àqueles que vivem nas regiões da Europa e a leste do mediterrâneo, que tem ultrapassado as temperaturas atuais da África e do sudeste asiático.

Na Europa e no Mediterrâneo Oriental a proporção de idosos acima dos 65 anos está em entorno dos 43%, sendo eles mais vulneráveis ao calor, acima dos 38% do total de vulneráveis na África e 34% na Ásia, ou seja, no ano 2015 milhões de pessoas morreram em consequência de doenças causadas pelo ar poluído.

Gregor Kiesewetter, pesquisador do IIASA liderou uma equipe do programa de pesquisa Poluição do Ar e Gases de Efeito Estufa, no qual, estimou os perigos da poluição do ar à saúde humana e as mortes devido a esse problema. Kiesewetter e sua equipe de pesquisadores descobriram que apenas o carvão corresponde a 16% das mortes prematuras relacionadas com a poluição, ou seja, cerca de 460.000 (Fonte: International Institute for Applied Systems Analysis - Nov/2018).

A urbanização é uma das grandes fontes de poluição, o que implica diversos problemas ambientais, tais como o aumento do volume de esgotos, os congestionamentos de tráfego, a quantidade de lixo produzido, entre outros, tanto é que pesquisas revelam o quanto a poluição tem destruído o meio ambiente das grandes cidades ao redor do mundo.

Não apenas as indústrias, o transporte, a geração de energia e agricultura contribuem para o aumento da poluição como também as residências que utilizam combustíveis sólidos como a biomassa e o carvão. As alterações climáticas vêm contribuindo com o aumento do calor e das temperaturas em todo planeta, o que agrava a poluição atmosférica urbana, sendo o principal propagador de doenças como a cólera e a dengue.



É interessante ressaltar que a mudança de temperatura global média à qual os seres humanos estão expostos é mais do que o dobro da mudança média global, ou seja, 0,8 ° C versus 0,3 ° C. Hugh Montgomery,diretor do Instituto de Saúde Humana e Performance da University College London, alega que o estresse calórico tem causado problemas de saúde adjacente em idosos urbanos, tais como diabetes e doenças renais crônicas.



A World Weather Attribution Study afirma que 2018 foi o ano muito mais quente que os demais em diversas áreas do mundo, o que acarretou um aumento a quantidade de áreas acometidas por incêndios, como é o caso do norte da Inglaterra, a Califórnia e a Austrália provocando mortes diretas, perda de casas, deslocamento de pessoas e impactos respiratórios.

A América do Sul e o sudeste da Ásia estão entre as regiões mais expostas a enchentes e secas acarretando queda no rendimento das safras agrícolas em todas as regiões à medida que os extremos do clima se tornam mais frequentes e mais drásticos.

O Relatório de Riqueza Inclusiva 2018, ONU Meio Ambiente, mostra que a riqueza média global está aumentando em detrimento à custa de ativos ambientais, como água, ar limpo, florestas e biodiversidade.

O relatório Eco Experts 2018 analisou dados sobre poluição do ar, luz e ruído de 48 cidades no mundo. As cidades que ficaram nas três primeiras posições como sendo as mais poluídas são as seguintes:

1ª Posição - Cairo, Egito (Pontuação: 95.8361)



O estudo nomeou a cidade do Cairo como a cidade mais poluída do mundo. Em um dia comum, os moradores da capital egípcia respiram ar contaminado com PM 2,5, ou seja, 11,7 vezes maior que o nível recomendado pela OMS.


A cidade também possui o 2º maior nível de PM 10 do mundo, com 284 ug/m3 em média, que é 14,2 vezes acima do limite recomendável.


Cairo é a terceira cidade mais barulhenta do mundo, com uma pontuação de 1,70, ficando atrás apenas de Guangzhou e Delhi, o que não surpreende seus habitantes, uma vez que, o relatório sobre poluição sonora do Centro Nacional de Pesquisa do Egito relatou  que a  cidade atinge uma média de 85 decibéis por dia, é o mesmo que viver 24 horas dentro de uma fábrica.


A poluição luminosa na cidade do Cairo é péssima, a luz artificial é 85 vezes mais brilhante que o céu natural (14.900 μcd/m2).

2ª Posição – Delhi, India (Pontuação: 86.7024)


Delhi é uma cidade ambientalmente dos finais do tempo que bate recordes mundiais perdendo apenas para a cidade do Cairo no Egito. A névoa é tão densa na cidade que os carros batem por ser impossível enxergar as luzes dos faróis de trânsito. As estimativas apontam que respirar o ar da cidade equivale a fumar pelo menos 50 cigarros ao dia.

3ª Posição – Beijing, China (Pontuação: 76.4648)


O ar densamente poluído da cidade chinesa Beijing(Pequim) atinge frequentemente níveis considerados perigosos que prejudicam a saúde da população.

As cidades apontadas com melhor ar respirável, menos luminosidade e ruído são as seguintes:

48ª Posição – Zurich, Suíça (Pontuação: 7.5966)


A qualidade do ar na cidade de Zurich é ótima, tendo a quinta densidade mais baixa de PM 2.5 (a 10 ug/m3 em média) e a quarta menor quantidade de PM 10 (a 16 ug/m3 em média) no mundo, tornando seu ar 11 vezes mais limpo que a da cidade do Cairo e dentro do nível de segurança aceitável pela OMS para  qualidade do ar.


Zurique é a cidade mais tranquila do mundo, com uma pontuação de 0,02, os suíços levam o ruído tão a sério que até implementaram o "Quiet Hours", onde os moradores são proibidos de fazer barulho indevido. Problemas com poluição luminosa são praticamente inexistentes sendo classificada como a 2ª mais escura do mundo, perdendo apenas para Oslo.

47ª Posição – Oslo, Noruega (Pontuação: 8.8645)


Oslo é considerada uma das cidades mais limpas do mundo graças a diversas iniciativas e projetos sustentáveis dentre os quais a transformação do lixo doméstico e combustível.

46ª Posição – Munich, Alemanha (Pontuação: 13.4212)


Munich é uma cidade limpa que investe em transporte público de energia limpa.

Mediante estes dados apresentados podemos perceber o quanto algumas políticas econômicas e industriais têm prejudicado a população mundial devido à soberba de alguns governantes que acreditam ser uma tolice investir em políticas ambientais e sustentáveis. O mundo poderia ser um ambiente muito melhor se todos os governantes se comprometessem em fornecer qualidade de vida, educação, alimentos e saúde a todos que vivem na Terra. Pena, que estamos longe dessa realidade, infelizmente a cada dia que passa nos tornamos seres doentes, enfraquecidos, miseráveis e sem perspectiva de uma vida melhor.

Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo o artigo aqui exposto, pois está registrado.


Licença Creative Commons
O trabalho A vida na Terra está se tornando insuportável de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2018/12/a-vida-na-terra-esta-se-tornando.html.