Decretada a falência do Brasil


Marisa Fonseca Diniz




As promessas de um Brasil próspero hoje se resumem a uma nação endividada, refém da criminalidade e da má gestão pública, tanto na alçada federal como estadual e municipal. Nos últimos 10 anos, o país já arrecadou mais de R$ 13 trilhões em impostos, o que significa que o brasileiro precisa trabalhar pelo menos 151 dias para pagar apenas os tributos. Porém, a arrecadação trilionária não significa que o brasileiro tenha qualidade nos serviços oferecidos pelo governo.

Em março de 2011, um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – IBPT constatou que a carga tributária teve um crescimento de 5,10 pontos percentuais nos últimos anos passando de 30,03% no ano 2000 para 35,13% em 2010. Significa que a arrecadação tributária teve um crescimento de 264,49%, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) evoluiu apenas 212,32%, isto quer dizer que a arrecadação tributária foi maior do que o volume de riqueza produzida no país.



O mais agravante é que apesar dos números apresentados, os governos federal, estadual e municipal nestes últimos 10 anos subtraíram da sociedade mais de 185 bilhões de reais por ano, ou seja, se apoderaram ilegitimamente de mais de R$ 1,85 trilhões de reais a título de aumentos da carga tributária. Só a folha de pagamento do funcionalismo público nestes últimos 10 anos mais que dobrou, chegando até 85% do total da arrecadação dos Estados.

A sociedade está sendo sacrificada para sustentar a máquina pública falida e corrupta, onde o retorno recebido é de péssima qualidade. Os serviços oferecidos pelos governos são os piores possíveis, quando pensamos nos funcionários públicos que deveriam trabalhar e apresentar resultados positivos ficamos indignados quando somos atendidos por eles na saúde, educação, segurança e infraestrutura.

Entre 2000 e 2011 os estados repassaram à saúde pública três vezes mais do que era aplicado pelos seus antecessores, isto é, de R$ 28 bilhões para R$ 89 bilhões. Enquanto isso, o governo federal aumentou seus gastos em R$ 31 bilhões, segundo o IPEA, mas isso não significa que aumentou o repasse aos estados. Segundo as estatísticas do Ministério da Saúde, o valor aplicado no SUS – Sistema Único de Saúde aumentou 86% descontada à inflação do período de 2003 a 2013, porém o repasse diminuiu de 60% para 45% e está caindo ano a ano, sobrecarregando os cofres dos estados e municípios.



O que prova a ineficiência da gestão federal na saúde, além da precariedade do atendimento público, as instalações de péssima qualidade, a extinção de leitos, alto índice de doenças epidemiológicas e a baixa formação dos profissionais da saúde. A população que já paga impostos demais fica aborrecida quando necessita de atendimento médico no SUS, pois o descaso é de revoltar qualquer cidadão de bem, que é tratado com total falta de respeito e atenção.

Em 2014, o Datafolha fez uma pesquisa que apontou a insatisfação de 87% dos entrevistados nos serviços oferecidos pelo SUS. O tempo de espera em média para atendimento, marcação de consultas, cirurgias e exames é de no mínimo seis meses, se o problema enfrentado pelo paciente for urgente este período pode significar a sua sentença de morte.

Segundo a pesquisa, as maiores taxas de pessoas que aguardam na fila do SUS estão entre as mulheres de 25 a 55 anos, de classes sociais mais baixas, residentes em regiões metropolitanas e no Sudeste do Brasil, o que cai por terra a teoria em dizer que as regiões norte e nordeste sofrem mais com o descaso no atendimento médico. Os serviços oferecidos pelo SUS são considerados de difícil acesso, tais como cirurgias, quimioterapia, hemodiálise, internações hospitalares e atendimento home care.

O interessante é que os políticos envolvidos nas gestões não procuram atendimento ou tratamento em hospitais públicos atendidos pelo SUS, todos preferem tratamento em hospitais particulares considerados topo de linha, ou seja, aqueles onde uma consulta não custa menos de R$ 500,00. Os direitos a saúde estão sendo totalmente desrespeitados contrariando o art. 196 da constituição federal, que diz:

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução dos riscos de doença e de outros agravos e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A educação pública é outro problema enfrentado pela população brasileira, o descaso do poder público unido à péssima formação dos professores faz com que o país ande cada vez mais para trás, invés de acompanhar os demais países em desenvolvimento.

No Brasil se gasta mais com um preso federal do que com a educação pública. Um preso federal custa aos cofres públicos por mês em torno de R$ 4.000,00, enquanto um aluno da escola pública custa US$ 2.985,00 ao ano. Valores muito abaixo do ideal, ou seja, um terço do valor investido em média pelos países da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico, onde os gastos com educação por aluno são de US$ 8.952,00 ao ano.



O governo prefere remediar os problemas educacionais gastando mais com os presos do que dando uma educação de qualidade, o que evitaria o grande contingente de indivíduos que preferem o mundo do crime ao universo dos livros. O sistema educacional brasileiro é tão ruim, que jovens com idade para cursarem o ensino médio, mal sabem escrever, ler ou fazer contas básicas de matemática.

A “pátria educadora”, lema do atual governo brasileiro, anda na mão contrária do que deveria ser um ensino de qualidade. O ensino público no Brasil está abandonado, a maioria das escolas não possui água potável, banheiro, água encanada, energia elétrica, esgoto, e muito menos a infraestrutura ideal para oferecer um ensino exemplar.

É vergonhoso saber que apenas 0,6% das escolas brasileiras têm infraestrutura perto do ideal, com biblioteca, laboratório de informática e ciências, quadra esportiva, cozinha e dependências adequadas para atender as necessidades básicas dos alunos.  

Os problemas não param por aí, além da deficiência estrutural os alunos não conseguem sequer ser aprovados nas faculdades públicas do país, porque a base de aprendizado é péssima, o que dificulta o acesso ao nível técnico e graduação. Quando aprovados em faculdades particulares, a situação se agrava, pois os alunos de baixa renda se veem em situação conflitante para pagarem o tão sonhado curso de graduação.

O mesmo governo federal que incentiva os alunos das escolas públicas estudarem em faculdades particulares é o mesmo que corta recursos do orçamento público impedindo que os alunos aprovados em cursos de graduação consigam financiamento estudantil por alegarem não ter recursos disponíveis para conceder tantos financiamentos.

As universidades federais não ficam atrás em questões de corte no orçamento, a situação das universidades é caótica. Conforme decreto publicado em janeiro deste ano, o governo federal cortou um terço das verbas mensais designadas às universidades, com isso diversos problemas vieram à tona, os estudantes ficaram sem dinheiro para o transporte, houve redução nos serviços de limpeza, alimentação, falta de medicamentos nos hospitais universitários e o início das aulas atrasou.

Saúde, educação, emprego, moradia, desenvolvimento, políticas sociais para resgatar a dignidade do cidadão não são prioridades no Brasil, e para piorar a crise enfrentada pela maioria da sociedade há um problema muito mais grave, que é a falta de segurança pública. A baixa taxa educacional, assim como a falta de oportunidades de trabalho e os milhares de benefícios concedidos pelo governo federal aos presos, faz com que o país hoje viva uma verdadeira guerra civil, onde de um lado fica a população indefesa e do outro, os criminosos.

O crime organizado reina no país, a exemplo da corrupção que corre solta nas alçadas mais altas do governo. A única certeza que hoje as pessoas têm é que elas sabem a hora que saem de suas casas, mas não sabem se voltam. Segundo pesquisa feita pela UNESCO, órgão das Nações Unidas, só em 2012 foram mais de 56 mil homicídios, sendo a maioria jovem entre 12 e 29 anos da cor negra. Mata-se mais no Brasil do que no Iraque e na Síria.

O orçamento para a segurança pública vem caindo anualmente, e  está orçado para este ano um gasto de R$ 1,15 bilhão, destinados a reequipamento, qualificação de policiais civis, programas de prevenção ao delito e à violência, dentre outros, visando beneficiar 254.018 pessoas e apoiar 66 projetos voltados ao fortalecimento de instituições de segurança pública, de acordo com o Projeto de Lei Orçamentária Anual - PLOA 2015.


O Brasil ocupa o 12º lugar do Ranking dos países mais violentos do mundo, o país da impunidade onde quem manda e desmanda é o crime organizado dentro das cadeias e fora também. Tráfico de drogas, roubo de carga, tráfico de armas, piromania em prol a bandidos, pirataria, latrocínios, assassinatos, homicídios, sequestros, estupros, tráfico de influências tudo é válido em um país que faz vista grossa para a falta de segurança e as mazelas sociais. O crime organizado se utiliza do poder para articular com empresários, políticos e todos aqueles que se envolvem na organização. O fato é que o crime está presente desde a base até o topo da pirâmide social, tanto é que os escândalos de corrupção tem demonstrado perfeitamente como a organização vem funcionando ativamente no país nos últimos 10 anos.

Mensalão, Petrolão, Operação Lava Jato, Porto Seguro, Cachoeira, Erenice, Novos Aloprados, entre outros tantos escândalos e investigações, são apenas alguns exemplos de como a corrupção é fator importante no país. A quantidade de dinheiro desviado com todos os escândalos nos últimos 10 anos de gestão federal ultrapassa aos R$ 50 bilhões, dinheiro suficiente para investir na educação, saúde, segurança, infraestrutura, emprego, social, mas que foram investidos no crime organizado.



A cultura da corrupção tem que acabar no Brasil, não basta aumentar impostos ou fazer ajustes fiscais cortando apenas os benefícios dos trabalhadores que bancam o caixa do governo. Precisa acabar com a mordomia dos políticos, dos apadrinhados, dos funcionários preguiçosos e daqueles que vivem como sanguessugas nas barbas do governo.

Os políticos deveriam ser os primeiros a dar o exemplo, cortando seus benefícios e salários astronômicos em prol a um trabalho voluntário como representante daqueles que os elegem e pagam suas mordomias. Os políticos que vivem hoje como reis são os mesmos que no passado criticavam seus antecessores que viviam como marajás.

A péssima gestão pública tem que acabar, não matando os jornalistas e blogueiros que denunciam a corrupção ou o mau uso do dinheiro público, e sim tirando do poder toda erva podre que contamina os demais. O país não pode viver de promessas ou de falsos dados, enquanto a maioria da população brasileira paga o rombo nas contas que a corrupção proporcionou.

É vergonhoso saber que se arrecada tanto dinheiro e todos os anos é a mesma coisa, serviços de péssima qualidade e rombo nas contas públicas que vem fazendo com que a dívida interna cresça galopantemente, e em contrapartida o governo federal escandalosamente tem diminuído as verbas públicas dos quais deveriam ser aplicadas em serviços essenciais à população.

O país do futuro que nunca saiu do lugar vem se abrindo a novas economias mundiais não para importar tecnologia ou para crescer economicamente, e sim para maquiar a situação recessiva que o Brasil vive hoje sob a constante influência ideológica socialista que na prática de social não há nada, e coloca toda a população sob a mira de um revólver e de líderes autocratas megalomaníacos.

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A importância de preservar os mananciais


Marisa Fonseca Diniz



Quando nos referimos a mananciais logo vem a nossa mente o problema das habitações irregulares nas grandes cidades. O aumento da demanda por água é uma das consequências do crescimento populacional, porém não podemos deixar de observar que a falta de planejamento urbano nas cidades vem contribuindo para o aumento desordenado das construções irregulares em áreas de risco.



Os mananciais são fontes de água superficiais ou subterrâneas utilizadas no processo de abastecimento público. Os mananciais podem ser lagos, rios, represas, reservatórios, entre outros, a quantidade de água existente no planeta para consumo humano é muito pequena. Do total de água disponível no planeta 96,5% é água do mar, 1,71% é proveniente das calotas polares ou geleiras, 0,03% é água doce superficial e atmosférica e a água subterrânea corresponde a 0,76%, por isso se faz necessário à preservação dos recursos hídricos para que se mantenha adequada à qualidade da água a ser consumida pela população global.

O crescimento desenfreado e desordenado da população nas últimas décadas tem comprometido a qualidade do meio ambiente, bem como contribuído para o aumento da poluição das águas e a extinção dos mananciais. Loteamentos clandestinos e habitações irregulares as margens dos rios e dos mananciais tem elevado a degradação das bacias hidrográficas.



As áreas onde as habitações irregulares se encontram não possuem infraestrutura básica de saneamento, o que colabora para que os esgotos domésticos e industriais sejam despejados nos mananciais destruindo a flora e a fauna da região. Materiais orgânicos, coliformes fecais e os agrotóxicos utilizados em plantações próximas aos mananciais são alguns dos muitos problemas que alteram o ph da água a ser consumida.

Outros problemas que colaboram com a destruição dos mananciais são os desmatamentos, queimadas, atividades extrativistas agressivas, práticas agrícolas perniciosas, a poluição industrial e o uso indevido dos solos que tem causado desequilíbrio ambiental e comprometido dos recursos hídricos. A falta de planejamento adequado para conter o avanço populacional em áreas de risco, tem contribuído para degradar mais rapidamente as regiões dos mananciais, bem como diminuir a oferta de água de qualidade a população das grandes cidades com risco de propagação de doenças de veiculação hídrica.

O processo tradicional de gerenciamento de água envolve diversas fases para remover os contaminantes gerando altos custos ambientais e econômicos. A nova pegada sustentável determina a necessidade de enfocar na proteção das fontes vitais de água potável contra a contaminação reduzindo e eliminando a necessidade de tratamento. Ecossistemas saudáveis ajudam na purificação da água, evitando o ingresso da poluição nos cursos desta.

O maior sistema de abastecimento de águas superficial não filtrada do mundo fica na cidade de Nova York, que é alimentada pelo escoamento das geleiras que se formam durante o inverno nas Montanhas de Catskills. O sistema de abastecimento possuiu um programa de proteção de mananciais, que a partir da década de 1990 recebeu diversos aprimoramentos, a fim de que a população pudesse se desenvolver sem que a água perdesse a sua qualidade.



Este case de tratamento de água vale a pena ser citado como exemplo às cidades que estão rodeadas por mananciais.  O Departamento de Meio Ambiente da cidade de Nova York possuía duas opções para o tratamento de água, a primeira era a construção de uma estação de filtragem de água com um custo aproximado de US$ 6 bilhões e custo operacional anual de US$ 150 milhões.

A segunda opção com custo bem menor era instituir um programa de proteção da bacia hidrográfica das regiões onde a água potável era captada. O programa incluía um controle mais extensivo das atividades poluidoras da bacia hidrográfica, principalmente a localização das fossas sépticas, desenvolvimento e financiamento de práticas de gestão agrícola mais sustentável e o controle na aquisição de terras.



Os governantes antes mesmo de implantar qualquer programa de proteção das bacias hidrográficas deveriam investir mais em educação, a fim da população residente nos mananciais aprender a importância de preservá-los. Um planejamento habitacional urbano de melhor qualidade evita que os mananciais desapareçam, pois a água está escassa em todo o planeta e sem uma política adequada as futuras gerações nem saberão o que é este bem tão precioso conhecido como “água”.

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