16 de setembro de 2014

Corrupção e burocracia que emburrece o país


Marisa Fonseca Diniz



O Brasil é um país que tem todas as características para ser um país produtivo, senão fosse pela burocracia e a corrupção dos órgãos públicos e de seus servidores. Quem já não teve a oportunidade de precisar de algum documento ou utilizar algum serviço público no país e se deparar com a ineficiência?

A burocracia é um termo oriundo do latim e do francês que significa escritório, porém a sociologia das organizações designa burocracia como a organização ou estrutura organizada caracterizada por regras e procedimentos explícitos e regularizados com divisão de responsabilidades, especialização do trabalho, hierarquia e relações impessoais. A princípio o termo pode referir-se a qualquer tipo de organização, ou seja, empresas privadas, sociais, públicas ou sem fins lucrativos.

O economista alemão, Max Weber criou a Teoria da Burocracia que explica a forma como as empresas se organizam e definiu burocracia como sendo uma organização baseada em regras e procedimentos regulares, onde cada indivíduo possui sua especialidade, responsabilidade e divisão de tarefas. Porém, a teoria da burocracia no Brasil funciona de maneira contrária, a ineficiência dos órgãos públicos e seus servidores funcionam como um câncer que contagia departamentos inteiros.

A administração pública no Brasil é isenta de responsabilidades, onde há total ausência de questionamentos, valores e eficiência, o que perdura na verdade é a venda de facilidades. Funcionários de órgãos públicos ou mistos são facilmente contagiados pela preguiça de pensar e agir de modo que as soluções fiquem encostadas em alguma pasta jogada em algum canto de suas mesas.

Processos eficientes não existem, o que há é a política do menor esforço possível associado à centralização da autoridade nas esferas superiores da administração pública. Os órgãos públicos são cheios de profissionais ineficientes que se quer conseguem pensar, pois já estão tão envolvidos na burocracia, que não conseguem enxergar a própria incompetência, salvo raras exceções.

A necessidade de se fazer uma reengenharia na administração pública se faz necessária há anos, a fim de extirpar de vez este cancro que contagia todos que trabalham preguiçosamente atrás de suas mesas empoeiradas e mofadas dos órgãos públicos do país. O Brasil é um país corrupto e burocrata, onde não há simplificação de processos e muito menos há esforço para implantar uma nova mentalidade, que torne a administração pública mais produtiva e competitiva no mercado global. Os altos custos com a folha de pagamento do funcionalismo público deveriam ser o reflexo de uma administração eficiente, porém o que vemos é um cabide de emprego nos mais diversos órgãos públicos que emperram a vida dos cidadãos brasileiros.

No Brasil nada funciona direito, os órgãos públicos estão sempre abarrotados de pessoas em filas exorbitantes. O descaso já faz parte do atendimento diário aos cidadãos, balcões, guichês, pastas e mais pastas empilhadas, protocolos, exigências e a falta de boa vontade em resolver problemas simples, que acabam se tornando complicados pela má vontade de pensar e resolver.  A incompetência administrativa já faz parte da cultura pública do brasileiro, e a cada ano que passa mais profissionais com baixa capacidade de pensar além da burocracia querem se beneficiar da estabilidade do emprego público, pois sabem que raramente serão dispensados de suas funções por incompetência.

Maldita estabilidade pública criada como forma de isentar o profissional das pressões políticas de seus gestores mal intencionados, que usam seus cargos com fins políticos. Na verdade a estabilidade criou uma classe de profissionais dominada pelo anacronismo da ineficiência e da corrupção. Profissional incompetente que não tem condições de concorrer com profissionais altamente competitivos e eficientes adoram pregar no seu guichê a Lei que tornou crime reclamar de modo mais veemente o descaso pelo atendimento recebido destes funcionários incompetentes.

A política do menor esforço possível é perpetuada a gerações, não há nada pior do que trabalhar apenas por um salário compensador no final do mês, indiferente se não é prazerosa a atividade exercida. Entra governo e sai governo e nada é feito para mudar o conceito da incompetência generalizada dos órgãos públicos como se tudo fosse normal, pois os funcionários precisam continuar empregados, mesmo que o país não produza o necessário para pagar o funcionalismo público tornando dessa maneira um país endividado.

Em época de eleição, a política partidária corre solta pelos corredores dos mais variados órgãos públicos, ai daquele que não estiver de acordo com a ideologia política dos seus gestores, pois corre o risco de ser transferido para uma atividade mais burocrática e improdutiva.  A corrupção dos servidores é tão escancarada que muitos acham normal cobrarem propinas para exercerem suas atividades, não sabendo o que significa ética profissional, e acreditam que todos os seus colegas deveriam fazer o mesmo, principalmente quando visam posições superiores.

Órgãos e empresas onde há participação da administração pública em todo país possuem algum processo administrativo de corrupção ou o mau uso do dinheiro. Em época de eleição surgem das gavetas projetos e mais projetos que visam apenas o favorecimento de alguns candidatos, que não priorizam os cidadãos que pagam seus impostos, e sim beneficiam meia dúzia de gestores e políticos.

O Brasil é um país que usa a corrupção e a burocracia como forma de emburrecer seus servidores e grande parte da população, que não consegue enxergar as manobras políticas que beneficiam apenas alguns. O interessante é vermos uma população revoltada com os altos custos envolvidos em projetos e obras faraônicas no país,  aprovarem a administração pública daqueles que os manipulam e enganam com falsas promessas políticas e econômicas. Talvez isto explique porque somos um povo considerado mundialmente pacato e sem opinião, que não sabe votar em seus governantes.

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2 comentários:

  1. Marisa, já desisti de fazer várias coisas por causa da "burrocracia", quando se começa logo de cara pedem algum papel, corre-se atrás e nos mandam a outro lugar, que nos mandam voltar ao anterior por faltar uma assinatura ou CPF, passa-se por inúmeros setores, isso sem contar a paciência de cada atendente, o eterno mau humor (aliás não descobri ainda o motivo de prestarem concurso público, pois ganham uma fortuna e vivem descontentes), mas resumindo, quando se dá conta a solução está no primeiro setor onde começamos tudo.
    Abraço!

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  2. Concordo plenamente. Aliás, no que diz respeito a "emburrecer", veja a posição dos presidenciáveis no ranking daqueles que realmente têm chances de se eleger. Depois de 12 anos de lulopetismo e com direito a um festival de corrupção jamais visto, onde o Chefe sustentou que de nada sabia, mas num primeiro momento afirmou ter sido traído e, em seguida, pediu desculpas aos brasileiros, para finalmente negar taxativamente a existência do "MENSALÃO", reeleger Dilma - aquela que causou um bruta prejuízo com a refinaria de Pasadena e supostamente está envolvida no escândalo bilionário da Petrobras - é puro continuísmo.
    Empatada com esse despropósito em intenção de votos, vem Marina, com seu indecifrável projeto de governo, se é que existe algum. Marina está mais para uma fanática religiosa do que para candidata a presidente deste pobre país e, a meu ver, seria mais útil para sua causa na condição de parlamentar. No entanto, por qualquer razão incerta e não sabida, ela recebeu inacreditáveis 20 milhões de votos na eleição anterior.
    Enfim, num país em que o palhaço titirica foi o deputado federal mais votado no estado de São Paulo, que é a locomotiva do Brasil e onde supostamente as condições sócio-econômicas se destacam, não há muito que dizer senão "viva o povo brasileiro"!

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