5 de janeiro de 2018

Arquitetura colonial e o meio ambiente


Marisa Fonseca Diniz



A arquitetura colonial no Brasil ocorreu no período em que o país foi colônia de Portugal, datada de 1500 a 1822, quando de sua independência. Os colonizadores importaram diversos estilos arquitetônicos europeus ao Brasil, tais como: renascentistas, maneiristas, barrocos, rococós e neoclássicos.

As principais técnicas construtivas utilizadas na época colonial foram adaptadas às condições socioeconômicas vigentes da época. Atualmente muitas dessas técnicas e materiais são  utilizadas como opção sustentável na conservação do meio ambiente, uma vez que, os insumos e processos construtivos se modernizaram no decorrer dos anos, mas muitos destes acabaram poluindo solos e rios degradando como consequência a natureza.

O processo das construções coloniais de divisórias e muros eram feitas de alvenaria, onde se utilizava materiais como pedra, lajotas e tijolos. O adobe era uma lajota de barro compactada manualmente em fôrmas de madeira, que eram colocadas para secar na sombra durante alguns dias e depois ao sol. O barro era composto de argila e areia, acrescido de fibras vegetais e estrume de boi, processo este que proporcionava maior resistência às lajotas. A Igreja Matriz de Santa Rita Durão, na cidade de Mariana, Minas Gerais é um exemplo típico da utilização de adobe na construção interna de suas paredes.



Os tijolos cerâmicos também eram utilizados nas construções coloniais, mas diferentemente do adobe tinham dimensões menores e eram cozidos em fornos de altas temperaturas. A durabilidade dos tijolos cerâmicos era semelhante às pedras utilizadas na construção dos muros das construções da época. A maioria das construções na Bahia no ano de 1711 é de tijolos cerâmicos. 




As pedras utilizadas no processo de alvenaria eram calcários, arenitos, granitos, pedra-sabão, canga ou pedra de rio devido sua alta resistência, os tamanhos eram variados e o acabamento era irregular, uma vez que, não havia maquinário disponível para o corte. As pedras menores eram utilizadas para calçar as maiores, a cal e a areia faziam o papel da argamassa por serem mais resistentes, mas em algumas construções na falta deste material a substituição era feita pelo barro. A Igreja de São Francisco na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais é um exemplo de construção feita em pedra sabão.



Algumas construções utilizavam o processo da alvenaria seca, onde era dispensada a argamassa, e as pedras eram assentadas com a ajuda de formas de madeira. No processo de cantaria as pedras eram lavradas precisamente a fim de que as peças se ajustassem perfeitamente umas sobre as outras sem auxílio de argamassa. O óleo de baleia era utilizado como adesivo para auxiliar a vedação.

A técnica mais utilizada nas construções coloniais brasileiras era a taipa de pilão, uma vez que, havia abundância de barro vermelho como matéria prima de ótima resistência e durabilidade. O processo consistia em amassar com o pilão o barro que era colocado em fôrmas de maneira, os taipas, semelhante às fôrmas de concreto que são utilizadas atualmente nas construções. Após a secagem o taipal era desmontado e deslocado.


Neste processo, assim como no adobe, a mistura tinha que ser bem dosada de argila, areia, fibra vegetal, crina de cavalo ou estrume animal, sendo o diferencial a mistura de óleo de baleia que possibilitava resistência extraordinária. A secagem por sua vez durava de 4 a 6 meses, sendo que, depois de seca o revestimento das paredes poderiam utilizar a argamassa de cal e areia ou utilizar o estrume de vaca. O processo de taipa de pilão nas construções coloniais foram mais utilizadas nas regiões de São Paulo e Goiás.



Um dos sistemas mais utilizados tanto nos tempos de colônia como nas construções rurais atuais é o pau-a-pique ou taipa de mão. Os materiais naturais utilizados nesta técnica construtiva tem baixíssimo custo, além de alta resistência e durabilidade. As madeiras utilizadas neste processo eram a aroeira ou braúna. Os baldrames eram ligados aos esteios por sambladuras, entre os esteios e os frechais eram colocados paus roliços verticais. A trama era amarrada com cordões de seda, linha, cânhamo ou buriti. O barro era jogado e apertado com as mãos até dar a consistência de construções. Veja a foto abaixo uma parede de pau-a-pique da Fazenda Boa Esperança, na cidade de Belo Vale, em Minas Gerais.



O enxaimel é uma técnica semelhante ao pau-a-pique, porém o que difere é a vedação aonde o vão entre os esteios eram reforçados com peças inclinadas nos cantos e na diagonal dos quadros e preenchidas por adobe. A construção do Museu da Família Colonial de Blumenau, Santa Catarina é um exemplo típico deste tipo de técnica. 



Já o processo do tabique era utilizado nas divisórias internas feitas por estruturas de vigas de madeira e revestimento de tábuas. As madeiras mais utilizadas neste processo eram o ipê, a aroeira, peroba, maçaranduba, jatobá, cedro, canela, vinhático, caviúna, entre outras. A Matriz de Nossa Senhora do Pilar na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, é um exemplo típico deste tipo de técnica construtiva, cujas paredes são de alvenaria de pedra, e a parede da nave é de madeira na forma poligonal.



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Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniznetworking.blogspot.com/2018/01/arquitetura-colonial-e-o-meio-ambiente.html.

Um comentário:

  1. Bom trabalho, prefiro muito mais esse estilo de arquitetura antiga do que a arquitetura moderna, eu iria preferir muito mais conhecer uma cidade como London do que conhecer uma outra como Brasília com arquitetura futurística.
    Parabéns pelo trabalho.

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