28 de junho de 2015

Rótulos: ser humano ou produto?


Marisa Fonseca Diniz


A mídia é um excelente meio de comunicação à divulgação de produtos, serviços e novas tecnologias, porém no quesito humano é sádica, principalmente no que se diz respeito à criação de rótulos que designam o tipo de padrão a ser seguido pela sociedade.

A mídia vem massacrando as pessoas que não pertencem a determinados padrões de beleza, classe social, religião, raça, profissional e até mesmo opção sexual. A falta de bom senso incentivado pelos meios de comunicação tem feito com que várias pessoas se sintam desprezadas ou inferiorizadas.

O exagero da indústria da beleza em rotular as pessoas magérrimas como as mais belas tem criado uma legião de pessoas com distúrbios alimentares na busca do padrão perfeito. Padrão este que economiza tecido na hora de confeccionar peças de roupa para os desfiles, pois quanto menos matéria-prima se utiliza mais lucro se obtém, sendo que  a maioria das numerações de roupas hoje excluem por completo as mulheres com corpos arredondados e de quadril largo.

Atualmente, o estereótipo da beleza perfeita dado às mulheres são as de pele branca, olhos claros, cabelos lisos e loiros, mulher perfeita, no qual não condiz com a realidade das mulheres brasileiras tão conhecidas por seus corpos esculturais e  bronzeados, característica de pessoas que vivem em países de clima tropical.

O desespero causado por este tipo de mídia tem feito com que várias mulheres de diferentes faixas etárias corram às clínicas clandestinas em busca do corpo perfeito, arriscando a própria saúde a um padrão inaceitável, digno apenas dos manequins de plástico. A maioria das pessoas desconhece o fato das modelos que estampam as mais famosas capas de revista de moda serem modeladas através de programas de computador, falhas e imperfeições são excluídas dando a ilusão de que são perfeitas, e estão dentro dos padrões estabelecidos.

A intolerância da mídia e da sociedade muitas vezes tem levado a radicalização de alguns conceitos nada convencionais como a perseguição aos homossexuais, a generalização das religiões com os atos terroristas, o preconceito quanto à etnia, cor da pele e as diferenças sociais chegando ao grau máximo da violência. É muito comum nos dias atuais confundir religião com fanatismo religioso e rotular todas as pessoas como terroristas, quando não, há o preconceito contra as mais variadas etnias principalmente procedente de países mais pobres, como se a pobreza fosse contaminar as pessoas que vivem em países desenvolvidos.

A ignorância em achar que todos os cidadãos provenientes de determinadas nações sejam bandidos ou terroristas, é o mesmo que achar que todos os profissionais desempregados sejam incompetentes. A rotulação vem acabando com a dignidade das pessoas comuns e as transformando em seres manipulados pelos perigosos canais de mídia.

Não obstante, a ignorância ultrapassa os limites do certo e do errado e tabula todos os seres humanos que se encontram fora dos padrões como incompetentes, não apenas no Brasil como fora dele também. Recentemente uma empresa de mídia digital americana excluiu um profissional brasileiro do processo de seleção com uma resposta sutil e preconceituosa, onde dizia que o candidato a vaga executiva encontrava-se no lugar certo, porém na hora errada.

É um erro achar que as pessoas devem seguir padrões específicos na busca de oportunidades de trabalho. Empresas ainda estão muito restritas a olhar para os profissionais como se fossem robôs ou produtos em prateleiras de supermercado. Acreditar que apenas profissionais de determinadas gerações sejam inteligentes, capacitados ou experientes tem destruído a competição saudável entres as organizações e criado profissionais facilmente manipulados.

O mundo globalizado está ficando cada dia mais preconceituoso,  desumano e irreal, onde a supremacia da intolerância reina indiscriminadamente. Se não houver uma  mudança generalizada no planeta, daqui a poucos anos seremos apenas uma legião de robôs manipulados pela Nova Ordem Mundial.

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Baseado no trabalho disponível emhttp://marisadiniznetworking.blogspot.com/2015/06/rotulos-ser-humano-ou-produto.html.

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