Corrupção e burocracia que emburrece o país


Marisa Fonseca Diniz



O Brasil é um país que tem todas as características para ser um país produtivo, senão fosse pela burocracia e a corrupção dos órgãos públicos e de seus servidores. Quem já não teve a oportunidade de precisar de algum documento ou utilizar algum serviço público no país e se deparar com a ineficiência?

A burocracia é um termo oriundo do latim e do francês que significa escritório, porém a sociologia das organizações designa burocracia como a organização ou estrutura organizada caracterizada por regras e procedimentos explícitos e regularizados com divisão de responsabilidades, especialização do trabalho, hierarquia e relações impessoais. A princípio o termo pode referir-se a qualquer tipo de organização, ou seja, empresas privadas, sociais, públicas ou sem fins lucrativos.

O economista alemão, Max Weber criou a Teoria da Burocracia que explica a forma como as empresas se organizam e definiu burocracia como sendo uma organização baseada em regras e procedimentos regulares, onde cada indivíduo possui sua especialidade, responsabilidade e divisão de tarefas. Porém, a teoria da burocracia no Brasil funciona de maneira contrária, a ineficiência dos órgãos públicos e seus servidores funcionam como um câncer que contagia departamentos inteiros.

A administração pública no Brasil é isenta de responsabilidades, onde há total ausência de questionamentos, valores e eficiência, o que perdura na verdade é a venda de facilidades. Funcionários de órgãos públicos ou mistos são facilmente contagiados pela preguiça de pensar e agir de modo que as soluções fiquem encostadas em alguma pasta jogada em algum canto de suas mesas.

Processos eficientes não existem, o que há é a política do menor esforço possível associado à centralização da autoridade nas esferas superiores da administração pública. Os órgãos públicos são cheios de profissionais ineficientes que se quer conseguem pensar, pois já estão tão envolvidos na burocracia, que não conseguem enxergar a própria incompetência, salvo raras exceções.

A necessidade de se fazer uma reengenharia na administração pública se faz necessária há anos, a fim de extirpar de vez este cancro que contagia todos que trabalham preguiçosamente atrás de suas mesas empoeiradas e mofadas dos órgãos públicos do país. O Brasil é um país corrupto e burocrata, onde não há simplificação de processos e muito menos há esforço para implantar uma nova mentalidade, que torne a administração pública mais produtiva e competitiva no mercado global. Os altos custos com a folha de pagamento do funcionalismo público deveriam ser o reflexo de uma administração eficiente, porém o que vemos é um cabide de emprego nos mais diversos órgãos públicos que emperram a vida dos cidadãos brasileiros.

No Brasil nada funciona direito, os órgãos públicos estão sempre abarrotados de pessoas em filas exorbitantes. O descaso já faz parte do atendimento diário aos cidadãos, balcões, guichês, pastas e mais pastas empilhadas, protocolos, exigências e a falta de boa vontade em resolver problemas simples, que acabam se tornando complicados pela má vontade de pensar e resolver.  A incompetência administrativa já faz parte da cultura pública do brasileiro, e a cada ano que passa mais profissionais com baixa capacidade de pensar além da burocracia querem se beneficiar da estabilidade do emprego público, pois sabem que raramente serão dispensados de suas funções por incompetência.

Maldita estabilidade pública criada como forma de isentar o profissional das pressões políticas de seus gestores mal intencionados, que usam seus cargos com fins políticos. Na verdade a estabilidade criou uma classe de profissionais dominada pelo anacronismo da ineficiência e da corrupção. Profissional incompetente que não tem condições de concorrer com profissionais altamente competitivos e eficientes adoram pregar no seu guichê a Lei que tornou crime reclamar de modo mais veemente o descaso pelo atendimento recebido destes funcionários incompetentes.

A política do menor esforço possível é perpetuada a gerações, não há nada pior do que trabalhar apenas por um salário compensador no final do mês, indiferente se não é prazerosa a atividade exercida. Entra governo e sai governo e nada é feito para mudar o conceito da incompetência generalizada dos órgãos públicos como se tudo fosse normal, pois os funcionários precisam continuar empregados, mesmo que o país não produza o necessário para pagar o funcionalismo público tornando dessa maneira um país endividado.

Em época de eleição, a política partidária corre solta pelos corredores dos mais variados órgãos públicos, ai daquele que não estiver de acordo com a ideologia política dos seus gestores, pois corre o risco de ser transferido para uma atividade mais burocrática e improdutiva.  A corrupção dos servidores é tão escancarada que muitos acham normal cobrarem propinas para exercerem suas atividades, não sabendo o que significa ética profissional, e acreditam que todos os seus colegas deveriam fazer o mesmo, principalmente quando visam posições superiores.

Órgãos e empresas onde há participação da administração pública em todo país possuem algum processo administrativo de corrupção ou o mau uso do dinheiro. Em época de eleição surgem das gavetas projetos e mais projetos que visam apenas o favorecimento de alguns candidatos, que não priorizam os cidadãos que pagam seus impostos, e sim beneficiam meia dúzia de gestores e políticos.

O Brasil é um país que usa a corrupção e a burocracia como forma de emburrecer seus servidores e grande parte da população, que não consegue enxergar as manobras políticas que beneficiam apenas alguns. O interessante é vermos uma população revoltada com os altos custos envolvidos em projetos e obras faraônicas no país,  aprovarem a administração pública daqueles que os manipulam e enganam com falsas promessas políticas e econômicas. Talvez isto explique porque somos um povo considerado mundialmente pacato e sem opinião, que não sabe votar em seus governantes.

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Psicopatas do poder


Marisa Fonseca Diniz



Martin Burney é um homem de boa aparência, bem sucedido e sedutor que a princípio parece ser o homem que Laura sempre quis ter, mas após o casamento ele se transforma em um marido compulsivo, ciumento e violento que provoca na esposa diariamente um medo exacerbado. Este é um trecho do filme “Dormindo com o Inimigo” baseado no livro da escritora Nancy Price que retrata as atitudes diárias de um psicopata.

A psicopatia ou sociopatia é atribuída aos indivíduos portadores de desordem de personalidade caracterizada por um comportamento antissocial, com capacidade de empatia ou remorso diminuído e baixo controle comportamental ou pela presença de uma atitude de uma dominância desmedida. Os psicopatas podem estar em todos os lugares sejam nas empresas, na escola, na sociedade, na política ou até mesmo ao nosso lado.

O psicopata é uma pessoa inteligente, porém é frio, racional mentiroso, insensível, dissimulado, manipulador, trapaceiro, oportunista, se faz de vítima é um verdadeiro parasita social, e podem ser empresários, religiosos e políticos. Assim como o psicopata do filme “Dormindo com o Inimigo”, há diversos tipos de psicopatas, que causam estragos mais nocivos às pessoas, comunidades e sociedades.

Os psicopatas mais perigosos são justamente aqueles que manipulam a mente de suas vítimas desavisadas, que num primeiro momento não conseguem enxergar o mal, e acabam cedendo aos encantos das propagandas mentirosas que são anunciadas aos quatro cantos do planeta. Os efeitos são devastadores, o que antes parecia encantar a vida de seus seguidores com o tempo percebe-se que a teia formada por eles dificilmente faz com que alguém consiga se desvencilhar dela.

Nos últimos anos, psicopatas religiosos e políticos tem causado diversos problemas a vida de pessoas inocentes, a ganância pelo poder a qualquer custo, e as ideologias não fundamentadas tem causado uma série de transtornos aos que estão debaixo da ordenança de pessoas com comportamentos maléficos.

A ponerologia também conhecia como a ciência do mal é derivada da dateologia e é usado para definir a disciplina resultante da conjunção da psiquiatria, sociologia e psicologia. O objetivo do estudo é definir e identificar as injustiças sociais levando a classificação clínica das psicopatológicas. A ponerologia é aplicada  às hierarquias existentes no poder, apesar de ser definida com um ramo da psicologia social. 

A ponerologia usa ferramentas de diagnóstico da psicologia, psicopatologia, sociologia, filosofia e a historiografia, a fim de poder explicar fenômenos como as guerras de agressão, a limpeza étnica, o genocídio e o estado policial característico de sistemas ideológicos comunistas, socialistas e militares.

A teoria foi originalmente realizada por psicólogos e psiquiatras na Polônia, Hungria e a Tchecoslováquia durante os anos de ocupação comunista soviética nestes países. Andrzej M. Lobaczewski, autor da teoria da “Ponerologia”, afirmava que países ou empresas passam por fases chamadas de “momentos felizes” ou tempos de prosperidade alternada. Porém, a partir do estado psicológico, da ética e do bem estar moral da população é possível comparar as atitudes antissociais de indivíduos que com determinadas características psicopatológicas conseguem destruir o meio e atingem a condição de full-blown ou “tempo infeliz”.

Quanto mais ideológicos e intelectuais são os políticos e os religiosos,  maiores serão as chances de sofrerem de algum tipo de patologia associada à psicopatia. Os neologismos da comunicação política, pública e religiosa pelos diversos meios de comunicação fazem com que o uso de parologias e paramoralismos sejam constantemente repetidas criando uma dimensão distópica da realidade.

As pessoas precisam ter consciência de que é necessário aprender a identificar psicopatas e antissociais, a fim de não serem vitimados por eles, uma vez que, as principais características dos líderes psicopatas políticos e religiosos são a empatia, a carisma, a capacidade de impressionar e cativar qualquer pessoa com invejável destreza. O líder educado, inofensivo e gentil esconde uma pessoa desprovida de consciência, desumana e de atitudes cruéis.

Líderes psicopatas políticos depois de eleitos ou aceitos pela humanidade, quando desmascarados ou questionados por suas atitudes se tornam violentos e acabam cometendo grandes genocídios, tudo em pró as suas ideologias antiéticas.

Os psicopatas religiosos por sua vez conseguem ludibriar os fiéis das maneiras mais calorosas possíveis, mexendo com o emocional das vítimas, mas que na verdade demonstram pessoas frias, inescrupulosas, e que sabem jogar muito bem com as palavras confundindo até os mais espertos. Estão sempre cercados por pessoas que se deixam ludibriar com seus argumentos convincentes. Aos poucos os fiéis se veem atados em tramas espirituais, e quando se dão conta do mal que os acometeu, já perderam tudo desde dinheiro até a própria dignidade.

Não sejam coniventes com psicopatas políticos e religiosos inescrupulosos, não se deixe encantar por seu charme ou promessas baratas, identifique-os e não deem voto de confiança a eles, pois quando perceberem o mal que podem fazer, poderá ser tarde demais.


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