Marisa Fonseca Diniz
Poucos cientistas até a década de 1980 tinham a sapiência de que os gelos polares e a atmosfera estava mudando e paulatinamente rareava a camada de ozônio atmosférico, responsável por filtrar radiações perigosas procedentes do Sol. Na época desconhecia-se as consequências em escala planetária e somente alguns tinham o conhecimento de que existiam evidências da ocorrência de uma alteração climática muito lenta, imperceptível, que conduzia a um progressivo aquecimento global.
A sociedade não se interessava pelo assunto e muito menos pelos problemas que poderiam causar como a contaminação atmosférica nas cidades, no entanto, no início do século XXI, a situação mudou. A preocupação com a conservação do planeta atingiu todas as camadas sociais. Essa transformação qualitativa marcou o começo de uma nova consciência ecológica.
Emissões procedentes de certas atividades humanas podem causar graves danos à atmosfera, como a chuva ácida, a destruição da camada de ozônio e a intensificação do efeito estufa. A progressiva intensificação do efeito estufa causa aumento de temperaturas no planeta. O aquecimento global pode dar lugar a um aumento da instabilidade climática, e isso faz soar um alarme científico e social.
A superfície do planeta está em uma fase de aquecimento mudando drasticamente o clima, alterado pelo balanço da radiação solar recebida e refletida pela Terra, ou seja, a parte significativa da emissão calorífica que a Terra envia para o espaço está sendo retida, o que provoca o aumento do chamado efeito estufa. O acúmulo de uma série de gases na atmosfera é a causa principal do aumento do efeito estufa. Neste ano de 2026, a temperatura média global continua aumentando mantendo cerca de 1,4º C acima dos níveis pré-industriais. De acordo com os dados do Serviço de Copernicus para as Alterações Climáticas este é o quarto ano consecutivo em que se registra temperaturas extremas de calor impulsionadas pela emissão contínua de gases do efeito estufa, que são agravadas pelas oscilações oceânicas.
As oscilações oceânicas, o derretimento das geleiras, a perda do permafrost e as mudanças na superfície da água do mar alteraram o peso sobre a crosta terrestre, sendo uma das causas do aumento do deslocamento das falhas geológicas funcionando como um gatilho para tremores e instabilidades locais.
Até agosto desse ano, já foram registrados 10 terremotos com magnitude acima de 7,0, concentrados principalmente no Círculo de Fogo do Pacífico.
O Círculo do Fogo do Pacífico é uma vasta área em formato de ferradura com cerca de 40 mil quilômetros de extensão. A região destaca-se pela intensa atividade geológica devido ao encontro e atrito contínuo de várias placas tectônicas, cerca de 90% de todos os terremotos do mundo e 75% dos vulcões ativos encontram-se nessa região.
Estudos indicam que o aquecimento global e o derretimento das geleiras causado pela pressão sobre a crosta terrestre, podem despertar os vulcões em regiões específicas. Entre 2000 e 2019 as geleiras do planeta perderam cerca de 267 bilhões de toneladas de gelo por ano. O derretimento das geleiras contribui para o aumento do nível do mar causando inundação e erosão.
Pesquisas sugerem que as mudanças climáticas podem causar problemas não apenas na superfície como também o aquecimento do planeta especificamente o aumento dos níveis de chuva e o derretimento das geleiras, que podem exacerbar os perigos sob a superfície, tais como terremotos e erupções vulcânicas.
O aquecimento global também pode ampliar a potência do El Niño, que é um ciclo natural de aquecimento das águas do Oceano Pacífico elevando a temperatura base da Terra potencializando as ondas de calor, secas e tempestades em diversas regiões do planeta.
Segundo o professor Ángel Adames, do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, os riscos do calor e as mudanças dos padrões de chuva causados pelo Super El Niño poderão ter impactos maiores e piores no ano de 2027.
O Super El Niño intensifica de forma drástica o alto risco de queimadas e incêndios florestais devido o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Na Amazonia e em outras regiões tropicais, ele provoca ondas de calor extremas deixando a vegetação seca e altamente inflamável. O que pode causar em todo mundo uma crise energética e de abastecimento nos próximos anos devido o calor excessivo e a falta de chuvas comprometendo os reservatórios hidrelétricos e a infraestrutura de energia devido ao pico da demanda decorrente das temperaturas recordes e os “domos de calor” atingindo fortemente regiões da Europa, América do Norte e áreas urbanas da América do Sul, elevando o risco de mortalidade e estresse hídrico.
O avanço da seca tende a atingir o centro da América do Sul, a Amazônia e partes da África e da Europa, diminuindo o nível dos rios, prejudicando as safras agrícolas alimentado por grandes incêndios florestais. As regiões Sul do Brasil, partes da América Latina andina e o leste da África tendem a enfrentar volumes de chuvas cada vez maiores e acima da média, provocando enchentes maiores.
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