5 de agosto de 2014

Planejamento Urbano Sustentável


Marisa Fonseca Diniz


As primeiras civilizações a desenvolverem o senso de planejamento urbano denotam de 2600 a.C. no Vale do Indo em Punjab na Índia, onde algumas pequenas vilas se formaram dentro das grandes cidades do vale. O repentino desenvolvimento das grandes cidades fez com que as civilizações se organizassem e projetassem hierarquias de ruas de modo a proteger as áreas residenciais da poluição sonora, dos ladrões e dos fortes odores existentes próximos às áreas urbanas.


Os egípcios, por sua vez, construíram a cidade de Kahun por volta de 3000 a.C., que foi inteiramente projetada para servir de habitação aos operários que trabalhavam na construção de uma pirâmide na região. A Antiguidade possuiu vários projetos de planejamento racional principalmente nas cidades gregas e romanas, onde as ruas eram retas e cercavam quarteirões retangulares de casas. O planejamento urbano nestas cidades possuía um sistema de condução de águas perfeito, que levava para dentro das casas nas cidades romanas, água fria e quente.

Na Idade Média, porém as cidades não tiveram um desenvolvimento planejado, as ruas eram estreitas e tortuosas formando labirintos. No entanto, as ruas tinham uma disposição racional-prática, pois todas as vielas desembocavam em uma praça central, onde situava todos os estabelecimentos urbanos, tais como a igreja, o mercado e o palácio.

O Renascimento foi caracterizado pelas construções grandiosas, tais como estátuas e edifícios públicos grandiosos, que nem sempre estavam em racional conexão com o resto da cidade. A partir do século XVI, a Europa passou por um grande progresso em termos de planejamento urbano, as cidades passaram a ter ruas mais retas e amplas, e com atividades colocadas de maneira mais ou menos prática, passando a cidade ser tudo uno e orgânico.


A maioria das cidades europeias teve que ser remodelada e ampliada no século XIX, a fim de se adaptarem a vida moderna, como por exemplo, Paris. A Revolução Industrial trouxe um imenso progresso e desenvolvimento a países como a Inglaterra, em especial a cidade de Londres, que teve um crescimento desnorteado e sem planejamento algo que pudesse dar conta da nova realidade da cidade. Até o final do século XIX, o planejamento urbano na maioria dos países industrializados era de responsabilidade dos arquitetos que eram contratados por empresas privadas, e raramente pelo governo. O crescimento dos problemas urbanos forçou o governo de muitos países como os Estados Unidos a participar ativamente de processos de planejamento urbano.

No século XX, a Inglaterra se destacou pelo planejamento urbano  ajustando os problemas causados pela Revolução Industrial, sendo assim um marco na história do urbanismo. Após a Segunda Guerra Mundial, muitas cidades europeias foram devastadas, o que deu margem as grandes obras de planejamento urbano no trabalho de reconstrução.


No Brasil, o planejamento urbano deu inicio no final do século XIX com a formação do pensamento do urbanismo classificado em quatro fases, a saber:

1ª Fase: Planos de embelezamento, que compreende de 1875 a 1930;

2ª Fase: Planos de conjunto, que compreende o período de 1930 a 1965;

3ª Fase: Planos de desenvolvimento integrado de 1965 a 1971;

4ª Fase: Planos sem mapas de 1971 a 1992.

 Atualmente, o planejamento urbano de uma cidade é feito através de acordos firmados entre as agências governamentais e as empresas privadas, principalmente nos países desenvolvidos. Os países subdesenvolvidos ou em fase de desenvolvimento tem um planejamento centralizador e autoritário, resultando periferias urbanas espraiadas, estruturadas por projetos residenciais movidos pelo caráter quantitativo e não qualitativo.

O planejamento urbano no Brasil nas últimas décadas tem procurado colocar-se como mediador de conflitos sociais pelo solo urbano, uma vez que, o espaço urbano tornou-se globalizado tornando-se um território todo fragmentado e dividido socialmente. A reorganização do território brasileiro tem se caracterizado pelo meio técnico-científico, no qual é um instrumento importante de ação política do planejador.

A população brasileira é 80% urbana ocupando grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, que possuem diversos problemas relacionados à falta de planejamento. Apesar de todo avanço tecnológico, ainda não há políticas urbanas adequadas, o que tem incapacitado a resolução dos problemas básicos das cidades. Há ainda muita contraposição entre o espaço condicionado por uma minuciosa legislação urbanística que varia entre o legal e ilegal.


O atual cenário macroeconômico brasileiro, a mudança tecnológica, e a globalização afetam a indústria e os serviços, assim como todas as estruturas adjacentes como a cultura, o emprego, a organização política e os impactos espaciais nas grandes cidades colaborando para a ineficiência do planejamento urbano. Sem uma política urbana voltada para o enorme contingente populacional, as grandes metrópoles  cresceram de maneira desnorteada tornando-se foco de violência, desemprego, déficit habitacional, deficiência de transporte de qualidade, e extrema pobreza.

A solução mais cabível para os problemas urbanos atuais seria a implantação de políticas direcionadas ao planejamento urbano sustentável nas grandes cidades, a exemplo da cidade de Curitiba, no Paraná. Considerada uma das pioneiras no Brasil e no mundo na instalação de corredores inteligentes para transporte público e  no uso dos veículos Bus Rapid Transit – BRT. O modelo de  serviço tem baixo custo e costuma ser implantado em cidades de grande porte em que o transporte coletivo precisa ganhar espaço e atender um número expressivo de usuários de maneira rápida, confortável e eficiente.

A principal característica do BRT é que podem circular em via própria chamados corredores, que podem ser elevados ou não, e podem ter estações de embarque maiores do que os pontos de parada convencionais possibilitando desta maneira o pagamento da passagem antecipadamente reduzindo o tempo das paradas. Outra vantagem destes sistemas é que, os BRTs são munidos de um sistema que aciona os semáforos a seu favor, a fim de terem sempre prioridade de passagem pelos cruzamentos.


Desde a década de 1970, Curitiba tem vias exclusivas para ônibus articulados e biarticulados integrados a uma rede inteligente de vias e transportes. Porém, a partir de 1990 o foco principal do planejamento da cidade foi o desenvolvimento sustentável e a integração de toda a região metropolitana de Curitiba.

A estratégia de otimização e a integração da eficiência e produtividade dos transportes, além da ocupação do solo e o desenvolvimento da habitação fez com que a cidade de Curitiba fosse a vitrine do urbanismo ecológico humano no Brasil. Porém, melhorias constantes são feitas no planejamento urbano sustentável a fim de colaborar com a qualidade do ar e com a absorção de CO2 pelas áreas verdes da cidade.

O Veículo Leve sobre trilhos – VLT é outra opção sustentável, sendo um metrô leve, uma espécie de trem ou comboio urbano de superfície utilizado largamente em mais de 270 cidades pelo mundo, principalmente em cidades da Europa e dos Estados Unidos. O VLT corre em piso baixo no nível da rua, o que facilita o acesso dos passageiros e garante o acesso de pessoas com locomoção reduzida. O VLT utiliza somente energia elétrica, limpa, renovável e harmoniza com a urbanização, inclusive de cidade tombadas.


O monotrilho por sua vez é um metrô de superfície, mais leve, e as estações são em via segmentada. Na Europa é um transporte de massa pouco aceito por questões de segurança, pois em caso de emergência, a evacuação dos vagões se torna difícil especialmente se o trem estiver cheio.  Outro problema é o risco de veículos grandes e carros se chocarem contras as estruturas de sustentação, que podem comprometer a estrutura. A infraestrutura é mais complexa e o reparo estrutural é complicado.


O monotrilho usa pneus para o rolamento e nas laterais da viga, mas é totalmente elétrico, o problema é que há um gasto maior com manutenção, devido o consumo de borracha, o que gera poluição. O monotrilho que está sendo implantado na cidade de São Paulo, por exemplo, é feito com tecnologia de avião, os vagões são de alumínio fazendo com que os trens fiquem mais leves e alcancem uma velocidade maior.



Quando o monotrilho estiver em funcionamento a velocidade média destes trens será de 36 quilômetros por hora podendo chegar até 80 quilômetros por hora. A maior inconveniência existente entre o monotrilho e o VLT é o custo de aproximadamente 70% a mais, o que encarece o projeto e a manutenção dos trens e da infraestrutura. Além de comprometer a urbanização em cidades tombadas devido às estações ficarem em área elevada, e muitas vezes de difícil acesso.

É importante destacar que, o planejamento urbano sustentável deve incluir algumas diretrizes no projeto, tais como: esgoto tratado, arborização urbana, tratamento de resíduos sólidos, estrutura ambiental, ambiental, habitação sustentável, o uso adequado da água, além  de educação ambiental.


A cidade com o melhor planejamento urbano sustentável no mundo é Reykjavik, na Islândia, pois é comprometida com o desenvolvimento sustentável. Há uma política intensa de plantio de árvores, além de aquecimento doméstico, e sistemas elétricos que funcionam a partir das fontes quentes geotermais do subterrâneo, os ônibus verdes usam como combustível o hidrogênio, tendo o ar puro que atrai diversos turistas à cidade.


Um planejamento urbano sustentável eficiente traz condições aceitáveis a toda uma população, e não apenas aos políticos que promovem projetos como estes em épocas de eleição.

Fonte: Fotos Alstom e Bombardier

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Baseado no trabalho disponível emhttp://marisadiniznetworking.blogspot.com/2014/08/planejamento-urbano-sustentavel.html.




2 comentários:

  1. Marisa, o planejamento urbano é super importante, Curitiba se destaca no Brasil pela organização, corredores de ônibus, áreas de laser. Minha cidade tem cerca de 30 mil habitantes, mas é um caos em todos os sentidos, trânsito, estacionamentos, comércio, há dias em que sair de carro demora mais que sair a pé, e numa cidade tão pequena, deveria haver algum planejamento, pois tem crescido e continua a crescer, caso não se faça algo a curto prazo vamos sofrer no futuro.
    Abraço!

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  2. Na nossa realidade brasileira, planejamento urbano tem passado muito longe na hora de projetar empreendimentos imobiliários. Para quem está vendendo, o importante é ter lotes disponíveis para vender e esquecem de desenhar avenidas descentes, áreas verdes, entre outros mecanismos citado no texto.

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