Transformando lixo em energia


Marisa Fonseca Diniz


Segundo relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente – Pnuma, todos os anos as cidades geram em torno de 1,3 bilhão de toneladas de resíduos sólidos. As estimativas da agência é que a quantidade de lixo a ser gerado até 2025 chegue a 2,2 bilhões de toneladas. É muito lixo para a quantidade de espaço disponível no planeta.

Assim como  a demanda do lixo, a energia é outro fator que tem aumentado gradativamente ano após ano. Pensando em como suprir esta necessidade de energia e diminuir o volume de lixo  alguns países vêm desenvolvendo diversas tecnologias voltadas à queima do lixo e do biogás, que é produzido a partir da decomposição da matéria orgânica como maneira de gerar energia.

O Brasil investe em usinas de biogás para gerar energia, porém o  Japão, a Europa, os Estados Unidos e a China lideram o ranking na produção de energia através das mais de 1,5 mil usinas térmicas que queimam o lixo. O maior entrave para o Brasil no caso das usinas térmicas é o alto valor da tecnologia empregada neste tipo de geração de energia, uma vez que o custo do megawatt/hora é bastante elevado em comparação à energia convencional


A maior vantagem das usinas térmicas é que 12% de todo lixo vira cinzas, e serve como base de asfalto e matéria-prima para diversos insumos utilizados na construção civil. No Brasil não há uma política pública que estimule este tipo de fonte de energia, encarecendo demais a produção, além de não ter nenhum tipo de redução na carga tributária.

Apesar de serem insignificantes as políticas de incentivo da produção de biogás no Brasil é um processo sustentável de produção de energia limpa. O biogás é uma mistura gasosa constituído em média de 60% de metano e 40% de CO2, e é obtido pela degradação biológica anaeróbica dos resíduos orgânicos.



A produção do biogás pode tanto ocorrer de forma natural nos aterros sanitários, como através das usinas de biogás. O Brasil ainda necessita de incentivos públicos e fiscais para a produção deste tipo de energia limpa, pois além de ser uma alternativa energética favoreceria a preservação ambiental e alavancaria a economia nacional.


Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, quase 76% da energia elétrica do país provem das hidrelétricas, porém com a falta de chuvas nos principais reservatórios do país a produção de energia fica comprometida causando apagões tanto na economia como nas cidades brasileiras. O restante da energia produzida no país é insignificante devido à falta de incentivos e investimentos por parte do governo federal, sendo 3% energia nuclear, 4% de gás natural, 4,2% de biomassa,  0,05% eólica e 0% solar. Os quase 13% restantes fica por conta de energia importada, petróleo, carvão e derivados que além de elevarem o preço final da energia são poluentes.


O funcionamento de uma usina de biogás é bem simples e pode ser inclusive instaladas em zonas rurais e urbanas. O processo consiste na fermentação dos resíduos sólidos de origem orgânica, tais como esterco (humano e animais), palhas, bagaço de vegetais e lixo. Esse processo pode ser feito artificialmente através do biodigestor anaeróbico, o gás metano não possui cheiro, apenas os demais gases liberados é que podem apresentar odor desagradável. O biogás é uma fonte energética que pode ser utilizada em fogões domésticos, motores e gerarem energia elétrica.


O Brasil precisa começar a pensar mais na questão da sustentabilidade para gerar energia limpa aproveitando o lixo produzido, e colaborando com o meio ambiente. Enquanto esta consciência verde não for prioridade no país ou em outros países que passam pelo mesmo problema, o planeta terá no futuro carência de espaços vagos para o acumulo de lixo, além de menos energia disponível e muitas pessoas terão que conviver diariamente com os apagões.


Os artigos aqui publicados e este blog estão protegidos pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo os artigos aqui expostos, pois estão todos registrados.

Licença Creative Commons
O trabalho Transformando lixo em energia de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível emhttp://marisadiniznetworking.blogspot.com/2014/11/transformando-lixo-em-energia.html.

Qual seu nível de paranoia?


Marisa Fonseca Diniz



Imagine  as seguintes situações das Pessoas “A”, “B”, “C” e “D”:

Pessoa A: associa um determinado número a todos os acontecimentos da sua vida, por exemplo, nasceu no dia 7, namorou durante 7 meses, se casou no mês 7, seu casamento durou 7 anos, seu número de crachá tem o número 7, e assim por diante. Para a pessoa “A” o número 7 rege sua vida, ela não enxerga isso como uma coincidência, e sim um fato;

Pessoa B: se envolveu emocionalmente com uma pessoa e que por alguma razão não deu certo, acredita que seu antigo parceiro  espalhou seus dados pessoais nas redes sociais, apenas para lhe prejudicar. A pessoa “B” alimenta a ideia de autorreferência projetando suas críticas naquele que acredita que o prejudicou, e frequentemente se queixa de que as pessoas o perseguem, não o compreendem, e o acusam de incapaz;

Pessoa C: imagina que seja desejado e assediado sexualmente, principalmente por pessoas que considera importante, e adoram demonstrar de todas as maneiras o quanto é desejado, seja por meio de fotos ou atitudes;

Pessoa D: acredita que é um profissional de grande destaque na empresa onde trabalha, e arduamente tenta convencer os colegas de trabalho que a empresa não é nada sem ele. Usa de todas as táticas possíveis para se sobressair na empresa como um profissional indispensável, seja através de um evento profissional ou idealizando atividades que considera importante.

Todas estas situações parecem bem estranhas, mas são típicas de pessoas paranoicas. A paranoia é um transtorno de personalidade caracterizada pela hipersensibilidade nas relações pessoais, ou seja, a pessoa possui um sentimento de desconfiança persistente, permanente, excessivo e mal fundamentado em relação a todos que o rodeiam.  

A personalidade paranoica é um conjunto de atitudes psicossociais e de comportamentos que expressam as características de um indivíduo. Na maioria dos casos há uma predisposição para uma doença psicológica ou mental, no caso da personalidade paranoica, os traços que a caracterizam são muito intensos podendo transformar-se em um problema psicológico grave. O aparente excesso de autoestima, onde o indivíduo tem a tendência a exagerar sobre sua situação profissional ou pessoal, por exemplo, quando é bem sucedido ou mente exageradamente a fim de manter sua imagem de grandeza.

As pessoas portadoras deste transtorno são extremamente desconfiadas, defensivas com personalidade rígida. Possuem boa capacidade intelectual e memória, mas interpretam negativamente o mundo que os cerca. Outra característica da personalidade paranoica é a tendência de culpar os outros, sendo competitivos, não aceitando críticas, inflexíveis defendem suas convicções e ideais pré-concebidas de forma veemente, apesar de conseguirem ocultar a sua agressividade quando querem, agindo com cortesia.

Os paranoicos acreditam que estímulos externos, tais como, conversas, apontamentos, gestos e sinais são direcionados contra a sua pessoa distorcendo a realidade com suas interpretações. O egocentrismo, a desconfiança e a rigidez fazem com que tenham tendência para interpretar erroneamente os fatos, provocando conflitos afetivos, sociais e profissionais.

Têm tendência a comportamentos de fanatismo religioso ou profissional, e quando confrontados passam a ter um processo progressivo de isolamento das demais pessoas acentuando os traços doentios da personalidade. Em geral, são pessoas muito ciumentas com pouco senso de humor, superficiais em seus relacionamentos afetivos, porém muito dedicados em suas atividades profissionais.

Fantasiam que são constantemente perseguidos no ambiente de trabalho, acreditando que colegas e chefes conspiram contra eles, principalmente quando destacados para trabalhar em departamentos ou horários não convencionais. Os paranoicos se consideram incompreendidos pelos outros e para eles as pessoas não lhes dedicam a melhor atenção reforçando assim sentimentos de negatividade e de inferioridade.

Assim como nas situações reladas no início deste artigo, as pessoas acometidas pelas perturbações paranoicas são caracterizadas pelo desenvolvimento de equívocos ou de delírios evidentes perante fatos determinantes e circunstâncias nos quais, dão excessiva importância.

O protagonista destes erros de interpretação ou delírios se sente totalmente convencido de que as circunstâncias e as outras pessoas estão contra ele. 
Possuem a sensação de estar sendo ameaçados ou perseguidos por pessoas que desejam prejudicá-los, seja no ambiente de trabalho, na família, na igreja ou até mesmo na comunidade em que vivem. Muitas pessoas que sofrem de paranoia acreditam que sofrem de alguma doença grave, e que por isso, as outras pessoas as desprezam.

Os principais delírios da paranoia são:

Perseguição: a pessoa acredita que é constantemente ameaçado e perseguido, e que seus inimigos elaboram planos mirabolantes para o dominarem ou eliminarem;

Ciúme: a pessoa tem a obsessão de que sua namorada, esposa ou companheira o engana e desenvolve todos os tipos de estratégias para comprovar a traição;

Megalomania (grandeza): o indivíduo acredita que é um profissional ou uma pessoa muito importante, e tenta arduamente convencer os outros de que realmente é uma pessoa indispensável ou famosa;

Ruína: a pessoa crê que vive na miséria, e constantemente fica murmurando ou lamentando-se;

Erótico: o indivíduo imagina que é desejado e assediado sexualmente por pessoas que considera importante, e tenta demonstrar isso através de todos 
os meios disponíveis, seja em redes sociais ou salas de bate papo;

Hipocondríaco: a pessoa acredita que sofre de várias doenças graves e fatais, apesar de todos os exames comprovarem o contrário.

Estas paranoias muitas vezes são desencadeadas por situações críticas, tais como a morte de um ente querido, o rompimento traumático de algum relacionamento, isolamento provocado por doenças ou até mesmo a migração para uma sociedade culturalmente diferente.

Há dois tipos de perturbações paranoicas, a saber:

Reação Paranoica:  é uma reação caracterizada por um súbito delírio interpretativo, ocorrido nos dias ou semanas anteriores, que podem ser desencadeados por algum acontecimento real ou imaginativo que causa angústia. Quando o paciente é tratado de modo adequado, a evolução destes delírios desaparecem ao final de algumas semanas ou meses;

Desenvolvimento Paranoico: quando os fatores desencadeadores do desenvolvimento não são identificados, os delírios interpretativos vão sendo progressivamente elaborados durante meses ou anos. Aparentemente estes delírios são alimentados por ideias erradas e variáveis, tais como, estresse, inveja, o ciúme, a perseguição, mania de grandeza, erotismo, ruína, amargura, ansiedade, doenças inventadas, entre outras, caracterizadas pelo excesso de egocentrismo, que pode ocultar o complexo de inferioridade. Neste caso, o tratamento deve ser feito através da administração de antipsicóticos e tranquilizantes, além de psicoterapia. Quando é detectado um risco significativo de eventuais agressões graves a outras pessoas ou a tentativa de suicídio o paciente deve ser internado para tratamento em clínica psiquiátrica.

Ernst Kretschmer, psiquiatra alemão correlacionava a paranoia e a personalidade afirmando em sua teoria sobre o assunto que, algumas personalidades mais sensíveis depressivas, pessimistas e narcisistas desenvolviam sintomas paranóides em momentos críticos da vida, mas que o prognóstico favorável a elas é que, não desenvolviam a esquizofrenia.

É para pensar muito bem sobre esta teoria, não esquecendo que pessoas mentalmente perturbadas sempre atraem de alguma maneira outras semelhantes a elas. Portanto, se em algum momento da vida se deparou com alguém com estas características relatadas, o melhor a fazer é aconselhá-las a procurar tratamento psicológico. Caso o conselho não seja aceito, aconselho correrem da presença destas pessoas, pois de nada adiantará tentar convencê-las, já que acharão que isso é pura perseguição!

Os artigos aqui publicados e este blog estão protegidos pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou armazenar de qualquer modo os artigos aqui expostos, pois estão todos registrados.

Licença Creative Commons
O trabalho Qual seu nível de paranoia? de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível emhttp://marisadiniznetworking.blogspot.com/2014/11/qual-seu-nivel-de-paranoia.html.